Cresce em Honduras o debate sobre os impactos da expansão da palma africana

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Por: André | 15 Setembro 2014

Durante as últimas décadas, Honduras viveu um acelerado processo de expansão do cultivo da palma africana, que deixou profundos impactos socioambientais na população negra, indígena e camponesa, gravemente atingida em seu legítimo direito à terra, à alimentação, a uma vida digna, somado a uma profunda criminalização da sua luta de resistência.

 
Fonte: http://bit.ly/1qQir7o  

A reportagem é de Giorgio Trucchi e publicada no sítio uruguaio Rel-UITA, 10-09-2014. A tradução é de André Langer.

A necessidade de analisar, debater a fundo e buscar estratégias comuns para enfrentar um modelo de produção que concentra terras e desloca comunidades foi um dos principais objetivos do Fóum-Oficina “Agrocombustíveis, palma africana e seus efeitos sobre a soberania alimentar”, realizado no dia 09 de setembro na cidade de La Ceiba.

A atividade, que envolveu mais de 170 pessoas e dezenas de movimentos e organizações sociais, populares e sindicais, entre elas a Rel-UITA, foi convocada pela Organização Fraterna Negra Hondurenha (OFRANEH), pela Plataforma de Movimentos Sociais e Populares de Honduras, assim como pelas redes internacionais Aliança Biodiversidade, Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC), pela Rede Latino-Americana contra a Monocultura de Árvores (RECOMA) e pelo Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais (WRM).

“Com esta expansão descontrolada querem substituir os alimentos pela palma. Querem dar-nos de comer óleo e nos obrigar a importar alimentos. Estão nos condenando a uma fome sem precedentes. Por isso, era urgente nos reunirmos para analisar, debater e programar ações concretas”, disse Miriam Miranda, coordenadora da OFRANEH.

Winfridus Overbeek, coordenador do WRM, alertou sobre as falsas soluções que o grande capital agroexportador apresenta à opinião pública para justificar o injustificável, promovendo, ao mesmo tempo, a produção de agrocombustíveis.

“Nunca na minha vida escutei uma comunidade dizer que ela foi consultada antes de invadirem suas terras para plantar palma africana ou outro tipo de monocultivo. É uma imposição que arrasta consigo a destruição da biodiversidade, o desmatamento, a perda de fontes de água e a contaminação por agrotóxicos”.

A expansão ilimitada da palma – continuou Overbeek – também “aprofunda as mudanças climáticas e traz consigo a militarização dos territórios e a criminalização da luta. A única solução possível é uma mudança de modelo”.

Palma neocolonialista. Um exemplo de racismo ambiental

Marcela Gómez, da Amigos da Terra Colômbia, prosseguiu na análise e assegurou que a expansão da palma africana e a consolidação do modelo dos agronegócios atentam contra a própria vida das pessoas.

Neste sentido, os dramáticos casos das famílias camponesas do Bajo Aguán, das comunidades garífunas do litoral caribenho e do povo indígena Lenca, são exemplos dos abusos e das vexações perpetradas pelo grande capital nacional e transnacional, com o beneplácito das autoridades.

“A palma africana não representa nenhum bem-estar para os povos, nem muito menos produz desenvolvimento econômico para as maiorias. Pelo contrário, é uma forma nova de escravidão e de racismo ambiental, onde os principais atingidos são sempre os povos negros, indígenas e os camponeses”, disse Gómez.

Atualmente, a monocultura da palma africana em Honduras abrange uma área de cerca de 160 mil hectares, e há novos projetos para duplicar esta área, ameaçando os territórios da região de Mosquitia.

Enquanto isso, estima-se que pelo menos 300 mil famílias camponesas hondurenhas não têm acesso a terra, que a metade da população rural sobrevive com menos de um dólar por dia e que o país continua sofrendo um forte déficit de produção de alimentos.

Estratégias comuns de luta. Fortalecer alianças

 
Fonte: http://bit.ly/1qQir7o  

Ao término das diferentes exposições foram organizadas mesas de trabalho nas quais os participantes se envolveram num profundo e enriquecedor debate, sentando posições em vista de dar seguimento à temática da expansão da palma africana.

“Devemos nos unir e criar alianças, tanto nacional como internacionalmente, construindo estratégias que vinculem mais e com maior força os tantos exemplos de resistência a este modelo que existem no continente”, enfatizou Alfredo López, sobcoordenador da OFRANEH.

Finalizando a atividade, os representantes das redes internacionais, que durante dois dias analisaram em profundidade a temática da expansão do modelo agroexportador na América Latina, fizeram a leitura de um pronunciamento de solidariedade ao povo hondurenho em luta, ao mesmo tempo que exigiram o fim da repressão e da inércia das instituições.

“Tanto na atividade de hoje como na reunião interna das redes internacionais, da qual participou a Rel-UITA, ficou claro que temos necessidade de prosseguir na articulação entre movimentos”, disse Lizzie Díaz, integrante do Secretariado Internacional do WRM.

A chave do sucesso destas lutas “está com os povos, que enfrentam diariamente os grandes grupos econômicos nacionais e as corporações internacionais, que concentram terras, deslocam e destroem comunidades”.

“Hoje, mais do que nunca, devemos fortalecer estas lutas, fazendo-os sentir que não estão sozinhos, que há milhares de olhos fitados no que está acontecendo”, concluiu.

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