Viagem à América do Sul destaca a revolução social do papa Francisco, segundo o Le Monde

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15 Julho 2015

"Com sua habitual franqueza, o papa pleiteou para todos esses "semeadores da mudança" o acesso aos direitos sagrados dos "Três Ts" – teto, trabalho, terra– e uma distribuição diferente das riquezas. Com tons quase revolucionários, ele condenou "o esterco do diabo", "a ambição desenfreada do dinheiro que governa o sistema" e ainda "a economia que mata", escreve o editorial do jornal Le Monde, reproduzido pelo portal Uol, 15-07-2015.

Segundo o editorial é "saber se, assim como sobre outros assuntos, como a família e o meio ambiente, esse papa que incomoda será seguido por sua Igreja".

Eis o editorial.

O papa Francisco continua a surpreender e a incomodar. O primeiro pontífice argentino da História acaba de encerrar uma turnê de uma semana por três pequenos países sul-americanos - o Equador, a Bolívia e o Paraguai, que ele visitou entre os dias 5 e 12 de julho, e têm em comum o fato de serem três nações pobres, impregnadas de cultura católica e terem todos um componente ameríndio. Eles são emblemáticos dessa "pátria grande" cara ao ex-arcebispo de Buenos Aires, essa utopia carregada pelos heróis das independências do século XIX que tende a fazer das nações hispanófonas americanas um conjunto político dotado de um caráter próprio.

Nessas terras que sofreram ditaduras militares e onde a Igreja católica tem enfrentado a ascensão das igrejas protestantes, evangélicas ou pentecostais, Jorge Bergoglio passou, três semanas após sua encíclica sobre o meio ambiente, "Laudato si'", uma mensagem social e política. "Outro modelo de desenvolvimento é possível", ele afirmou, convidando sua igreja a adotar como sua a luta dos pobres e dos desamparados. "O grito de vocês incomoda", dirigiu-se a eles, em outubro de 2014, "provavelmente porque as pessoas têm medo da mudança que vocês reivindicam". Com sua habitual franqueza, o papa pleiteou para todos esses "semeadores da mudança" o acesso aos direitos sagrados dos "Três Ts" – teto, trabalho, terra – e uma distribuição diferente das riquezas. Com tons quase revolucionários, ele condenou "o esterco do diabo", "a ambição desenfreada do dinheiro que governa o sistema" e ainda "a economia que mata".

Embora o papa pregue a revolução social, ele não é de maneira alguma um adepto da teologia da libertação, que teve seus momentos de glória na América Latina e cujos desvios foram criticados por seus antecessores. "Nós aprendemos dolorosamente", ele declarou na Bolívia, diante do radical presidente Evo Morales, "que uma mudança de estruturas que não venha acompanhada de uma conversão sincera das atitudes e do coração cedo ou tarde acaba se burocratizando, se corrompendo e sucumbindo". E acrescentou, no Equador, diante de Rafael Correa, que se afirma tão revolucionário quanto católico, que "a imensa riqueza daquilo que é variado, daquilo que é múltiplo (...) nos afasta da tentação de propostas mais próximas das ditaduras, das ideologias, dos sectarismo". A "casa Terra" do papa deve se basear na diversidade.

Como bom pastor que é, Francisco visitou os detentos de uma prisão boliviana, crianças doentes de um hospital no Paraguai, privilegiando em todos os lugares os pobres que "têm muito a nos ensinar em termos de humanidade, bondade e sacrifício". Mas ele não poupou seus anfitriões de lições de boa governança. Ele advertiu Correa, que tem enfrentado protestos sobre diversas reformas, de que "as normas e as leis" devem "buscar espaços de diálogo, de encontro, e assim abandonar como uma dolorosa lembrança qualquer forma de repressão, o controle desmedido e a restrição de liberdade". E ele não hesitou em admoestar severamente Horacio Cartes, o presidente conservador do Paraguai, condenando em sua presença as desigualdades e as injustiças, a chantagem e a corrupção. Resta saber se, assim como sobre outros assuntos, como a família e o meio ambiente, esse papa que incomoda será seguido por sua Igreja.

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