Por que o Papa sempre dirá “não” ao “casamento gay”

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Por: André | 01 Junho 2015

O voto irlandês em que triunfou a maioria do “sim” a favor do casamento homossexual interroga a Igreja. O cardeal Pietro Parolin, “primeiro ministro” do Papa Francisco, definiu o resultado do referendo irlandês sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo como uma “derrota para a humanidade”. O arcebispo de Dublin, Diarmuid Martin, em entrevista ao La Stampa, comentou no calor das eleições o resultado da votação falando de uma “revolução cultural” e explicando que “a Igreja deve se perguntar quando começou esta revolução cultural e porque alguns em seu interior se recusaram a ver esta mudança”.

A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada por Vatican Insider, 28-05-2015. A tradução é de André Langer.

O presidente da Conferência Episcopal da Itália, o cardeal Angelo Bagnasco, por sua vez, em uma entrevista ao jornal italiano La Repubblica, falou sobre a necessidade de um diálogo “sereno, sem ideologias” sobre estes temas e acrescentou que o resultado da votação irlandesa “faz interrogações sobre a nossa capacidade de transmitir às novas gerações os valores nos quais acreditamos, capazes de um diálogo que tenha em conta a situação concreta das pessoas”. Tons e ênfases que apresentam vários matizes e que se somam às interpretações sobre o pensamento do Papa Francisco em relação a estes temas. Qual é a posição do Papa, que disse ‘se uma pessoa é gay e busca o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”, em relação às legislações que introduzem os casamentos entre pessoas do mesmo sexo?

As leituras ideológicas, em ambos os lados, se esquecem de que uma coisa é a acolhida das pessoas homossexuais manifestada pelo Papa Francisco e em linha com o que se afirma no Catecismo da Igreja Católica, e outra é a aprovação dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Quando era cardeal de Buenos Aires, em 2010, Jorge Mario Bergoglio pronunciou-se sobre o assunto, evitando declarações públicas, com duas cartas. Na primeira, enviada às monjas de clausura de quatros conventos, afirmou que a questão não era “uma simples luta política”, mas que os casamentos entre pessoas do mesmo sexo representavam “uma pretensão destrutiva do plano de Deus”. Na segunda, enviada ao presidente do conselho dos leigos da diocese, animava os leigos a lutar pelos valores cristãos. Esta última foi publicada com a aprovação de seu ator, mas a segunda vazou à imprensa e provocou várias polêmicas. Como Papa, com uma referência à teoria do gênero que se pode aplicar às legislações que comparam o casamento entre homem e mulher com as uniões entre pessoas do mesmo sexo, falou em mais de uma ocasião em “colonizações ideológicas”. É, portanto, difícil, apresentar Francisco como patrocinador dos casamentos homossexuais, opondo-o, talvez, às hierarquias eclesiásticas.

O que é evidente é que o Papa (por exemplo, com a catequese das audiências das quartas-feiras dedicadas ao tema da família) quer apresentar de maneira positiva a beleza da família baseada no matrimônio entre um homem e uma mulher, e a necessidade de apoiá-la e protegê-la. Aposta em evangelizar com exemplos que atraem, em vez de se limitar a repetir condenações, como quiseram alguns círculos católicos que se sentem vivos apenas quando têm um inimigo a ser combatido. Claro, “a revolução cultural” do referendo irlandês expõe as dificuldades que a Igreja tem na transmissão de seu ensinamento inclusive nos países que tempos atrás eram “muito católicos”. Mas a resposta à secularização dificilmente poderá passar pelas batalhas e oposições estéreis.

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