“A Europa deve assumir sua responsabilidade em relação aos imigrantes”. Entrevista com Giovanna Di Benedetto

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Por: André | 31 Agosto 2015

Enquanto a Alemanha – que sempre foi muito reticente à questão dos imigrantes – decide abrir suas portas aos refugiados sírios, e a Hungria lança gás lacrimogêneo e dispõe centenas de policiais e arame farpado em suas fronteiras para evitar as entradas, a União Europeia destina 1,5 bilhão de euros para ajudar a Macedônia e a Sérvia nesta crise migratória. É que muitos destes migrantes, que fogem de guerras e da pobreza na África e no Oriente Médio, mudaram de rota para chegar à Europa.

Agora preferem viajar em botes infláveis da Turquia para alguma ilha grega e depois atravessar por terra a Macedônia, a Sérvia, a Hungria ou a Romênia para chegar à Alemanha e aos países bálticos, seus principais objetivos. Mas pelo Mediterrâneo continuam chegando à Itália, inclusive muitos menores de até 11, 12 e 13 anos, não acompanhados. Apenas na quarta-feira passada, as embarcações oficiais europeias resgataram no mar cerca de 1.900 migrantes.

“Os testemunhos que recolhemos nestes meses são desesperadores. As pessoas que partem não têm nenhuma possibilidade de futuro. Seja pela guerra, como os sírios, seja pela ditadura, no caso dos eritreus, seja por violências das mais variadas formas, como em outros países. Quem parte não o faz por prazer, mas porque não vê alternativa. Eles estão movidos por um grande desespero e ao mesmo tempo uma grande esperança. Dificilmente se deterão pelas más condições do mar ou das embarcações que usam”, contou, em uma entrevista ao Página/12, a porta-voz da organização humanitária Save the Children, Giovanna Di Benedetto. Ela se encontra na Catânia (Sicília), onde há vários centros de acolhida de migrantes, mas anda, junto com seus colegas, por todas as cidades da Sicília onde desembarcam, para ajudar os menores que vão chegando.

A entrevista é de Elena Llorente e publicada por Página/12, 27-08-2015. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Os migrantes não se detêm e tampouco as tragédias...

Lamentavelmente, temos tragédias todos os dias. No dia 23 de julho, chegaram a Augusta (Sicília) 40 mortos, no dia 29 a Messina outros 15, e nos dias 03 e 06 de agosto chegaram a Palermo vários mortos, entre eles três crianças. À Catânia, pouco depois, chegaram 49 cadáveres, e na terça-feira um rapazinho somali de 15 anos morreu após ter chegado, devido aos golpes e as torturas que sofreu na Líbia. A conta não tem fim...

Quantos são os menores de 18 anos que chegaram à Itália desde o começo do ano?

Pelo Mediterrâneo chegaram cerca de 10.600 crianças e adolescentes. Mais de 7.000 deles não estavam acompanhados, isto é, sem pai ou mãe ou nenhum outro familiar. O grupo mais consistente entre estes menores não acompanhados provém da Eritreia e não tem intenções de ficar na Itália, mas de chegar a outros países do norte da Europa, para encontrar-se com familiares ou amigos que já estão aí.

O que a Save the Children faz para ajudar estas crianças e adolescentes?

Nós estamos presentes desde 2008 nos principais lugares onde desembarcam no sul da Itália, para poder proporcionar-lhes assistência desde o primeiro momento. Sobretudo, tratamos de individualizar seus problemas, porque a maior parte deles tem histórias muito difíceis de violências, torturas, desnutrição. E levamos isso ao conhecimento das autoridades competentes. Também damos assistência jurídica aos menores, isto é, informamos sobre o que podem esperar na Itália. Na Itália têm, entre outras coisas, o direito de permanecer, porque sendo menores não acompanhados a lei italiana estabelece que não podem ser expulsos. E também, sempre que for possível, favorecendo a reunificação familiar com parentes que já estejam vivendo na Europa.

O que as autoridades fazem com estas crianças e adolescentes? Para onde os mandam?

Depois do desembarque, os menores não acompanhados são conduzidos às estruturas de primeira recepção e talvez ficam ali alguns meses, para depois serem transferidos às chamadas “comunidades”, ou seja, centros onde podem viver por mais tempo e começar um processo de integração. Vão à escola, aprendem o idioma e até podem aprender ofícios e trabalhar.

Qual foi a experiência mais dura que lhe coube viver com eles?

Lamentavelmente, as histórias que escutamos cada dia são histórias de grandíssimo sofrimento, de grandíssima violência. Há poucos dias vi um rapaz (de Gâmbia) que tinha os dedos destruídos a marteladas, caíram-lhe as unhas, simplesmente porque foi pedir o pagamento por um trabalho que tinha feito na Líbia. Outros contaram que jogavam gasolina nas pessoas e ateavam fogo. Ouvimos esse tipo de histórias dramáticas todos os dias. Por isso, a recepção destes menores é muito importante. São pessoas muito vulneráveis, que enfrentaram uma viagem dificílima colocando em perigo a própria vida. E a Europa deve responsabilizar-se por eles. Obviamente, não pode ser uma questão da qual se ocupam apenas os países fronteiriços como a Itália ou a Grécia. Na Itália, pedimos, além disso, que seja aprovada uma lei, que está parada no Parlamento, e que deve coordenar de modo orgânico a recepção dos menores estrangeiros não acompanhados.

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