Quem é dom Cereti, o padre que torce pelos sacerdotes casados?

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24 Fevereiro 2015

A batalha de Giovanni Cereti é uma velha batalha: a seu ver, os padres deveriam ter todo o direito de construir sua família. É natural que tenha sido precisamente ele, portanto, no passado dia 10 de fevereiro, a solicitar ao Papa – encontrado durante a costumeira Missa matinal em Santa Marta – que faça algo pelos sacerdotes de rito latino impossibilitados de desposar-se.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no blog Formiche, 22-02-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

A resposta do papa

A resposta, revelada pelo próprio Pontífice durante o encontro com o clero romano recebido quinta-feira passada na Aula Paulo VI no Vaticano, foi interlocutória: “O tema está presente na minha agenda, trata-se de um problema de não simples solução que a Igreja tem a peito”. Imediatamente alguns meios de comunicação deram realce à notícia, apresentando-a como uma abertura do Papa aos padres casados, apesar de seu falso alinhamento com quanto acontece na Igreja de rito oriental. Na realidade, o então cardeal Bergoglio já havia dado uma resposta semelhante no livro “Il cielo e la terra” [O céu e a terra] (Mondadori), onde se dissera favorável à manutenção do celibato “com todos os prós e contras que comporta, porque são dez séculos de experiências positivas mais do que de erros. A tradição tem um peso e uma validade”. De qualquer modo, acrescentava o então arcebispo de Buenos Aires, “é uma questão de disciplina, e não de fé”.

"Continuarei a bater-me pela ordenação dos leigos casados"

“Aqui não se trata de um problema de uniformizar-se aos cristãos ortodoxos e às igrejas orientais, onde os padres casados podem celebrar a missa e consagrar a eucaristia”, diz padre Cereti ao Corriere della Sera. A questão é outra: “Também o valor do celibato, com a existência de tantos célibes por egoísmo, seria talvez revisto a favor do matrimônio como testemunho de fé”. “Eu”, acrescentou o reitor da confraria de São João Batista dos Genoveses, “estou confiante, porque sinto que o Papa quer realizar aquela reforma da Igreja decidida pelo Concílio Vaticano II e até agora aplicada apenas parcialmente. Por isso continuarei a bater-me também pela ordenação ao presbiterado (e não só ao diaconato) dos leigos casados e pela absolvição dos divorciados redesposados”. È possível, questionou, “que o Papa vá ao Parlamento a solicitar a anistia e o indulto para os detentos, embora ainda hoje a Igreja não seja capaz de dar um indulto, de dar a indulgência aos seus padres casados, permitindo-lhes retomarem o ministério? Ele, o Papa, explicou que “tantos voltariam, aos milhares”.

O apoio do cardeal Kasper

O nome de Cereti ressoara também na Aula nova do Sínodo, há um ano, durante o consistório sobre a família que serviu de abertura ao subsequente Sínodo. Foi o cardeal Walter Kasper a citá-lo: “Não pode existir nenhuma dúvida sobre o fato que na Igreja dos primórdios, em muitas igrejas locais, por direito consuetudinário havia, após um tempo de arrependimento, a prática da tolerância pastoral, da clemência e da indulgência”. E em apoio da tese trazia precisamente “Divórcios, novas núpcias e penitência na Igreja primitiva”, texto de Cereti publicado por primeira vez em 1977 e republicado em 2013.

Teses insustentáveis para o cardeal Brandmueller

Mas, foi outro cardeal, também ele alemão, quem desmontou, com um artigo em Avvenire, a sustentabilidade das argumentações do sacerdote italiano. Assim, de fato, escrevia Walter Brandmüller: “A tese de fundo de Cereti é insustentável. Embora alguns Padres tenham manifestado certa tolerância em referência a situações singulares difíceis, nem no Ocidente, nem no Oriente se pode, no entanto, falar de um regular reconhecimento das segundas núpcias aos o divórcio e de uma admissão à Eucaristia dos divorciados redesposados. Não obstante os Ortodoxos reconheçam hoje um segundo e um terceiro matrimônio de penitência, se deve ter presente que na Igreja primitiva a possibilidade de aceder a novas núpcias se verificava unicamente para os viúvos e não no caso do matrimônio após um divórcio”.

"O celibato é prescrito pelos evangelhos"

E foi sempre o cardeal Brandmüller, historiador de nível e já presidente do Pontifício comitê de Ciências históricas, que se enfileirou (com um longo artigo publicado em il Foglio), em defesa da validade das normas que prescrevem o celibato sacerdotal: “deve ser sublinhado acima de tudo que o celibato não remonta por nada a uma lei inventada novecentos anos após a morte de Cristo. São antes os Evangelhos segundo Mateus, Marcos e Lucas que referem as palavras de Jesus a respeito”. Concluindo, o purpurado notava que “é preciso dar-se conta que o celibato, assim como a virgindade em nome do Reino dos Céus, permanecerão, para quem tem uma concepção secularizada da vida, sempre algo de irritante”.

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