Sínodo: os gays ainda são um tabu. Artigo de Ferdinando Camon

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27 Outubro 2015

O erro da Igreja decorre disto: a Igreja pensa que existe a Natureza, que leva o homem ao encontro da mulher, mas o homossexual, por malignidade, a subverte e vai ao encontro do homem. Assim, ele se rebela contra a Natureza e contra Aquele que o criou.

A opinião é do escritor italiano Ferdinando Camon, em artigo publicado no jornal La Stampa, 26-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Se o Sínodo diz que sobre a comunhão aos divorciados recasados é possível decidir caso a caso, isso significa que, no seu interior, há divergência.

A mesma que corre entre os católicos de base: é possível dar a comunhão aos divorciados recasados? É possível com base naquilo que um católico de hoje sabe, aquilo que lhe foi ensinado, aquilo em que ele acredita?

A minha resposta é: não. Deve-se corrigir esse "não"? É claro, deve-se corrigir. E a correção passa por um repensamento da comunhão, a possibilidade de dá-la mais facilmente a quem a pedir, porque o pedi-la já envolve um merecê-la?

Não, passa por um repensamento do divórcio: o divórcio se faz em dois, mas quase sempre a culpa é de um. O outro sofre. Mesmo quando é ele quem o pede. O matrimônio pode ser uma formidável fábrica de desconforto e de sofrimento. Mas pode acontecer que um cônjuge produza os sintomas, e o outro os carregue sobre si. Até quando não consegue mais.

A Igreja leva em consideração aqueles que buscam permanecer no matrimônio, mas pode ser isso mesmo que o torne impossível. Não considerar isso significa ter falta de psicologia. Como no modo de tratar a homossexualidade.

Sobre a homossexualidade, o Sínodo foi muito duro. Ele diz que a união entre homossexuais "vai contra o desígnio divino". Poucos dos meus leitores vão se lembrar disso, mas a homossexualidade, no catecismo ensinado até uma geração atrás, que remonta a Pio X, era posta ao lado do "homicídio voluntário". Esse catecismo trazia no apêndice uma lista dos chamados "pecados que clamam a Deus por vingança", e esses pecados eram sete: o primeiro era o "homicídio voluntário", o segundo o "pecado impuro contra a natureza", isto é, a homossexualidade.

Eu tinha amigos homossexuais, Pasolini, Sandro Penna, Dario Bellezza... Quando falava com um deles, olhava-o na cara e me perguntava: ele é um assassino? Eu nunca respondi "sim".

Aquele que é, a meu ver, um erro da Igreja decorre disto: a Igreja pensa que existe a Natureza, que leva o homem ao encontro da mulher, mas o homossexual, por malignidade, a subverte e vai ao encontro do homem. Assim, ele se rebela contra a Natureza e contra Aquele que o criou.

Um dia, a Igreja vai compreender que o homossexual não vai contra a Natureza, mas segue a sua própria Natureza, exatamente como faz o heterossexual. Esse conceito não era claro, até recentemente, nem mesmo para os homossexuais que viviam a homossexualidade como uma maldição. Entre eles, também Pasolini. Ele morreu por isso.

O matrimônio é sentido como indissolúvel, porque não é um vínculo que liga o marido à mulher e vice-versa, mas liga cada um dos dois a Deus. O matrimônio católico é uma união a três.

Romper esse vínculo com Deus é uma culpa grave. Por isso, o divorciado recasado não pode receber a comunhão. Se a receber, comete um sacrilégio. Aquele menino, que na sua primeira comunhão, vendo que pai e mãe, divorciados, não podiam tomar a hóstia, partiu a sua própria e deu uma porção dela ao pai e à mãe, fez um sacrilégio.

Não será mais um sacrilégio quando, um dia, a Igreja reconhecer que o divórcio não é um ato (imperdoável) com o qual um cônjuge se subtrai de Deus, mas um ato com o qual ele se subtrai do outro cônjuge. Como tal, pode ser um ato compreensível. Às vezes, até útil a um cônjuge. Ou mesmo a ambos.

Inconscientemente, o menino que partiu a hóstia sentia tudo isso.

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