Primeira revolta no Syriza: “Não vencemos as eleições para aplicar outro memorando”

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Por: Jonas | 24 Fevereiro 2015

Cada vez parece mais evidente que Tsipras não poderá levar adiante quase nenhuma de suas promessas eleitorais. Ainda que o Governo grego não tenha a menor intenção de apresentar novos ajustes, a Troika pode muito bem impor renovadas doses de austeridade para dar a sua aprovação ao programa.

A reportagem é de Antonio Maqueda, publicada por Voz Pópuli, 22-02-2015. A tradução é do Cepat.

O ministro de Finanças alemão foi inequívoco a esse respeito: “Os gregos certamente terão dificuldades para explicar o acordo para seus eleitores”, disse Wolfgang Schäuble na coletiva de imprensa posterior a reunião do Eurogrupo, na sexta-feira, que terminou com uma prorrogação da ajuda a Atenas sempre e quando cumprir com as reformas.

De pouco importava que um Alexis Tsipras, irredutível ao desalento, declarasse que se havia vencido uma batalha, mas não a guerra. As queixas demoraram muito pouco a aparecer, inclusive dentro do próprio Syriza. “Não vencemos as eleições para voltar a aplicar outro Memorando de resgate”, afirmaram, um após outro, destacados membros do partido do Governo. Entre eles o ministro da Indústria, Panayotis Lafazanis, líder da ala mais esquerdista do partido e um eurodeputado de 92 anos, Manolis Glezos, que foi herói de guerra durante a Segunda Guerra Mundial e que é referência moral da esquerda na Grécia.

Como consequência, a oposição se agarrou a estas afirmações para poder dizer que o Syriza está fazendo exatamente o mesmo que se fazia antes. Apesar do amplo respaldo gozado por Tsipras, as críticas ao Governo estão aumentando. Cada vez se torna mais evidente que o Executivo não poderá levar adiante quase nenhuma de suas promessas. “Ainda que as pesquisas mostrem um apoio ainda muito robusto, a situação de Tsipras se encontra muito prejudicada. O que disse agora soa muito menos revolucionário, não só menos em relação ao que disse antes das eleições, mas também menos revolucionário do que disse há poucos dias. Inclusive, conseguiu um pouco mais que os anteriores, cometeu o erro de oferecer o máximo aos cidadãos até quase o último momento. Não administrou isso bem e poderá pagar a conta”, explica o jornalista grego Yannis Symeonides.

O cenário que se abre agora parece muito complicado. E não somente pelas dificuldades que Tsipras poderá enfrentar na hora de aprovar o novo resgate no Parlamento, momento em que receberá pressões tanto da esquerda mais ativista como de seus sócios de direita. Será crucial verificar se a Troika aceitará o plano da forma como é apresentado pelo ministro de Finanças, Yanis Varoufakis ou se estas instituições, finalmente, forçarão o Governo grego a introduzir novas medidas de austeridade. No caso da proposta não ser aceita pela Troika, será convocada uma nova reunião do Eurogrupo, para quarta-feira, na qual se tentará fechar um novo acordo. E se outra vez não se chegar a um pacto, o programa de ajuda expirará e a Grécia ficará próxima do calote.

No entanto, ninguém quer que isto aconteça. De maneira tal que a pergunta obrigatória consiste em quantas medidas de austeridade o Governo grego, finalmente, precisará aceitar. Neste sentido, uma boa medida do quanto Tsipras conseguiu estará em saber se as pensões serão ajustadas ou se subirá o IVA, duas linhas vermelhas do Syriza.

Não em vão, uma das principais críticas esboçadas em Atenas está baseada no fato do Executivo não ter conseguido uma cifra concreta de relaxamento do esforço orçamentário. O documento aprovado apenas menciona que a economia não começou o ano tão bem como se esperava e que isso será levado em conta no momento de fixar o objetivo de superávit antes do pagamento de juros. O Syriza esperava obter 1,5% de superávit primário ao invés de 3%. Para avaliar, esse um ponto e meio equivale a um ajuste de 15 bilhões de euros, caso estivéssemos falando da Espanha. Trata-se, portanto, de uma quantidade muito substancial e pode implicar em decisões sobre as pensões e o IVA, dependendo do que for decidido a esse respeito.

Segundo se especulava na Grécia, o documento que Varoufakis apresentará para Troika possui três páginas e é um pouco vago, não chega a números e se centra, sobretudo, nos compromissos de reformas estruturais. Entre estas últimas, espera-se um pacote de reformas do setor público e medidas contundentes contra a evasão fiscal e o tráfico ilegal de petróleo e cigarros.

Por outro lado, o documento não inclui a iniciativa de facilitar o pagamento das dívidas com o setor público, apesar de o Governo grego ter toda a intenção de levá-la à prática. A ideia se resume na possibilidade de se perdoar até a metade as dívidas de um cidadão com o Estado, sempre e quando sejam abonadas. Desta forma, o pagamento será fomentado e, portanto, a medida terá um impacto neutro sobre os ingressos fiscais. Ao menos é o que sustentam membros do Executivo do Syriza. O que não significa que seja do agrado da Troika.

Em definitivo, a imprecisão do documento, a ausência de números e a sensação de que o Syriza não está realmente comprometido com as reformas podem colocar em perigo algumas negociações, já em si bastante nebulosas. Logicamente, Berlim não tem intenção alguma de que seja vista como branda com a Grécia, porque isso poderia fazer com que qualquer outro país viesse reivindicar tratamento idêntico. Independente disto, as relações entre gregos e alemães se complicaram muito, e isso é um sério problema. De fato, em Atenas já circulam rumores de que o embaixador alemão pediu a cabeça de Varoufakis.

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