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17 Junho 2015

Com a encíclica sobre a "casa comum" do planeta, o papa fala ao mundo convencido de que pode influenciar o seu destino: é a partir dessa confiança extraordinária, quase ingênua, que a mensagem ganha força.

A reportagem é de Luigi Accattoli, publicada no jornal Corriere della Sera, 16-06-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nunca se tinha visto, em um líder cristão, tanta segurança no apelo a todos depois da encíclica Pacem in Terris, de João XXIII, que é de 1963. Depois de meio século, eis outro papa que se coloca como interlocutor e, de fato, porta-voz da família humana.

Como no caso do Papa Roncalli, a mensagem é dirigida a todos. Na época, o cabeçalho da encíclica, pela primeira vez, via entre os seus destinatários "todos os homens de boa vontade". Desta vez, Francisco declara: "Quero dirigir-me a cada homem que habita este planeta".

Até mesmo a dedicatória a Francisco de Assis – que está presente desde as palavras que dão o título à encíclica: "Laudato si', mi' Signore" – desenvolve-se em termos de universalidade: Bergoglio assinala que esse santo cristão "se sentia chamado a cuidar de tudo o que existe" e é "amado também por muitos que não são cristãos".

O papa se diz motivado pela "preocupação de unir toda a família humana" e de dar uma mão para vencer "a recusa dos poderosos" e o "desinteresse dos outros". Ele se faz porta-voz tanto do "grito da Terra", quanto do "grito dos pobres", e se sente em cada página que tal paixão indivisa vem do Sul do planeta.

Bergoglio está voltado a obter resultados. Uma vez, conversando com os jornalistas, ele se disse decepcionado com o "medo" mostrado pelos grandes da Terra sobre os temas do clima, da água, da fome. Na encíclica, é forte a denúncia da "fraqueza da reação política internacional" aos alertas sobre o destino do planeta.

Em outra ocasião, ele havia protestado contra a ideia de que se ocupar com o cosmos é coisa dos "verdes" e havia exclamado: "Não são os verdes, isso é cristão".

A encíclica defende com energia a tradição judaico-cristã da acusação de ter favorecido "a exploração selvagem da natureza" e recorda que, na Escritura, não há apenas o mandamento de "dominar a terra", mas também o de "guardá-la".

Não sabemos se o grito do Papa Francisco será ouvido. Mas o certo é que, hoje, ninguém mostra possuir uma vocação semelhante para apelar a uma nova "solidariedade universal".

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