Gestos e abraços: a diplomacia do Papa Francisco

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02 Dezembro 2014

É quando Francisco, de repente, se inclina profundamente diante de Bartolomeu I, até tocar a barba branca com o solidéu, que se entende como a força dos gestos talvez possa obter sucesso nas questões que os teólogos do Oriente e do Ocidente se envolveram por quase mil anos, desde o cisma de 1054.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 30-11-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O papa murmura: "Peço-te que abençoe a mim e a Igreja de Roma", e o patriarca ortodoxo de Constantinopla pousa a mão sobre a cabeça de Bergoglio e lhe beija a cabeça. O sucessor de Pedro e o sucessor do irmão André, "primeiro entre pares" das Igrejas ortodoxas, recém-concluíram a "oração ecumênica" na igreja do Patriarcado.

São os gestos, antes das palavras, que marcam o segundo dia do papa na Turquia. De manhã, ele sobrevoou o Bósforo e aterrissou em Istambul, passou da Ásia para a Europa e retomou imediatamente o fio daquele "diálogo inter-religioso e intercultural" com o Islã invocado em Ancara, para "banir toda forma de fundamentalismo e de terrorismo".

Francisco pedia "coragem e criatividade". Assim, em primeiro lugar, foi à "Mesquita Azul" "Mesquita Azul" – uma antecipação no programa, para respeitar a hora da oração muçulmana –, tirou os sapatos, elevou o olhar admirado para a maravilha arquitetônica e, por fim, deteve-se diante do mihrab que indica a direção de Meca e traz um versículo do Alcorão sobre Maria: descalço, com a cabeça inclinada, os olhos fechados, as mãos entrelaçadas sob a Cruz pastoral, o pontífice permanece recolhido por três longuíssimos minutos, como já fizera Bento XVI em 2006, ao lado do Grão-Mufti que rezava com as mãos erguidas.

Não é uma oração comum, naturalmente. Além disso, o padre Federico Lombardi, porta-voz vaticano, evitou falar de "oração" do papa – o gesto de Ratzinger foi seguido por discussões e polêmicas – e a definiu, para evitar "incompreensões", como "adoração silenciosa".

Mas o certo é que é um sinal de que "o diálogo continua". Por duas vezes Francisco disse ao Grão-Mufti: "Devemos adorar a Deus. Não devemos apenas louvá-lo e glorificá-lo, mas devemos adorá-lo". O religioso muçulmano lhe falou de um versículo do Alcorão que define Deus como "amor e justiça", sorrindo para Francisco: "Nisso estamos de acordo". E o papa, como réplica: "Certamente, estamos de acordo".

Quando visitou Santa Sofia – construída por Justiniano, no século VI, que se tornou mesquita depois da queda de Constantinopla, em 1453, e, por fim, foi transformada em museu por Atatürk –, Francisco escreveu em grego no livro de ouro dos visitantes: "Santa Sabedoria de Deus": o nome da basílica.

Neste domingo, o papa participou da "divina liturgia" ortodoxa para a festa de Santo André. É significativo que Bartolomeu repetiu-lhe a mesma expressão que Bergoglio disse, recém-eleito: a Igreja de Roma "preside na caridade" todas as Igrejas.

O cisma só será recomposto por um acordo sobre o modo de entender o "primado" do bispo de Roma. "Em tempos difíceis para a humanidade e o mundo", disse o patriarca, trata-se de "fazer a vontade de Deus".

E Francisco, na missa com os católicos: "Devemos realizar a união entre os fiéis, abandonar um estilo defensivo para nos deixarmos conduzir pelo Espírito".

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