O Vaticano retraduz documento sinodal que fala sobre os gays

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17 Outubro 2014

Perguntas sobre o tom apresentado pelo encontro mundial dos bispos católicos relativo às pessoas gays dominaram as conversas acerca do evento nesta quinta-feira, depois que o Vaticano aparentemente tentou minimizar a sua mensagem de abertura e acolhida aos homossexuais.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 16-10-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Ao atualizar, de forma inesperada, a tradução inglesa do documento marco divulgado pelo grupo segunda-feira, na quinta-feira o Vaticano mudou uma seção do texto: de “acolher as pessoas homossexuais” a “fornecer às pessoas homossexuais”.

Mas a versão italiana do documento do encontro, conhecido como sínodo, continua inalterada e não reflete as mudanças na tradução inglesa.

Ao responder, durante uma coletiva nesta quinta-feira, a perguntas sobre a mudança, o Pe. Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, enfatizou que o idioma oficial do sínodo é o italiano, e “temos dito sempre que o texto a se referir é o italiano”.

Questionado sobre quem pediu a alteração e por que a versão inglesa não mais corresponde à italiana, Lombardi disse que a Sala de Imprensa do Vaticano disponibilizou esta nova versão a pedido do escritório vaticano para o Sínodo dos Bispos e que não iria dar mais detalhes.

O documento de segunda-feira, que pede que a Igreja escute mais e aplique a misericórdia de forma muito mais generalizada, foi divulgado como uma síntese dos debates sinodais até o momento. Este texto é conhecido oficialmente como “Relatio post disceptationem”.

O documento foi criado depois que os cerca de 190 prelados participantes do Sínodo se encontraram, na semana passada, em assembleias gerais. Nesta semana, os prelados se reuniram em pequenos grupos, divididos por idiomas, para propor alterações ao documento. Tais alterações foram submetidas nesta quinta-feira pela manhã e deverão ser usadas na elaboração de um documento final do Sínodo a ser submetido ao Papa Francisco no sábado.

As únicas passagens que parecem ter sido alteradas na revisão de quinta-feira da tradução inglesa do documento de segunda-feira ocorrem no parágrafo no. 50 do texto, que trata da atitude da Igreja e o tom para com as pessoas homossexuais.

Enquanto que o subtítulo na versão italiana deste parágrafo continua sendo “Accogliere le persone omosessuali” – literalmente, “acolher as pessoas homossexuais” –, a versão inglesa diz: “Fornecer às pessoas homossexuais”.

Da mesma forma, uma das frases desta seção da nova versão inglesa foi alterada para remover várias palavras enquanto que a versão italiana não foi modificada.

A versão italiana pergunta: “Siamo in grado di accogliere queste persone, garantendo loro uno spazio di fraternità nelle nostre comunità?” – ou seja, “estamos em condições de acolher estas pessoas, garantindo-lhes um espaço de fraternidade nas nossas Igrejas?”

A nova versão inglesa diz, com elipses no original: “estamos em condições de fornecer a estas pessoas, garantindo [...] a elas [...] um espaço de fraternidade em nossas Igrejas?”

Embora Lombardi não tenha dado detalhes adicionais concernentes às mudanças no documento sinodal, elas parecem refletir um sentido de medo entre os prelados sobre o que parece ser, decididamente, um novo tom para com os gays a partir do Sínodo.

Ainda que o documento de segunda-feira reenfatize o ensinamento da Igreja contra o casamento homoafetivo, ele também faz perguntas contundentes sobre a forma como a Igreja, em geral, trata as pessoas gays e se ela está oferecendo espaço para elas nas comunidades.

Ao ser perguntado sobre a mudança na tradução inglesa durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira – especificamente se esta mudança significava que a Igreja não mais sustenta que os atos homossexuais são “intrinsecamente desordenados” [disfuncionais] –, o cardeal austríaco Christoph Schönborn disse: “O princípio básico é que primeiro olhemos a pessoa e não a orientação sexual”.

“Toda pessoa humana tem uma dignidade além de qualquer outra questão”, declarou Schönborn, que representa os bispos austríacos no Sínodo. “Isto não significa, e com certeza não significará, que a Igreja possa dizer que o respeito a cada pessoa humana significa o respeito a todo o comportamento humano”.

O religioso disse achar que “a Igreja irá [...] sempre sustentar que o dom fundamental da criação de Deus é a diferença e a relação entre homem e mulher”. O cardeal também falou conhecer um casal homoafetivo na Áustria que “são pessoas humanas maravilhosas”.

Um dos parceiros, disse, ficou severamente adoecido, e o outro cuidou a ambos. O cuidado, disse Schönborn, “foi santo. Completo”.

Alguns prelados criticaram publicamente o documento de trabalho divulgado segunda-feira, com o cardeal sul-africano Wilfrid Napier dizendo, na terça-feira, que a mensagem de abertura aí presente pôs os prelados “numa situação que é, praticamente, irremediável”.

Porém, na quinta-feira Lombardi também deu uma breve declaração em nome do cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o qual fora citado no jornal italiano La Repubblica como tendo dito que o documento de trabalho do Sínodo era “indigno” e “vergonhoso”.

Müller disse que a reportagem “não é verdadeira” e que ele não fez tais afirmações, segundo Lombardi.

Também na quinta-feira, o porta-voz vaticano anunciou que novos membros foram nomeados para o grupo que vai elaborar a versão final do documento sinodal. O Sínodo, afirmou Lombardi, acrescentou dois membros a este grupo: Napier e o arcebispo australiano Denis Hart.

Na quinta-feira, Schönborn falou ao lado do casal Francesco Miano e Pina De Simone, professores italianos. Embora existam 13 casais participando no Sínodo com diferentes papéis, Miano e De Simone são os únicos participantes plenos e com direito a participar nas votações junto dos prelados.

Ao tocar num assunto que Schönborn mencionou, Miano disse que um valor-chave do Sínodo deste ano é o seu desejo de acompanhar as pessoas casadas.

“A força do Sínodo é a força do acompanhamento”, disse ele.

Schönborn afirmou que a força dos ensinamentos da Igreja não deriva de eles serem impostos às pessoas, mas sim de serem propostos como um “caminhar juntos, ou uma forma de viver”.

“Não podemos nos esquecer da doutrina”, afirmou o cardeal. “Mas o outro lado (...) é também a necessidade de acompanhar [as pessoas] nas múltiplas situações de que o papa fala, de um hospital de campanha”.

“O papa disse para acompanharmos as pessoas onde elas vivem”, acrescentou. “Há um ideal que queremos alcançar, mas devemos fazê-los com o tempo, com paciência”.

Cerca de 190 prelados participam no Sínodo e podem votar nos debates. Cerca de outras 60 pessoas, principalmente não prelados, foram escolhidas para desempenhar outros papéis e estão em condições de contribuir nas discussões, porém sem votar.

O Vaticano resumiu as revisões sugeridas ao documento de segunda-feira tornadas públicas nesta quinta-feira pelos pequenos grupos. Estas revisões foram escritas nas diversas línguas destes subgrupos.

Na coletiva, Lombardi ressaltou que as sínteses dos pequenos grupos são “documentos de trabalho” e que “não podemos interpretá-los como juízos definitivos do Sínodo, mas como estando dentro do caminho do Sínodo que continua”.

Sobre o tema da homossexualidade, um dos grupos de língua inglesa sugere que a Igreja “deve continuar a promover a natureza revelada do matrimônio como sempre entre um homem e uma mulher unidos em comunhão por toda a vida, em doação e na fé”.

Espera-se que o documento final do Sínodo seja disponibilizado ao público e que possa ser usado como base para a próxima assembleia dos bispos, a acontecer em 2015.

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