Papa aborda questão-chave do Sínodo: para Deus, divorciados e gays não são impuros

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07 Julho 2015

"A realidade mais bonita, profunda e bela para a família está por vir." A convicção é do Papa Francisco, para quem "o melhor dos vinhos está por vir para cada pessoa que tem a coragem de amar". "E vem também – assegurou – mesmo que todas as variáveis e estatísticas digam o contrário."

A reportagem é de Salvatore Izzo, publicada no sítio Il Sismografo, 07-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Foi assim que o Papa Francisco comentou o o milagre das Bodas de Caná na homilia proferida no Parque de Los Samanos, diante de cerca de um milhão de pessoas.

"Está por vir o tempo em que degustamos o amor cotidiano, em que os nossos filhos redescobrem o espaço que compartilhamos, e os idosos estão presentes na alegria de cada dia."

Nesse contexto, o papa abordou a questão-chave do próximo Sínodo. "Onde abundou o pecado, superabundou a graça", disse ele, depois de pedir que os presentes rezassem pelo Sínodo de outubro próximo sobre a família, para que se encontrem "soluções concretas" para os problemas das famílias.

"Eu os convido – exortou os presentes – a intensificar a sua oração por essa intenção, para que mesmo aquilo que nos pareça impuro, como a água das vasilhas, nos escandalize ou nos assuste, Deus pode transformar em milagre."

O Papa Francisco indicou essa intenção de oração depois de afirmar que "na família de cada um de nós e na família comum que todos formamos, nada se descarta, nada é inútil".

"Pouco antes de começar o Ano Jubilar da Misericórdia, a Igreja – disse – celebrará o Sínodo Ordinário dedicado às famílias, para amadurecer um verdadeiro discernimento espiritual e encontrar soluções e ajudas concretas para as muitas dificuldades e importantes desafios que a família hoje deve enfrentar."

Como se sabe, o Sínodo é chamado a se pronunciar também sobre a readmissão dos divorciados em segunda união à Eucaristia e sobre a acolhida pastoral aos gays e aos casais de fato. Por isso, a referência ao "que nos parece impuro" deve ser aplicada justamente a esses temas, que já tinham dividido os Padres sinodais no ano passado, e que o papa decidiu repropor à assembleia ordinária de outubro próximo.

Francisco também falou sobre a importância de apoiar a família, tanto com ajudas estatais, quanto com uma pastoral adequada. "A família é o hospital mais próximo, a primeira escola das crianças, o grupo de referência imprescindível para os jovens, o melhor asilo para os idosos", afirmou, sublinhando que ela é "a grande riqueza social, que outras instituições não podem substituir, que deve ser ajudada e potencializada, para nunca perder o justo sentido dos serviços que a sociedade presta a seus cidadãos".

Para o papa, as ajudas que a sociedade presta às famílias "não são uma forma de esmola, mas uma verdadeira 'dívida social' em relação à instituição familiar, que é a base e que tanto contribui com o bem comum de todos."

"A família – recordou Bergoglio – forma uma pequena Igreja, chamamo-la de 'Igreja doméstica', que, junto com a vida, transmite a ternura e a misericórdia divina. Na família, a fé se mistura com o leite materno: experimentando o amor dos pais, sente-se mais perto o amor de Deus".

Justamente "o serviço – afirmou o papa – é o critério do verdadeiro amor", como "se aprende especialmente na família, onde nos fazemos servidores uns dos outros por amor".

Aqui, Francisco evocou com comoção a sua família, explicando que o amor da sua mãe pelos cinco filhos era totalmente igual. "Minha mãe – contou – dizíamos nós éramos como os dedos da sua mão."

"No seio da família – continuou – ninguém é descartado. Na família, aprende-se a pedir 'com licença' sem servilismo, a dizer 'obrigado' como expressão de uma sincera valorização das coisas que recebemos, a dominar a agressividade ou a voracidade, e ali se aprende também a pedir perdão quando fazemos algum dano, quando brigamos. Esses pequenos gestos de sincera cortesia ajudam a construir uma cultura da vida compartilhada e do respeito àquilo que nos rodeia."

"As Bodas de Caná – observou, retornando ao Evangelho – se repetem em cada geração, em cada família, em cada um de nós e em nossos esforços para fazer que o nosso coração consiga se assentar em amores duradouros, em amores fecundos, em amores alegres. E o vinho é sinal de alegria, de amor, de abundância. Quantos dos adolescentes e jovens percebem que, nas suas casas, há muito tempo, já não há esse vinho! Quantas mulheres sozinhas e entristecidas se perguntam quando o amor foi embora, quando o amor escorreu da sua vida! Quantos idosos se sentem deixados de fora da festa das suas famílias, escanteados e já sem beber do amor cotidiano dos seus filhos, dos seus netos, dos seus bisnetos."

De acordo com o papa, hoje, "a falta de vinho pode ser o efeito da falta de trabalho, das doenças, situações problemáticas que as nossas famílias em todo o mundo atravessam".

Mas, como Maria em Caná, para tudo, podemos nos voltar para Jesus, colocando "as nossas famílias nas mãos de Deus e alimentando a esperança que nos indica que as nossas preocupações também são preocupações de Deus. Rezar – concluiu – sempre nos tira do perímetro dos nossos desvelos, nos faz transcender aquilo que nos dói, aquilo que nos agita ou aquilo que nos falta e nos ajuda a nos colocarmos na pele dos outros".

Foi muito calorosa a acolhida reservada a Francisco em Guayaquil, "a Pérola do Pacífico" e a cidade mais populosa do país, com 3,7 milhões de habitantes (mais do que o dobro de Quito). Tão calorosa que, depois da missa no Parque de Los Samanes, celebrada diante de um milhão de fiéis, alguns invadiram a carreata, e o Fiat Idea em que o papa viajava teve dificuldade para continuar até o aeroporto.

No Equador, essa cidade é sinônimo de trabalho duro e de tenacidade, porque uma lenda narra que o nome deriva da união daquele heroico chefe indígena Guayas e da sua esposa Quil, que se tornaram símbolo da resistência indígena, porque, segundo a tradição popular, eles preferiram lutar até a morte, em vez de se submeterem aos conquistadores espanhóis.

Acima de tudo, porém, o nome de Guayaquil está vinculado ao projeto bolivariano da "Grande Colômbia" e é símbolo, por isso, da independência latino-americana.

Na sua chegada de avião, de Quito, na manhã dessa segunda-feira, o pontífice logo se dirigiu ao futurista Santuário da Divina Misericórdia, três tendas que sobem ao céu, justapostas uma sobre as outras, com um impressionante vitral do lado da entrada.

Erguido depois de 20 anos da visita de São João Paulo II – que da imagem de Jesus com a luz que sai do lado e da coroa da Ir. Faustina Kovalska foi o difusor no mundo –, ele recebeu nessa segunda-feira algumas centenas de fiéis idosos ou doentes, que puderam acompanhar no seu interior, através de um telão, a missa celebrada no Parque de Los Samanes.

Ao saudá-los, o papa voltou a dizer uma piada sobre o problema que está no seu coração, as tarifas usadas por algumas paróquias para as bênçãos e os sacramentos. "Agora, vou celebrar a missa e levo todos vocês no coração! Vou pedir por cada um de vocês. Vou dizer ao Senhor: 'Tu conheces o nome dos que estavam ali'. Vou pedir a Jesus para cada um de vocês muita misericórdia, que Ele os cubra com a sua misericórdia, que Ele os cuide. E que a Virgem esteja sempre ao lado de vocês. E agora, antes de ir embora – porque estou de passagem – para a missa – porque o senhor arcebispo me diz que o tempo corre – vou lhes dar a bênção. Mas... não, não vou lhes cobrar nada. Mas lhes peço, por favor, que rezem por mim. Me prometem?"

Obviamente os presentes responderam "sim", e Francisco, depois da bênção, lhes agradeceu "pelo testemunho cristão".

Um sorriso também foi a resposta do papa para aquele policial que, no aeroporto de Guayaquil, primeiro, estava posicionado série e atentamente na entrada e, depois da sua passagem, tirou do bolso um celular para fotografar Bergoglio, que subia no carro, recebendo uma imediata e forte repreensão por parte do superior que estava ao seu lado.

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