Por legalizar o casamento gay, a Irlanda é pior do que os pagãos, diz cardeal

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02 Junho 2015

A Irlanda foi mais longe que o paganismo e “desafiou a Deus” ao legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, disse um dos cardeais mais antigos da Igreja.

A reportagem é de Katherine Backler e Liz Dodd, publicada por The Tablet, 28-05-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O Cardeal Raymond Burke, recentemente removido de um cargo importante no Vaticano para ser o patrono da Ordem dos Cavaleiros de Malta, contou à Newman Society – associação católica da Universidade de Oxford – que lutou para entender o fato de um país redefinir o casamento.

Visivelmente emocionado, ele falou: “Quero dizer, isso é um desafio contra Deus. É incrível. Os pagãos podem ter tolerado o comportamento homossexual, mas jamais se atreveram a dizer que se tratava de um casamento”.

Um total de 1,2 milhão de pessoas votou a favor de alterar a Constituição da Irlanda para permitir que pessoas do mesmo sexo se casem, com 734.300 votos contrários à proposta, fazendo deste país o primeiro a introduzir o casamento homoafetivo por votação popular.

O arcebispo de Dublin, Dom Diarmuid Martin, contou a uma rede de televisão irlandesa que “a Igreja precisa fazer uma revisão da realidade e se perguntar se nós não nos afastamos completamente dos jovens”.

Burke, falando sobre a herança intelectual do Papa Bento XVI, chegou a dizer que aconteceram alguns “abusos litúrgicos” após o Concílio Vaticano II. Em seguida, disse que existiu uma “defesa radical, até mesmo violenta, para a reforma litúrgica”. Citando o Papa Bento, falou que o desejo entre alguns dos fiéis pela antiga forma de liturgia surgiu porque o novo missal foi “na realidade entendido como autorizando, ou mesmo exigindo, a criatividade, que frequentemente levava a deformações da liturgia as quais foram difíceis de suportar”.

Nessa terça-feira (26), Burke presidiu uma missa na igreja Oxford Oratory, e na quarta-feira presidiu as Vésperas e Bênçãos para as intenções da Ordem de Malta.

Em seguida, falando durante uma palestra o cardeal ressaltou a continuidade entre as formas litúrgicas antes e depois do Concílio. “A vida da Igreja é orgânica; é uma tradição viva transmitida desde os apóstolos, sem interrupções”, disse. “Ela não admite uma descontinuidade, revoluções”.

Parafraseando Bento XVI, Burke falou que, depois do Concílio Vaticano II, tem havido uma batalha entre uma hermenêutica da descontinuidade e ruptura, e a hermenêutica da reforma. Isso se deu porque a natureza e a autoridade do Concílio foram “basicamente compreendidas equivocamente”. Deixando de lado o script, o cardeal expressou uma inquietação para com certas incompreensões semelhantes em torno do próximo Sínodo dos Bispos. “Parece haver um certo elemento que pensa que o Sínodo tem a capacidade de criar algum ensinamento totalmente novo na Igreja, o que simplesmente é falso”. E continuou para falar do dano causado por um “antinomianismo, algo inerente na hermenêutica da descontinuidade”.

Ainda que a conversa consistisse principalmente em uma visão geral sobre as mais importantes contribuições intelectuais do Papa Bento XVI, o Cardeal Burke adotou um tom mais pessoal em suas respostas às perguntas levantadas ao final do evento. Ao responder a uma questão sobre a marginalização da fé na esfera pública, ele enfatizou a importância primária de se fortificar a família em sua compreensão de como a fé “ilumina a vida diária”. A “cultura está permeada pela corrupção, se é que posso dizer assim, e as crianças estão expostas a isso, especialmente através da internet”. 

O religioso contou à plateia que tem dito a seus sobrinhos e sobrinhas para manterem os seus computadores em ambientes comuns da casa de forma que os seus filhos não acabem “absorvendo este veneno que está aí fora”.

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