Manchete correta para Ibope é: metade dos eleitores rejeita todos os candidatos

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28 Outubro 2015


Análise da pesquisa Ibope divulgada pelo Estadão na segunda-feira (26) sentenciou: Lula perdeu condições de assegurar sua eleição em 2018, pois saltou sua rejeição e caiu o número de eleitores que diziam que com certeza votariam no petista na próxima disputa presidencial.

Nesta terça (27), com todos os jornais destacando que os negócios do filho de Lula é alvo da Operação Zelotes, o Estadão não se conteve e noticiou, em seu portal, que o petista é, ainda de acordo com a mesma pesquisa Ibope, o mais rejeitado entre Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves, todos do PSDB.

O comentário é publicado por Luís Nassif, publicado por Jornal GGN, 28-10-2015.

Mas segundo o relatório do Ibope, a melhor leitura para essa nova sondagem, que contrapõe potencial de voto com rejeição, é que "metade dos eleitores rejeita" todos os presidenciáveis colocados na pesquisa.

A pergunta feita pelo Ibope foi se cada um dos postulantes receberia com certeza, poderia receber ou não receberia de jeito de nenhum o voto do entrevistado. Alguns abraçaram mais de um candidato.

Outros rejeitaram a maioria ou todos. E teve também quem não soube responder por indecisão ou desconhecimento sobre o político. Logo, as somas não chegam a 100%.

De qualquer forma, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, Lula (descartado por 55% dos entrevistados) é tão rejeitado quanto Alckmin (52%), Serra (54%) e Ciro (52%), ao contrário do que disse o Estadão. Apenas Aécio e Marina, derrotados na corrida contra Dilma Rousseff (PT), aparecem em patamar inferior de rejeição: 50% dizem que não votariam de jeito nenhum na mentora da Rede, e 47% não consideram Aécio uma opção.

Alckmin e Ciro, que aparecem pela primeira vez na pesquisa, ainda são desconhecidos por uma parte considerável do eleitoral. Cerca de 24% desconhecem o pedetista e 16%, o governador de São Paulo.

Serra vive um ocaso, ressurgindo na mídia apenas quando lhe convém. Tanto que o número de eleitores que dizem não conhecer o senador o bastante para avaliar se votariam ou não nele para presidente saltou de 9%, em março de 2013, para os atuais 11%. Outro ponto destacável é que, ao contrário dos demais potenciais candidatos, Serra sempre surfou na onda dos 50%, em média, de rejeição.
 
Marina, que ao contrário de Aécio só faz aparições relâmpagos na imprensa desde outubro de 2014, viu sua taxa de desconhecimento saltar de 5% para 10% em um ano. Nesse período, os que votariam nela com certeza cairam de 20% para 11%, e os que poderiam votar, de 36% para 28%. A rejeição foi de 31% para 50%.
 
Aécio

No início da série (março de 2013), Aécio era um candidato desconhecido por 34%. Hoje, depois de angaria 51 milhões de votos na corrida presidencial de 2014, esse índice está em 9% - cresceu três pontos desde outubro de 2014. Também desde o início da série, Aécio conseguiu dobrar o número de eleitores que votariam nele com certeza. Mas foi de 7% para os atuais 15%.
 
Nos meses da última campanha presidencial, ele capitalizou mais entre potenciais eleitores (aqueles que "poderiam votar"), mas esse número também caiu 38% para 27% neste último ano, mesmo com o tucano ocupando o noticiário quase que diariamente, fazendo forte oposição ao governo Dilma. Sua rejeição saltou de 32% para 47%, de um ano para outro.

Lula

Lula, que tem sentido o desgaste político das investidas do Ministério Público Federal contra sua atuação em outros países (caso BNDES) e as empresas de seu filho (Zelotes), fora a Lava Jato, viu sua rejeição ultrapassar numericamente a de José Serra, que era a maior até então. Mas o ex-presidente ainda consegue o feito de ter o eleitorado mais cativo entre todos os outros postulantes. Cerca de 23% votariam em Lula com certeza. É um índice menor do que o petista possuia em maio de 2014 (33%), mas ainda é praticamente o que Marina e Aécio possuem juntos hoje, se considerada a margem de erro.
 
A leitura correta que o Estadão fez, segundo o relatório do Ibope, é que Lula tem perdido potencial de voto, sim, mas no mesmo ritmo que os demais candidatos. Ou seja: o ex-presidente, que já bateu recorde de popularidade, sofre perdas com as novas "adversidades" da política, mas os concorrentes não têm demonstrado capacidade para capitalizar essas perdas do adversário petista.

Veja a pesquisa completa aqui, e a evolução do potencial de voto aqui.

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