Francisco e a gênese do Cântico do Irmão Sol: um espaço em branco sem notas. Artigo de Felice Accrocca

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17 Junho 2015

Essa poesia que, ao longo dos séculos, deu paz e consolação a milhões e milhões de homens, portanto, nasceu em um momento de dor, eco de uma alma pacificada profundamente e, por isso, capaz de convidar todas as criaturas ao louvor a Deus.

A opinião é do historiador e padre Felice Accrocca, professor da Pontifícia Universidade Gregoriana e do Instituto Teológico de Assis. O artigo foi publicado no jornal L'Osservatore Romano, 16-06-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Para a esperada encíclica sobre o ambiente, o Papa Francisco se inspira no Cântico do Irmão Sol, ligando o documento, desse modo, ao santo do qual assumiu o nome. Para aqueles versos, Francisco de Assis também havia composto a música, que infelizmente se perdeu: no manuscrito assisiano de n. 338, no fólio 33R, havia sido deixado um espaço inicial, onde se deveria ter marcado as notações musicais que, infelizmente, permaneceu em branco.

Esse manuscrito também é o mais antigo testemunho documental do Cântico, porque a parte do códice em que ele foi transcrito remonta aos anos 40 do século XIII: uma relíquia, portanto, do mais alto valor.

A rubrica que introduz o seu texto diz: "Iniciam os Louvores das criaturas que o bem-aventurado Francisco compôs em louvor e honra a Deus quando estava enfermo em São Damião". Por isso, Francisco as redigiu enquanto estava doente.

Percorrendo os seus versos, somos quase induzidos a pensar em jardins cheios de flores e de grama verde, em fontes borbulhantes e em pássaros chilreando; aquelas Laudes, ao contrário, foram escritas em um momento particularmente difícil.

Com efeito, o detalhado testemunho dos companheiros do santo nos permite atestar que Francisco as compôs nos mais diferentes momentos, até mesmo separados no tempo.

Nos primeiros meses de 1225, ele parou em São Damião por mais de 50 dias, tomado por sofrimentos atrozes. Uma noite, ele não aguentou e invocou o socorro do Senhor, que, em espírito, lhe respondeu: "Irmão, contente-se e alegre-se de coração nas tuas enfermidades" (Compilatio Assisiensis 83); na manhã seguinte, ele começou a compor o Cântico do Irmão Sol.

Essa poesia que, ao longo dos séculos, deu paz e consolação a milhões e milhões de homens, portanto, nasceu em um momento de dor, eco de uma alma pacificada profundamente e, por isso, capaz de convidar todas as criaturas ao louvor a Deus.

O seu texto, assim, acabou se completando e se aperfeiçoando ao longo do tempo. De fato, enquanto Francisco ainda estava doente em São Damião, eclodiu uma rixa entre o bispo e a potestade de Assis: então, ele fez com que se acrescentasse ao Cântico a estrofe do perdão e enviou dois de seus companheiros para que o cantassem aos contendores, que, depois de ouvi-lo, se abraçaram (ibid., 84).

A composição finalmente foi completada no fim mesmo da vida de Francisco. Com plena consciência, ele sentiu "o momento". No seu leito, depois que o médico lhe revelou as suas reais condições de saúde, Francisco começou a louvar o Senhor: "Seja bem-vinda, irmã morte" (ibid., 100).

Do mesmo modo, um companheiro lhe falou com franqueza; também naquele momento não deixou de louvar ao Senhor, e fez chamar o Frei Leão e o Frei Ângelo para que lhe cantassem o Cântico do Irmão Sol e, antes da última estrofe, inseriu o louvor à Irmã Morte (ibid., 7).

Certamente, muitos aspectos da personalidade de Francisco de Assis muitas vezes foram exagerados; outros, tornados alheios aos seu contexto e privados da sua fonte de inspiração, se não inteiramente nascidos da fantasia.

Na realidade, a raiz de cada comportamento seu se encontra na relação que ele soube reconstruir com aquele Deus ao qual ele não havia prestado atenção durante boa parte da sua vida. Quando finalmente chegou a escolhas definitivas, com a decisão de sair do século, isto é, com o abandono dos valores perseguidos pelo mundo – e que até a idade de 24 anos também haviam sido os seus – para redescobrir a bondade e a paternidade de Deus, tudo adquiriu um significado diferente: os pobres lhe manifestaram o rosto de Cristo; os inimigos se tornaram pessoas a serem amadas; os animais, os seus irmãos menores; a criação se revelou aos seus olhos como a marca do Criador.

Então, ele se mostrou convencido de que ao louvor de Deus não eram chamados apenas homens, mas toda a criação. É a criação na sua inteireza que deve celebrar a glória do Criador: homens, animais, plantas, vento, água e fogo, astros celestes e toda outra criatura inanimada. É apenas nesse contexto que podemos compreender, na sua plena e verdadeira luz, o Cântico do Irmão Sol

Esse é o ponto forte do discurso de Francisco: a criação inteira é chamada a louvar o Senhor, mas, sobretudo, a isso é chamado o homem, que está colocado no seu ápice, porque tudo lhe foi dado para que dele se sirva e o restitua ao Criador.

Em outras palavras, volta o conceito de restituição: uma vez que Deus é o doador de todo o bem, todos os bens devem ser restituídos a Ele. A Ele deve ser atribuída a obra criada, para que toda ela o louve e fale d'Ele. Violentar a criação, portanto, significa fazer violência ao próprio Deus.

O verdadeiro drama é que as criaturas servem ao Senhor muito melhor do que o homem, porque, enquanto aquelas obedecem o Criador, estes tranquilamente viram-lhe as costas. Trata-se de conceitos que Francisco expressa de modo eficaz na quinta de suas Admoestações: "Considera, ó homem, em que grande excelência te pôs o Senhor Deus, porque te criou e formou à imagem de seu dileto Filho segundo o corpo e à sua semelhança segundo o espírito. E todas as criaturas que há sob o céu, a seu modo servem, conhecem e obedecem seu Criador melhor do que tu".

Portanto, não se pode compreender a disposição de Francisco em relação à criação e aos animais fora de um horizonte teocêntrico, isto é, prescindindo de Deus e da obediência que lhe é devida. O respeito ao ambiente passa pelo respeito e pelo obséquio para com o Criador: de fato, ele estava bem consciente de que Deus havia criado o universo como um jardim e queria que o homem, reconquistado pelo sangue de Cristo, voltasse a lhe obedecer, de modo a readquirir finalmente o edênico estado inicial.

A obediência, irmã da caridade, virtude pouco amada em todos os tempos, pede que o homem adapte os seus projetos aos de Deus; uma obediência devida "não só ao Pai que está nos céus, mas também ao projeto de vida que ele inscreveu na família inteira das suas criaturas".

Estamos, talvez, diante da "mensagem mais inesperada e não ouvida de toda a cultura religiosa do Ocidente cristão" (Carlo Paolazzi).

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