Lutero deve ser a inspiração das reformas da Igreja, defende cardeal Marx

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12 Janeiro 2015

Os católicos também fariam bem em se preparar para o 500º aniversário da reforma de Martinho Lutero, programada para 2017.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 08-01-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, presidente da Conferência Episcopal Alemã e coordenador do conselho para a economia instituída pelo papa para tornar transparentes as finanças vaticanas, não tem dúvidas: Lutero deve servir de inspirador para as grandes reformas – espirituais e de governo – que esperam pela Igreja nos próximos anos. Uma espécie de bússola que oriente a Igreja, em suma. Afinal, o monge agostiniano "não tinha o objetivo de dividir a Igreja" e, de fato, pode-se dizer – como fez o cardeal Kurt Koch nos últimos meses – que, "apesar de a data de 1517 ter sido usada e percebida como anticatólica, Lutero, naquele tempo, ainda podia se considerar um católico".

O seu objetivo, explicou Marx em um comentário escrito de próprio punho para o jornal cultural Politik & Kultur, era só o de "chamar a atenção para aquilo que obscurecia a mensagem do Evangelho".

Sem medo, portanto, para retomar nas mãos as suas teses e teorias, incluindo aquelas afixadas na porta da igreja de Wittenberg, desencadeando a ira funesta do Papa Leão X Médici, que, de Roma, a nova "meretriz da Babilônia", o intimava a despregar aquelas 95 frases e a se calar.

O tempo passa, e "depois de 50 anos de diálogo ecumênico conjunto é possível, para um cristão católico, ler os escritos de Lutero apreciando-os", acrescentou o purpurado, cuja opinião é de que é oportuno também que o católico "aprenda com os pensamentos" do monge de Eisleben.

O ano de 2017, para Marx, será o ano da virada, a oportunidade para colocar Cristo ainda mais no centro das atenções, estimulando "uma cooperação cada vez mais estreita entre as confissões cristãs" para enfrentar a "secularização da sociedade".

O fim é nobre: "A minha esperança é que a comemoração da Reforma represente um passo à frente rumo à plena e visível unidade da Igreja".

O cardeal suíço Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, participando, em outubro passado, da Conferência da Federação Luterana Mundial, havia antecipado o posicionamento de Marx, embora tivesse ressaltado, em tal circunstância, que a contribuição teológica fundamental de Lutero foi a sua "pergunta sobre Deus".

Koch tinha recordado as palavras pronunciadas por Bento XVI no discurso proferido em Erfurt diante do conselho da Igreja Evangélica da Alemanha: "Qual é a posição de Deus em relação a mim, como eu me encontro diante de Deus? Essa ardente pergunta de Lutero ", disse Joseph Ratzinger, "deve se tornar de novo, e certamente de forma nova, a nossa pergunta, não acadêmica, mas de concreta".

O cardeal Koch, referindo-se à Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação da Fé, assinada em 1999, desejava que a esse texto "um dia pudesse se seguir mais uma declaração conjunta sobre Igreja, eucaristia e ministério".

No entanto, ao contrário do otimista Marx, que sugere que os católicos mergulhem desde já nas reflexões de Lutero, o sucessor de Walter Kasper no dicastério para o ecumenismo observava que este é, sim, "o horizonte do nosso diálogo", mas, "eu me dou conta disso, de longo prazo".

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