Cardeal Raymond Burke: A Igreja “feminizada” e coroinhas mulheres causaram escassez sacerdotal

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12 Janeiro 2015

O Cardeal Raymond Burke, destacado religioso americano vivendo em Roma e um dos mais fortes críticos das reformas encabeçadas pelo Papa Francisco, está dando o que falar novamente, desta vez argumentando que a Igreja Católica se tornou demais “feminizada”.

A reportagem é de David Gibson, publicada pelo Religion News Service, 07-01-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Burke, que recentemente foi removido do mais alto tribunal vaticano para ser colocado num cargo filantrópico cerimonial, apontou para a introdução de coroinhas moças como o motivo por que menos homens queiram ser padres.

“Os meninos não querem fazer as coisas com as meninas. É natural”, disse Burke em entrevista publicada segunda-feira (05-01-2014). “Creio que isto contribuiu para a perda de vocações sacerdotais”.

“Exige-se uma certa disciplina masculina para se trabalhar como coroinha numa celebração ao lado de um padre, e a maioria dos padres tem suas primeiras experiências profundas da liturgia como coroinhas”, disse o ex-arcebispo da Arquidiocese de St. Louis a Matthew James Christoff, que chefia um ministério católico masculino chamado “the New Emangelization Project” [mistura da palavra “evangelization” com “man”].

“Se não estamos treinando os meninos como coroinhas, dando-lhes uma experiência de servir a Deus na liturgia, então não deve nos surpreender que as vocações tenham caído drasticamente”.

A Igreja Católica derrubou a proibição que impedia as meninas de auxiliarem os padres durante a missa em 1983, e hoje é mais comum ver meninas do que meninos no altar. Apenas uma diocese estadunidense, em Lincoln, Nebraska, ainda proíbe coroinhas meninas, embora uma série de paróquias individuais tenha lhes barrado também na esperança de incentivar mais meninos e homens a considerar o sacerdócio.

Na entrevista, Burke culpou o clero gay pela crise de abusos sexuais na Igreja, dizendo que os padres “feminizados e que estavam confusos sobre sua própria identidade sexual” foram os que molestaram as crianças.

Os pesquisadores contestaram esta afirmação, e especialistas observam que o aumento no número de gays entrando no sacerdócio desde a década de 1980 coincidiu com uma forte queda nos casos de abuso.

Burke, 66, falou a Christoff em dezembro durante uma visita a La Crosse, Wisconsin, onde Burke atuou como bispo na década de 1990 antes de ser nomeado arcebispo de St. Louis. Em 2008, o Papa Emérito Bento XVI chamou Burke para o Vaticano para chefiar o mais alto tribunal eclesiástico e o fez cardeal, posição prestigiada que emprestou peso às suas críticas – cada vez mais fortes e diretas – à agenda do Papa Francisco.

Francisco efetivamente destituiu Burke em novembro, tirando-o de sua função na Cúria Romana e pondo-o num posto amplamente cerimonial de patrono da Ordem de Malta, organização católica caritativa sediada em Roma.

Observadores do Vaticano suspeitaram que a mudança iria dar ainda mais liberdade a Burke no sentido de poder falar mais abertamente, e nesta última entrevista o cardeal voltou a falar dos temas que ele considera candentes: as mudanças liberalizantes tanto na sociedade quanto na Igreja, em especial o “feminismo radical”, vêm minando seriamente a religião católica desde a década de 1970.

Burke disse se lembrar dos “jovens que me diziam temerem, de certa forma, o casamento por causa das atitudes radicalizantes e autocentradas das mulheres, atitudes que estavam surgindo naquela época. Estes jovens eram homens preocupados de que entrar num casamento simplesmente não funcionaria por causa de uma demanda constante e insistente dos direitos das mulheres”.

Disse que “o movimento feminista radical fortemente influenciou a Igreja” também.

O foco nas questões femininas, falou, somado a um “colapso completo” no ensinar a fé e uma “experimentação litúrgica galopante”, levou a Igreja a se tornar “muito feminizada”.

“Além do padre, o santuário se tornou repleto de mulheres”, acrescentou. “As atividades na paróquia e mesmo a liturgia foram influenciadas pelas mulheres e se tornaram tão femininas em muitos lugares que os homens não querem se envolver”.

Burke, tradicionalista litúrgico e conservador doutrinal, também disse que “os homens precisam se vestir e agir como homens de forma que sejam respeitados pelas mulheres e as crianças”.

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