A conferência climática de Bonn gerou confiança entre os negociadores

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17 Junho 2015

Três especialistas latino-americanos analisam o progresso na conferência do clima em Bonn e as suas implicações na região. Eles argumentam que houve uma maior segurança nas negociações, especialmente pelos países em desenvolvimento, e isso é um sinal de que o caminho de Paris está se fortalecendo.

A reportagem foi publicada pelo sítio Conexión COP e reproduzida por Envolverde, 15-06-2015.

Dez dias de intensas negociações na Conferência Climática de Bonn deixaram como resultado dois pontos específico: a confiança entre as partes foi fortalecida e os atores não estatais impulsionaram uma aceleração na transformação do texto.

Os dois êxitos contribuem para que o caminho rumo a Paris se fortaleça e seja possível conseguir um acordo durante a COP 21, que promove uma mudança mundial focada na sustentabilidade ambiental e na redução de Gases de Efeito Estufa (GEE).

Para conhecer mais detalhes da reunião em Bonn, o Conexão COP conversou com Mariana Panuncio, diretora latino-americana do Programa de Mudança Climática do World Wildlife Fund (WWF), Tanoa Guillén, do Centro Humboldt e da rede Climate Action Network Latino-Americana (CAN-LA), e Diego Arguedas Ortiz, jornalista da Costa Rica e tracker da Adopt a Negotiador.

Panuncio ressaltou três pontos que foram desenvolvidos em Bonn: os avanços em relação à Ação Pré-2020, as negociações sobre o programa REDD+ e a confiança criada no Grupo de Trabalho da Plataforma de Durban para uma Ação Reforçada (ADP), que permitiria alcançar um novo acordo mundial com relação à diminuição dos GEE.

“Durante a sessão Pré-2020 vários grupos de países deram um sinal político claro de que não podemos deixar a tarefa de redução de emissões para depois de 2020, quando o novo acordo global que está sendo negociado entrar em vigor. Precisamos de medidas contundentes agora, nos próximos cinco anos”, afirmou Panuncio.

Os acordos da Ação Pré-2020 são relevantes para a América Latina devido à vulnerabilidade da região à mudança climática. Por isso os avanços neste ponto são um sinal de que podem colaborar para que os governos e o setor privado latino-amreicanos priorizem a adoção de medidas estratégicas, como a eficiência energética e o investimento em energias renováveis nos próximos cinco anos.

A reunião também permitiu concluir formalmente as negociações sobre a redução das emissões provenientes das florestas. Durante a sessão sobre o programa REDD+ os países acordaram a forma de resolver as ultimas dúvidas técnicas, encerrando dez anos de discussões.

“O maior desafio está na implantação de ações que protejam as florestas. Esta agenda é altamente prioritária para a América Latina, uma região com florestas de importância local e mundial cujas maiores emissões em nível regional têm origem histórica na queima de florestas”, destacou Panuncio.

Países em desenvolvimento são ouvidos

Para Guillén, as negociações em Bonn seguiram a dinâmica de trabalho iniciada em Genebra, embora de maneira mais lenta. “Em Bonn se conseguiu reduzir uma pequena porcentagem das 86 páginas do texto de Genebra, e foi identificado que existe maior confiança em dar o mandato aos facilitadores da ADP para que possam colher propostas dos países e resumi-las. Isso era impensável há alguns meses, porque havia comentários sobre a pouca consideração com as propostas dos países em desenvolvimento”, pontuou.

Ortiz afirmou que as negociações em Bonn confirmaram que o processo é lento mas seguro, e que os facilitadores da ADP priorizaram a criação de um ambiente de confiança sobre uma redução rápida.

“O TckTckTck.org informou que nos corredores de Bonn ouvia-se um refrão africano: ‘se quer ir rápido, vá sozinho; se quer ir longe, vá em grupo’, mas não devemos assumir o processo com muita calma e as reuniões finais de agosto e meados de outubro serão cruciais para se chegar a Paris bem preparados”, apontou a organização.

Como conseguir o acordo mundial em Paris?

Panuncio afirmou que é preciso chegar a um acordo global que reconheça a necessidade urgente de enfrentar a mudança climática, integrando a sustentabilidade ambiental na concepção de desenvolvimento com princípios de igualdade e cooperação. Para conseguir o desafio destaca três pontos a serem considerados:

1. todos os países devem contribuir para reduzir seus GEE de maneira justa, com um claro sinal de que é preciso deixar para trás os combustíveis fósseis e basear o desenvolvimento em energia renovável,

2. deve-se reconhecer a importância da adaptação e considerar que haverá perdas e danos em grande escala que não poderão ser evitados,

3. Todos os países desenvolvidos, e aqueles que estão em posição de contribuir, devem proporcionar financiamento e tecnologia aos que deles necessitam, ainda que sejam “os que menos contribuem para solucionar o problema.

Guillén também disse que a sociedade está preocupada com o nível de ambição que o acordo mundial terá e que a presidência entrante da COP 21, que é da França, não quer que Paris seja um fracasso. Por isso, “espero que o acordo seja adotado por todas as partes da Convenção, embora para isso o nível de ambição possa ser comprometido”, acrescentou.

“Poderíamos estar diante de um acordo universal, mas não suficientemente ambicioso a ponto de enfrentar a crise climática que já afeta vários países da região latino-americana e caribenha”, enfatizou Guillén.

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