Gênero: cuidado com os rótulos

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18 Maio 2015

Uma coisa são os estudos de gênero, que se ocupam disso e que abrangem uma vasta área de reflexões sociológicas, psicológicas e filosóficas; outra é a ideologia de gênero, que é o resultado das teorias mais radicais e extremas que anulam todas as diferenças e as realidades do masculino e do feminino. Não as confundamos!

A opinião é do teólogo leigo italiano Christian Albini, coordenador do Centro de Espiritualidade da diocese de Crema, na Itália, e sócio-fundador da Associação Viandanti.

O artigo foi publicado no seu blog Sperare per Tutti, 15-05-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O tema do gender continua recebendo espaço na mídia católica. Muitas vezes com tons exagerados. Uma reflexão moderada e inteligente foi escrita pelo teólogo Marco Ronconi no número 5 da revista Jesus.

Ronconi recorda que, na Igreja Católica, ainda em outras vezes, houve "rótulos" que foram usados impropriamente, demonizando ideias e experiências que não o mereciam. É a tentação de criar um inimigo que, depois, perde o controle.

Por exemplo, no tempo das polêmicas contra o modernismo, havia quem incluísse (rejeitando-as como heréticas) a crítica histórica da Bíblia e a liberdade religiosa, depois aceitas pelo magistério posterior. Da mesma forma, no tempo do discernimento sobre a teologia da libertação, o compromisso de muitos pastores e estudiosos em favor dos pobres foi visto com desconfiança, sem distinguir entre eles e os poucos que efetivamente "se desviaram" no marxismo. Basta pensar no ostracismo sofrido, mesmo depois do martírio, pelo próximo bem-aventurado Óscar Romero. Hoje, Gustavo Gutiérrez toma a palavra no Vaticano, mas isso não era tão óbvio há pouco tempo.

Atenção, adverte Ronconi, para não repetir o mesmo erro com o gender. De acordo com certos discursos, em nome da luta contra a ideologia do gênero, corre-se o risco de rejeitar e condenar em bloco toda reflexão sobre como transmitimos a imagem do masculino e do feminino. Perpetuando, assim, velhas e novas desigualdades.

O Papa Francisco, na audiência do dia 15 de abril de 2015, não por acaso, convidava os intelectuais a aprofundar esses temas e avisava:

"Não há dúvida de que devemos fazer muito mais em favor da mulher, se quisermos dar mais força para a reciprocidade entre homens e mulheres. De fato, é necessário que a mulher não só seja mais ouvida, mas também que sua voz tenha um peso real, uma autoridade reconhecida, na sociedade e na Igreja.

Para fazer isso, é preciso distinguir entre o que pertence à realidade do masculino e do feminino, na sua riqueza e na sua diferença, e o que, ao contrário, pertence a imagens construídas pela sociedade e que, talvez, acabam justificando formas de marginalização.

Em outras palavras, trata-se de "discutir em que medida a biologia e a cultura contribuem para a formação da nossa identidade" (Ronconi).

Uma coisa são os estudos de gênero, que se ocupam disso e que abrangem uma vasta área de reflexões sociológicas, psicológicas e filosóficas; outra é a ideologia de gênero, que é o resultado das teorias mais radicais e extremas que anulam todas as diferenças e as realidades do masculino e do feminino. Não as confundamos!

Como escreve Ronconi ainda:

Os "estudos de gênero", que não por acaso são conjugados no plural, porque são tudo, exceto um conjunto unificado, podem nos ajudar (já estavam fazendo isso) a entender melhor o Evangelho e a Encarnação. Certamente, assim como a crítica histórica e as outras ciências humanas, eles não são imunes ao discernimento evangélico.

Uma contribuição interessante virá de um iminente livro de Aristide Fumagalli, professor da Faculdade Teológica de Milão: La questione gender. Una sfida antropologica [A questão gender. Um desafio antropológico] (Ed. Queriniana). Das prévias que eu li, ele vai contribuir para esclarecer muitos mal-entendidos, como aqueles de quem condena toda reflexão sobre o gênero, sem distingui-la das teses realmente ideológicas.

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