''Uma Igreja sem leme'', diz cardeal Burke. ''Não a cambalhotas doutrinais'', diz cardeal Pell

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03 Novembro 2014

"Há a forte sensação de que a Igreja é como um navio sem leme", diz o cardeal Raymond Leo Burke, prefeito da Signatura Apostólica e líder da ala conservadora que, no Sínodo, se opôs – com sucesso, ao menos na primeira fase – à ratificação das teses renovadoras sobre os divorciados em segunda união e os homossexuais propostas por Walter Kasper em fevereiro passado e assumidas na assembleia pelo secretário especial, Dom Bruno Forte.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 01-11-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

É justamente Kasper que acaba na mira do purpurado norte-americano, um daqueles cardeais "que apoiam e celebram" a missa antiga em latim e coram Deo, que o Papa Emérito Bento XVI, "monge em clausura", definiu como "grandes", em uma recente mensagem enviada ao delegado-geral da Coetus Summorum Pontificum.

"Desde que Kasper começou a difundir a sua opinião – diz Burke em uma entrevista publicada no site da revista Vida Nueva –, uma parte da imprensa passou a ideia de que a Igreja tem a intenção de mudar a sua disciplina. E isso criou graves dificuldades pastorais. A pedra fundamental da Igreja é o matrimônio. Se não ensinarmos e vivermos bem essa realidade, estamos perdidos. Deixamos de ser Igreja."

Ele não critica o papa, assegura Burke, mas observa que "há pessoas que sofrem um pouco de enjôo, porque lhes parece que o navio da Igreja perdeu a bússola".

É a confusão "diabólica" de que falava o bispo pele-vermelha de Filadélfia, Charles Chaput, depois da disputa teológica dura e forte na Aula sinodal.

Uma confusão que, na opinião do cardeal australiano George Pell, secretário para a Economia, deve ser eliminada o mais rápido possível, "dentro dos próximos 12 meses", que separam a Igreja do Sínodo ordinário (e decisivo) sobre a família.

Ele escreveu isso na homilia lida pelo seu secretário durante a missa em rito antigo que ocorreu há poucos dias na Igreja da Santíssima Trindade dos Peregrinos, em Roma. Pell estava ausente, impedido por uma doença de época – "único motivo pelo qual eu não estou aí", escreveu, para silenciar os rumores maliciosos de um distanciamento seu do mundo tradicionalista decidido por motivos de conveniência "política".

Nada disso, já que o cardeal ex-arcebispo de Sydney, através de uma longa mensagem, convocou os católicos a se organizarem, a se prepararem para a batalha nas dioceses entre aqueles que quererão expandir e tornar definitivas as aberturas dos inovadores e aqueles que quererão frear, reiterando que ao mistério divino não pertence apenas a misericórdia, mas também a santidade e a justiça, como repetiu o cardeal prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Gerhard Ludwig Müller.

Pell optou por voltar aos temas sinodais durante a peregrinação anual que, a cada outubro, lembra o motu proprio promulgado em 2007 por Joseph Ratzinger que tornava lícito e celebrável o rito previsto pelo missal de Pio V, revisto por São João XXIII, o papa do Concílio.

Este ano, o evento se concluiu com o solene pontifical celebrado no altar da Cátedra de São Pedro, pelo cardeal Burke, ao término da longa e lenta procissão que começou na Ponte Sisto. "Antes do próximo outubro, os católicos devem trabalhar para construir um consenso que supere as divisões atuais", disse o purpurado australiano, acrescentando que "a prática pastoral e os ensinamentos só podem ser mudados através do consenso".

Certamente, observa Pell, "a doutrina se desenvolve, no sentido de que se compreende a verdade mais profundamente, mas, na história católica, não há cambalhotas doutrinais". E isso porque "a tradição apostólica anunciada acima de tudo por Cristo e fundada nas Escrituras é a pedra de toque para a verdade e a genuína prática pastoral".

O papa, em tudo isso, tem uma função fundamental: "O papel do sucessor de São Pedro sempre foi vital para a vida cristã e católica, principalmente porque é pedra de toque da fidelidade doutrinal e é resolvedor das disputas, seja doutrinais, seja pastorais. A Igreja não está fundada sobre a rocha da fé de Pedro", esclareceu Pell: "Está fundada sobre Pedro mesmo".

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