Francisco marca a linha vermelha para o Sínodo

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Por: André | 06 Agosto 2015

Estas pessoas não estão excomungadas e não devem ser tratadas como tais. Sempre fazem parte da Igreja”. Nunca um Papa falou com tanta clareza sobre a situação eclesial dos divorciados recasados. Com seu posicionamento, Francisco não apenas mostra suas entranhas de misericórdia, sinal distintivo de seu papado, mas também, além disso, marca uma linha a seguir no próximo Sínodo sobre a Família.

A reportagem é de José Manuel Vidal e publicada por El Mundo, 05-08-2015. A tradução é de André Langer.

A possibilidade de que os divorciados recasados possam aproximar-se da comunhão é um dos assuntos mais polêmicos do Sínodo. Tanto em sua primeira parte, já realizada, como na segunda, que começará no dia 04 de outubro e marcará a agenda eclesial, junto com o Ano da Misericórdia. De fato, vários cardeais de pompa (entre eles o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Müller) posicionaram-se publicamente contra a eventualidade de que se possa tomar esta medida.

Com sua intervenção desta quarta-feira, Francisco marca uma linha vermelha para o Sínodo. A partir de agora, os eclesiásticos que queiram continuar impedindo o acesso dos divorciados recasados à comunhão saberão que estão se opondo ao que pensa, acredita e quer o próprio Papa. Poderão fazê-lo, porque Francisco quis expressamente que, no Sínodo, não haja temas tabus, nem acabados. Poderão inclusive discuti-lo e expor suas razões. Mas sabendo que poderão perder. Porque, na Igreja, vale o que pensa o Papa.

Por outro lado, o que o Papa disse na quarta-feira é doutrina comum, assumida desde sempre pela Igreja. De fato, os divorciados não estão excomungados. A excomunhão é uma pena eclesiástica e, como tal, exige um julgamento prévio por uma causa gravíssima (entre as quais não está o divórcio) ou que o pecado cometido caia sob excomunhão ‘latae sententiae’. Ou seja, que pelo simples fato de cometer esse pecado se fica excomungado automaticamente.

Este é o caso do aborto. Tanto para quem aborta, como para o médico que o pratica ou inclusive para o legislador que legisla a favor da interrupção da gravidez. Ao menos em teoria. Porque na prática, nem sequer neste caso, que a Igreja considera gravíssimo, recorreu-se a este expediente para os políticos que, no Parlamento espanhol, por exemplo, aprovaram sucessivas leis do aborto.

O Papa recorda, pois, que os divorciados não estão excomungados, não estão juridicamente fora da Igreja e, portanto, fazem parte dela. A consequência lógica que se segue é que, se fazem parte da Igreja, têm o direito de participar dos seus sacramentos. Até agora, um divorciado pode participar e receber alguns sacramentos, como o da penitência, ou participar da eucaristia. Pode ir à missa, mas não pode comungar, e caso o fizer, o padre não pode lhe negar a comunhão.

Essa é a prática com a qual o Papa quer acabar, inaugurando uma nova era de misericórdia ativa e efetiva na Igreja. Por mais que a velha guarda cardinalícia e os setores eclesiais mais conservadores se empenhem em impedi-lo. Francisco não muda a doutrina, torna-a mais evangélica. E ninguém na Igreja pode opor-se ao que diz o Evangelho. Nem sequer ao que diz o Papa. ‘Roma locuta, causa finita’.

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