Padres lefebvrianos são proibidos de rezar missa

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30 Outubro 2014

Novas "bastonadas" do Papa Francisco, o pastor da misericórdia e do perdão, mas não só. Depois dos severos golpes desferidos contra os padres pedófilos, agora os alvejados – embora com bastonadas metafóricas e indiretas – foram os sacerdotes lefebvrianos, aos quais um dos bispos mais próximos e mais ouvidos por Bergoglio, Dom Marcello Semeraro, proibiu de celebrarem missas e distribuir sacramentos (batizados, primeiras comunhões, crismas, casamentos...) como se fossem incardinados na Igreja Católica universal.

A reportagem é de Orazio La Rocca, publicada no sítio da revista L'Espresso, 27-10-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um veto semelhante foi imposto aos fiéis católicos que, talvez de boa fé, participam das celebrações e recebem os sacramentos dos próprios sacerdotes lefebvrianos, correndo o risco – adverte o prelado – de se encontrarem automaticamente na situação de excomungados.

A firme suspensão foi formulada com a publicação de um decreto ad hoc (Notificação) assinado por Dom Semeraro, conhecido teólogo especialista em eclesiologia, bispo de Albano (uma das dioceses suburbicárias romanas), presidente da Nova Editoriale Italiana, a editora do jornal Avvenire [dos bispos italianos], mas, principalmente, secretário da comissão cardinalícia C9 instituída pelo pontífice com a tarefa de estudar os tempos e os modos para dar novamente aos órgãos da Igreja Católica, começando pela Cúria vaticana, uma configuração estrutural e organizacional mais em sintonia com as exigências pastorais da sociedade atual.

Dom Semeraro enviou a sua Notificação à Fraternidade São Pio X, que tem sede justamente na sua diocese de Albano, a instituição tradicionalista lefebvriana mais importante da Itália, fundada nos anos 1970 pelo bispo rebelde Marcel Lefebvre, antes suspenso a divinis por ter desatendido a renovação conciliar (ele desafiou o Vaticano publicamente ao celebrar a missa em latim quando era proibido) e depois excomungado no fim dos anos 1980, juntamente com outros quatro bispos consagrados ilicitamente por ele sem o consentimento do papa.

Essa mesma Fraternidade, no ano passado, chamou a atenção da imprensa por ter celebrado, em meio a protestos de milhares de cidadãos, o funeral do nazista Erich Priebke, um dos responsáveis pelo massacre das Fossas Ardeatinas. Um gesto lido como um novo desafio para as autoridades eclesiásticas católicas enquanto o Vicariato de Roma – com o consentimento da Cúria vaticana – proibira as celebrações fúnebres do ex-hierarca nazista, tendo morrido sem nem mesmo a menor reconsideração do massacre das Fossas Ardeatine.

Na Notificação – publicada no jornal católico Avvenire –, Semeraro explica que interveio por causa dos "inúmeros pedidos de esclarecimento sobre a celebração dos sacramentos na Fraternidade São Pio X", que "não é uma instituição (nem paróquia, nem associação, nem movimento) da Igreja Católica".

Tudo isso mesmo que – indica o bispo – Bento XVI, "acolhendo benignamente os pedidos do prior-geral da Fraternidade" no dia 21 de janeiro de 2009, revogou as excomunhões dos quatro bispos lefebvrianos, mas especificando, na carta aos bispos de junho de 2009, que essa mesma Fraternidade "não tem nenhum status canônico na Igreja, e os seus ministros, mesmo que tenham sido liberados da punição eclesiástica, não exercem de modo legítimo nenhum ministério na Igreja".

Disposições evidentemente desatendidas pelos lefebvrianos – cerca de 15 mil seguidores na Itália –, que continuaram celebrando e distribuindo os sacramentos como se fossem órgãos incardinados no ordenamento eclesial reconhecido pela CEI (Conferência Episcopal Italiana).

Por isso a firme proibição de Semeraro, na qual o bispo lembra os fiéis católicos que "não podem participar da missa, nem pedir e receber sacramentos da e na Fraternidade". A pena: excomunhão automática.

E que "desagrada" que as primeiras vítimas de tal situação sejam aquelas crianças e jovens (mas também bebês) que poderiam receber sacramentos ilegítimos (batismos, primeiras comunhões e crismas) "em contraste" com as orientações pastorais da Igreja Católica italiana.

Por isso, é bom que os sacerdotes lefebvrianos não continuem se apresentando em público como membros do clero da Igreja italiana – sugere o secretário da comissão cardinalícia C9 –, assumindo papéis e atitudes ilícitas que, a longo prazo, poderão comprometer as já difíceis negociações em andamento entre o Vaticano e os líderes da Fraternidade para a retomada de eventuais futuras relações no plano eclesial e em total obediência ao papa.

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