Legionários de Cristo. Um perdão para a polêmica

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Por: Jonas | 03 Novembro 2015

A congregação mexicana Legionários de Cristo, que ficou esvanecida no escândalo, após ser revelado que seu líder máximo, Marcial Maciel, havia abusado de seminaristas e teve vários filhos com diferentes mulheres, recebeu o perdão do papa Francisco, como parte das atividades do Jubileu.

A reportagem é publicada por Página/12, 30-10-2015. A tradução é do Cepat.

O papa Francisco concedeu a “indulgência plenária” à controvertida congregação mexicana Legionários de Cristo no marco do Jubileu e de sua fundação, há 75 anos, segundo confirmou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.

Em um comunicado oficial, a congregação ultraconservadora mexicana, empenhada em limpar seu passado marcado pela pedofilia de seu fundador, o mexicano Marcial Maciel, informou, ontem, a decisão do Papa em conceder o perdão da Igreja. A indulgência plenária foi comunicada através de uma nota da Penitenciaria Apostólica da Santa Sé, com a data de 27 de julho de 2015.

Segundo o documento da Penitenciaria Apostólica, os legionários e membros do Regnum Christi, braço secular, poderão alcançar a indulgência plenária “se renovarem por devoção os compromissos que os vinculam ao Movimento ou à Legião, e rezarem pela fidelidade de sua pátria à sua vocação cristã, pelas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada, e pela defesa da família”.

Eduardo Robles Gil foi nomeado o novo diretor geral dos Legionários por um período de seis anos, no ano passado, após uma reunião geral que durou mais de um mês, com a finalidade de renovar completamente as bases desta congregação, após o escândalo de seu fundador.

Marcial Maciel morreu em 2008, dois anos após Bento XVI o condenar por seus “gravíssimos e imorais” comportamentos e ordenar uma inspeção, em 2010, após a qual foi sugerida uma profunda revisão da congregação.

Os Legionários fizeram, posteriormente, uma renovação interna, pediram por carta perdão pelo ocorrido sob a direção de Maciel e confirmaram que não poderão voltar a propor os textos de Maciel, que eram a base da congregação.

A solicitação de indulgência foi apresentada pelo diretor geral da congregação, o mexicano Eduardo Robles Gil, para “celebrar dignamente” o 75º aniversário de sua fundação. A congregação conservadora, fundada em 1941, conseguiu por décadas ocultar as denúncias contra Maciel e contou com a proteção de altos eclesiásticos do Vaticano, durante o pontificado de João Paulo II (1978-2005), que considerava os legionários um exemplo de virtude católica.

“Não parece que seja o exercício de um perdão, mas, ao contrário, uma oportunidade que eles próprios conseguiram para colocar outra vez no candeeiro a Legião de Cristo”, disse José Barba, uma das vítimas de abuso sexual. Barba considerou que os legionários estão se adiantando a “uma conjuntura muito importante, que é a próxima vinda do Papa ao México”, em 2016. Dois anos antes de sua morte, Maciel recebeu a ordem do Vaticano de se afastar do ministério público de sua atividade sacerdotal, em razão dos escândalos.

Ainda que Barba advirta que o documento não foi assinado pelo papa Francisco, mas, sim, pelo titular da Penitenciaria da Igreja Católica em Roma, disse que não importa às vítimas dos legionários que o pontífice se reúna com eles, durante sua estadia no México, em 2016.

“Não nos importa porque nunca nos deu resposta canônica, conforme tínhamos direito”, disse Barba, que inclusive interpreta a indulgência conferida de acordo com o que considerou a Real Academia Espanhola: uma dissimulação de culpas.

Bento XVI negou a se reunir com as vítimas de Maciel, durante a visita que realizou no México, em 2012. O Vaticano “foi indulgente com os legionários durante décadas”, conforme comprovam mais de 200 documentos sobre os abusos, publicados em 2012 pelas vítimas, que estiveram em posse do Vaticano, por décadas, sem trazê-los à tona, lamentou o ex-sacerdote desta congregação.

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