O teólogo que inspirou o papa: "É possível dar a comunhão aos recasados." Entrevista com Giovanni Cereti

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26 Outubro 2015

Giovanni Cereti, o monsenhor que há 40 anos promove a tese da readmissão aos sacramentos para aqueles que vivem uma segunda união, afirma: "A Igreja das origens também permitia isso em determinadas condições." Francisco leu os seus livros. E fez com que alguns trechos fossem ouvidos pelos cardeais.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 23-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Talvez nem todos saibam disto, mas aqueles que, no Sínodo dos bispos, levaram adiante a tese da legitimidade da readmissão à eucaristia dos divorciados recasados se referem principalmente a um teólogo, ainda vivo: Giovanni Cereti.

Estudioso de patrística e ecumenismo, nos últimos 40 anos ele foi de encontro de uma certa desconfiança e marginalização por parte do establishment eclesiástico por causa de um livro, Divorzio, nuove nozze e penitenza nella Chiesa primitiva [Divórcio, novas bodas e penitência na Igreja primitiva], em que ele invocava a reconciliação e a readmissão à eucaristia dos divorciados recasados, referindo-se à práxis vigente na Igreja dos primeiros séculos.

Cereti, cujas conclusões foram reconhecidas como válidas pela maioria dos estudiosos em nível internacional, na Igreja de São João Batista dos Genoveses, no Trastevere, em Roma, do qual é reitor, continuou estudando e aprofundando as suas pesquisas, em meio a uma intensa intensa atividade de caráter pastoral. Isso até 2013, quando a chegada a Roma de Francisco mudou muitas coisas.

Eis a entrevista.

É isso mesmo?

Pelo que me foi dito, Francisco leu os meus livros. E foi ele mesmo quem pediu que o cardeal Kasper me citasse no relatório proferido ao consistório no dia 20 de fevereiro de 2014, pelo qual o cardeal alemão foi fortemente criticado justamente pelas passagens sobre os divorciados recasados.

Culpa sua, então?

Em certo sentido, sim, mas, se o papa pediu para citar as minhas pesquisas, isso significa que ele considera que a minha tese tem fundamento. É claro, ao mesmo tempo, ele não quer se impor. Ele decidiu pela sinodalidade e, por isso, não deseja fazer como Paulo VI que, sobre o ponto mais contestado da Humanae vitae, interveio tomando uma posição que estava em claro contraste com o parecer da maioria de uma comissão constituída por ele mesmo. Francisco vai ouvir a todos e vai aceitar as decisões dos Padres sinodais expressadas com maioria de dois terços como conclusões do Sínodo.

Como a Igreja primitiva abordava o ponto nodal dos divorciados?

Ela defendia o matrimônio monogâmico contra os rigoristas que o contestavam, mas, pouco a pouco, tomou consciência da existência de pecadores até mesmo entre os batizados e do poder que lhe era confiado para perdoar os pecados. Ela exerceu esse poder através da penitência pública e não reiterável.

Como ocorria essa penitência?

Substancialmente, aqueles que eram submetidos à penitência participavam apenas da primeira parte da missa, da "Liturgia da Palavra", e não do banquete eucarístico. No entanto, depois de um ou mais anos de penitência, eram reconciliados e readmitidos à eucaristia.

Alguns, porém, defendem que a Igreja progrediu desde os primeiros séculos. E que, se hoje não admite a eucaristia para os divorciados, é porque amadureceu uma convicção positiva que antes ela não tinha.

Na realidade, muitas vezes, se fala de retorno ao primeiro milênio, quando a Igreja era unida. E, no primeiro milênio, a decisão de um Concílio como o de Niceia emitiu uma sentença válida ainda hoje: a Igreja recebeu de Deus o poder de perdoar todos os pecados, até mesmo o de fracassar no próprio pacto conjugal, uma vez que foram submetidos à penitência e foram reconciliados.

Mas, para a Igreja, o matrimônio é um sacramento indissolúvel.

É verdade. Ninguém pode abrir mão de um matrimônio, se não os próprios esposos, com decisões e comportamentos que envolvam principalmente graves responsabilidades. Quando os esposos decidem abrir mão da palavra dada na celebração do matrimônio, quando se separam, eles destroem automaticamente o sinal sacramental que consiste no amor e na vontade de serem marido e mulher. Assim, desaparece também o vínculo conjugal e a graça do sacramento. É a mesma coisa que acontece com a eucaristia: eucaristia e matrimônio são os únicos sacramentos "permanentes". Para os católicos, enquanto o pão consagrado continua sendo pão, continua havendo a presença real. Mas, se o pão fica mofado, o desaparecimento do sinal sacramental faz desaparecer a presença real e, portanto, a graça do sacramento. Assim é para o matrimônio.

Por que uma parte da Igreja se opõe a tudo isso?

É difícil de responder. O que é certo é que, hoje, na consciência cristã comum, o escândalo não é tanto oferecido por aqueles que pecaram, mesmo que contra um dom tão precioso quanto o matrimônio, mas sim, justamente, por aquela que é considerada uma rigidez excessiva das instituições eclesiais, que parecem educadas a uma visão jurídica e não sacramental do matrimônio Deus é amor misericordioso, e a Igreja é chamada a honrar as palavras de Jesus: "Venham a mim, vocês todos que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei". Eu continuo profundamente convencido de que a Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar todos os pecados e que pode exercer esse poder no sacramento da reconciliação. Pode ser que um dos cônjuges não tenha nenhuma culpa ou pouca culpa, e que o outro tem uma culpa muito maior: o confessor vai julgar de forma diferente os dois casos, poderá impor uma penitência diferente, mas, em todo o caso, se constatar o arrependimento por ter renunciado à palavra dada na celebração do matrimônio, o cumprimento de todos os deveres em relação ao primeiro cônjuge e aos eventuais filhos, e a boa vontade de tentar realizar um matrimônio fiel na nova união, ele pode absolver o divorciado recasados e readmiti-lo à eucaristia.

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