Ollanta Humala traiu projeto nacionalista, diz candidata de esquerda à Presidência do Peru

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29 Outubro 2015

A congressista Verónika Mendoza ganhou as eleições internas da Frente Ampla – a primeira experiência no Peru de eleições internas abertas nas quais votaram não apenas os militantes – e se converteu na candidata da frente esquerdista e na candidata mais jovem às eleições presidenciais de abril de 2016. Em poucas semanas irá completar 35 anos. “Visão, firmeza e transparência” são as características que diz definir sua candidatura. Verónika Mendoza recebeu a reportagem em seu gabinete no Congresso Nacional para falar sobre sua recém-lançada candidatura presidencial e sobre as propostas da esquerdista Frente Ampla. E também do presidente Ollanta Humala, que conheceu em Paris quando era estudante de Psicologia e Antropologia e ele adido militar. Esteve com Humala desde o início e foi eleita congressista em 2011 pelo hoje governante Partido Nacionalista. Porém, decepcionada com o governo, renunciou antes que Humala cumprisse seu primeiro ano no poder.

A entrevista é de Carlos Norieg, publicada por Página/12, 28-10-2015.

Eis a entrevista.

Que opinião tem agora de Ollanta Humala e de seu governo?

Quando renunciei estava claro que não havia vontade de implementar as reformas que havíamos anunciado, que se havia traído tudo o que se tinha proposto na campanha. O governo Humala acabou sendo mais um dos seguidos governos neoliberais do país, com alguns matizes certamente. O consenso quase generalizado entre aqueles que depositaram suas esperanças, suas expectativas no projeto nacionalista encabeçado por Humala, é que houve traição.

As pesquisas refletem um apoio majoritário aos candidatos da direita, e a esquerda parece relegada. O que se passou com essas expectativas de mudança que deram a vitória a Humala em 2011?

Percebo uma espécie de sentimento de resignação muito forte na população. As pessoas dizem: “Acreditei em Ollanta e ele me traiu, já não tenho razões para voltar a acreditar”. Com esse sentimento de resignação as pessoas acabam votando em qualquer um.

E como mudar essa sensação de resignação?

Há que se restabelecer confiança com base no discurso, porém em especial com base nos fatos. Um fator que nos ajudou a despertar expectativa na cidadania foi a convocação de eleições abertas para eleger uma candidatura, a nossa, porque demonstramos na prática que se levarmos a sério a democracia, dar poder às pessoas, construir uma organização política com institucionalidade, em que não haja uma pessoa que seja dona do partido. Para reconstruir essa confiança nos ajuda a trajetória daqueles que nos agrupamos na Frente Ampla, demonstrando que nos mantemos na mesma linha política.

Sua candidatura começa com apenas 2% das intenções de voto, segundo recente pesquisa. Keiko Fujimori tem 35%. Como pensa reverter esta desvantagem?

A senhora Fujimori tem 8 ou 10 anos fazendo campanha e nós acabamos de começar. Temos convicção de que podemos crescer, porque ao lado do sentimento de resignação também existe um grande desejo de mudança. Com base em propostas concretas podemos despertar novamente a esperança. Temos consciência de que vai ser difícil, o tempo está contra nós, os meios de comunicação estão contra, não temos os recursos materiais que os outros têm, mas temos a vontade. Vamos nos dirigir às pessoas, cara a cara, com propostas concretas, e podemos olhar nos olhos das pessoas porque não temos rabo de palha, como Keiko Fujimori, que não consegue se desembaraçar da corrupção e das violações dos direitos humanos do nefasto regime fujimorista de seu pai; como Alan García, que indultou narcotraficantes às centenas; como Kuczynski, que é um lobista que sempre privilegiou os interesses de seus clientes e não o interesse nacional; como Toledo que explica com meias verdades e mentiras inteiras o aumento de seu patrimônio pessoal.

Quais são as propostas da Frente Ampla para mudar o atual modelo econômico neoliberal?

O Estado tem de recuperar sua capacidade de planificar o desenvolvimento em função do interesse nacional, dialogando com os distintos setores. Propomos recuperar os recursos naturais para que estejam a serviço do desenvolvimento nacional e não em função de critérios e interesses de empresas transnacionais como ocorre agora. Há que diversificar a economia e potencializar outros setores econômicos para não depender do setor extrativista, especialmente da mineração e dos hidrocarbonetos, como acontece hoje. Vamos mudar esta dependência com um Estado que identifique as potencialidades de cada território e promova outros setores produtivos, com capacitação, acesso a créditos, promoção da pesquisa e inovação científica e tecnológica e agregar valor ao que temos. A melhor maneira de distribuir renda é gerar emprego de qualidade e para tanto há que se potencializar distintos setores econômicos. Por uma questão de princípios, de dignidade nacional, acreditamos que a atual Constituição tem de ser mudada, uma vez que é fruto do golpe de 1992, do regime autoritário e arbitrário do fujimorismo. Merecemos uma nova Constituição que seja fruto de um debate plural, de um consenso nacional, de um novo pacto social. Se queremos evitar que o Estado continue sendo relegado a um papel meramente subsidiário, se desejamos que volte a ter um papel mais proativo no desenvolvimento econômico nacional, um papel de planificador e articulador, devemos mudar a atual Constituição que limita o Estado a um papel meramente subsidiário. Muita gente identifica uma nova Constituição como uma mudança de modelo, uma mudança de vida.

Com que figura política da região você se identifica?

Tenho certa dificuldade para responder isso, porque pelo que aprendi no processo do Partido Nacionalista não me entusiasmam os caudilhos. Por isso prefiro me pronunciar sobre processos e não sobre pessoas. Acredito que há processos muito interessantes na América Latina. O venezuelano o foi em seu momento, lamentavelmente agora há uma situação complicada de crise política e econômica. Sigo com mais entusiasmo o processo boliviano, que conseguiu se consolidar em termos econômicos, políticos e sociais, com uma grande mudança cultural que permitiu que amplos setores da população indígena que antes foram insultados, marginalizados, hoje assumam liderança política em seu país. O processo político na Argentina fez enormes esforços para a defesa da soberania com relação à ingerência de grandes potências e de empresas transnacionais, tomou as rédeas de seu próprio desenvolvimento e democratizou seu país, e isso é algo que reconhecemos, valorizamos e aspiramos para nosso próprio país.

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