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22 Julho 2015

O papa Francisco é o primeiro pontífice latino-americano da história. É certo que, chamado a eleger, o colégio cardinalício se decidiu pelo mínimo denominador comum da latinidade americana: um tano (como os argentinos chamam os italianos ou descendentes) branco como uma hóstia, mas o objetivo de sua nomeação era evidente: o Santo Padre foi simpático em sua viagem pelo Equador, Bolívia e Paraguai, e sobretudo em seus seis encontros com a presidenta de seu país, Cristina Kirchner, e se mostrou não só extremamente político como disposto a consentir que o chefe de Estado a seu lado tirasse vantagem de sua presença, coisa que o presidente Correa, do Equador, que fez com sucesso relativo e Evo Morales, da Bolívia, aparentemente com sucesso total.

O comentário é de Miguel Ángel Bastenier, publicado no jornal El País, 21-07-2015.

O Pontífice em seus discursos fez o melhor que seus anfitriões poderiam esperar dele: referência à mãe terra — a Pachamama andina —, flagelação dos poderosos, crítica à conquista espanhola, porém nenhuma palavra à guerra do deserto argentina, duro rechaço ao capitalismo extremo, e tudo sem sequer tocar nas beiras do dogma. E em todas essa razzia, um único propósito central, para o qual ele foi alçado à cadeira de São Pedro: deter a vertiginosa proliferação das seitas protestantes onde antes estava o grande viveiro da Igreja Católica.

A América Latina abriga cerca de 425 milhões de católicos, equivalentes a 40% de seu rebanho mundial, mas já faz alguns anos o The New York Times publicava com indisfarçável satisfação que a cada dia se convertiam ao protestantismo, pentecostal ou de qualquer outra seita, 8.000 latino-americanos. Em 1970, segundo dados da própria instituição romana, 97% da população se declarava católica quando hoje a porcentagem mal chega a 70%. O Brasil continua sendo o país com mais católicos do planeta —em torno de 140 milhões—, mas os convertidos a uma variedade de igrejas tão populares quanto populistas são cerca de 45 milhões.

Onde a desigualdade social era maior (América Central), também foi maior a evasão de fiéis
As explicações da decadência são várias. A Igreja Católica era dada à hipocrisia, repousava sobre os louros tradicionais, estava comprometida com os poderes, isto é, oligarquias, locais, e era preguiçosa diante do uso da tecnologia —milhares de templos protestantes têm canais no Youtube.

Mas as coisas ficaram ainda piores quando se quis reagir politicamente. A teologia da libertação, que não era absolutamente majoritária no clero, mas suficientemente estridente para assustar a classe poderosa e proprietária, levou esse círculo de poder a dizer que “se a Igreja está se tornando comunista, vou trocá-la por outra”. E onde era maior a desigualdade social —a América Central— também foi maior a evasão de fiéis.

A Guatemala é o melhor exemplo, com 50%, ou quase, de protestantes, segundo as cifras dos interessados, ainda que menos de 30%, segundo a contabilidade da conferência episcopal guatemalteca. Mas as discrepâncias podem ser mais aparentes do que reais, porque convertidos mais ou menos light podem fazer número em ambos os lados do Rubicão religioso: com os evangélicos pelo que podem oferecer, incluída uma atenção personalizada que faltou nas fileiras de Roma, mas sem abandonar a fé tradicional, por respeito ao passado. Outro sintoma decisivo se mostra quando a hierarquia militar — Ríos Montt, general e presidente da Guatemala, inicialmente golpista— começa a balançar para o lado dos herdeiros de Calvino. Roma acha difícil absorvê-la.

Poderão Francisco, com seu inegável dom de cativar, e essa espécie de ressurreição da música (se não da letra) da teologia da libertação, conter a sangria? Pode ser que seja tarde para fazer direito o que já foi malfeito e que só uma transformação autêntica da Igreja dos pobres lhe permitirá estar em condições de competir. E, por último, tudo isso não é assunto ocioso para a Espanha.

Uma América Latina majoritariamente seito-protestante não veria com nenhum entusiasmo o Governo de Madri; porque esse protestantismo nasceu para declarar-se apolítico, o que equivale militar ao lado dos círculos mais fechados e antipapistas dos EUA, uma Ku Klux Klan das religiões. Se a Espanha não tiver a possibilidade de trabalhar de modo intenso e sustentável com a América Latina  — México, Argentina, Colômbia e Peru entre as nações mais significativas —, resta-lhe muito pouco para fazer em termos de política exterior: a que sobrar para Angela Merkel, e já se viu que não dava nem para um Guindos.

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