Cardeais alemães e austríacos enfatizam a necessidade de um novo olhar sobre os ensinamentos a respeito do casamento e da família

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13 Outubro 2014

Tanto o cardeal Christoph Schönborn, de Viena, quanto o cardeal Reinhard Marx, de Munique, estão em campanha por um novo olhar sobre o matrimônio e a família no Sínodo que está em andamento em Roma. Ambos são conhecidos por apoiar o cardeal Walter Kasper como exposto no livro The Gospel of the Family [O Evangelho da Família, Paulist Press] onde Kasper esboça uma possível forma de permitir que algumas pessoas divorciadas e que voltaram a casar possam receber os sacramentos. Não é de admirar, portanto, que ambos estão sendo bastante entrevistados durante o Sínodo.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada no sítio National Catholic Reporter, 10-10-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Quando o padre jesuíta Bernd Hagenkord, chefe da seção alemã da Rádio Vaticano e um dos poucos jornalistas autorizados a assistir às sessões sinodais, pediu a Schönborn, na quinta-feira, para explicar o que exatamente se entende por "gradualismo" - um aspecto da tradição que reconhece que a tomada de decisão moral desenvolve-se ao longo do tempo e que tem sido repetidamente mencionado no Sínodo - Schönborn disse que, embora seja claro que não se pode mudar a lei divina, é ao mesmo tempo essencial salientar que poucas pessoas conseguem aplicá-la 100% do tempo.

"Os Dez Mandamentos não estão à nossa disposição, não podemos mudá-los. Mas o que realmente experimentamos em nossas vidas é que só os seguimos parcialmente e não 100%", disse ele. "Se a pessoa aplica isso ao matrimônio e à família, então fica claro que a realização plena é o casamento sacramental da Igreja, que é indissolúvel e aberto aos filhos. Mas também sabemos que muitas pessoas só atingem essa plena realização do casamento gradualmente".

Durante a visita ad limina dos bispos austríacos, em janeiro, Schönborn disse que o Papa Francisco perguntou aos bispos se, como na Argentina, muitos casais jovens coabitavam na Áustria.

"O papa não disse que a coabitação era permitida", disse Schönborn. "Ele apenas disse que essa era a situação na Argentina. E ele passou a dizer que, quando uma criança estava a caminho, o casal começava a pensar: 'Talvez devêssemos casar no final das contas, possivelmente em um cartório. E alguns casais, em seguida, iam um passo além e diziam: 'Nós queremos um casamento na Igreja'. Precisamos acompanhar esses casais, passo a passo, nessa gradualidade, para que possam descobrir a forma completa do sacramento, disse-nos o papa".

"Isso quer dizer que há elementos positivos em casamentos ou relacionamentos não sacramentais?", perguntou Hagenkord.

"Eu posso olhar para uma situação imperfeita pelos dois lados e ambos os lados são justificados. Posso olhar para o que está faltando, e eu posso ver o que já está lá", respondeu Schönborn. Quando os casais vivem juntos em um relacionamento fiel estável, pode-se dizer que não é um casamento sacramental, que há algo faltando, mas também se poderia dizer que é um começo, que já existe algo lá, disse Schönborn. O Papa Francisco encorajou os bispos austríacos a olhar para o que já estava lá e para acompanhar isso "em direção a algo mais completo e mais perfeito".

Ele também disse que é importante considerar as circunstâncias pessoais de um casal. Na Áustria, por exemplo, os casais não casados ​​estão em melhor situação fiscal do que os casais, já que as mães solteiras recebem apoio extra do Estado. Casar-se, portanto, significa sacrificar o dinheiro extra, disse Schönborn. Anteriormente, na Áustria e mesmo em muitos países, ainda hoje, as pessoas muito pobres não podem se casar por motivos financeiros, disse ele, e então lembrou o caso do Beato Franz Jägerstätter, cuja mãe tinha sido uma empregada doméstica.

"Franz nasceu ilegitimamente [na Alta Áustria, em 1907]", disse Schönborn. "Seus pais não tinham dinheiro suficiente para se casar. Mais tarde, quando ele era um pouco mais velho, sua mãe teve muita sorte que um fazendeiro estava preparado para se casar com ela e adotar o pequeno Franz".

A principal coisa é acompanhar essas relações sem julgamento e com compreensão e encorajamento, disse Schönborn.

Schönborn disse, na quinta-feira, na televisão austríaca, que ele tem certeza que a Igreja sob o comando do Papa Francisco, que fala tantas vezes sobre a misericórdia e o perdão, vai encontrar uma nova maneira de lidar com o fracasso. Schönborn disse que está claro que a Igreja deve ir ao encontro daqueles cujos casamentos falharam: ninguém deve sentir que a sua adesão à Igreja Católica terminou porque o seu casamento falhou, sublinhou.

Marx, por sua vez, enfatizou que o ensino da Igreja não é uma "construção estática". É essencial que ele continue se desenvolvendo, disse ele ao sítio katholisch.de, publicação alemã online na terça-feira. Embora o Sínodo não pretenda mudar a doutrina da Igreja, "não podemos dizer que não vamos tocar no ensino e apenas examinar as questões pastorais", disse ele. "A Igreja deve reformular o ensino cristão sobre a família, juntamente com os cristãos de hoje, e ter um novo olhar para o magistério".

Marx, que também é membro do Conselho de Cardeais do Papa Francisco, disse que espera que toda a Igreja se envolva em uma discussão ampla sobre o matrimônio e a família, mas ele alertou contra a glorificação daquilo que algumas pessoas vêem como os bons velhos tempos.

"Esse tom que costumava haver daquilo que seria considerado um casamento ideal e uma família ideal em tempos idos deve ser evitado", disse ele.

A Igreja também deve ter uma visão diferenciada da homossexualidade, disse Marx.

"Simplesmente não podemos dizer que uma relação homossexual fiel que durou décadas não é nada", disse ele, já que isso é muito "forçado" como ponto de vista.

"Nós simplesmente não devemos amontoar as coisas todas juntas e medir tudo com o mesmo critério, mas devemos diferenciar e dar uma olhada mais de perto, o que não significa que eu apoio a homossexualidade de uma maneira geral", acrescentou.

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