Palestrantes da LCWR: deixar de escutar o outro leva a julgamento, cinismo e medo

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15 Agosto 2014

A maior organização de liderança de mulheres religiosas dos Estados Unidos começou o primeiro dia de sua assembleia anual na quarta-feira concentrando-se em uma das críticas dirigidas a ela: o processo contemplativo e colaborativo para a tomada de decisões.

A reportagem é de Dan Stockman e foi publicada por National Catholic Reporter, 13-08-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

A Conferência de Liderança de Mulheres Religiosas (LCWR - Leadership Conference of Women Religious), formada por religiosas católicas, líderes de ordens e congregações nos Estados Unidos, representa cerca de 80% das 51.600 mulheres religiosas dos Estados Unidos. Quase 800 dos 1.400 membros do grupo estão se reunindo nesta semana no Estado do Tennessee para quatro dias de conferência anual.

A sessão de quarta-feira de manhã começou com o exame do processo de tomada de decisão usado pela LCWR: contemplação, observação e exploração, reflexão e diálogo e, por fim, decisão e ação. O processo está em contraste gritante com o processo hierárquico de decisão usado pela Igreja Católica.

O arcebispo de Seattle, J. Peter Sartain, ouviu atentamente as facilitadoras Catherine Bertrand, das Irmãs de Notre Dame, e Mary Jo Nelson, das Irmãs Missionárias de Nossa Senhora da Vitória, que explicaram como o fato de ouvir realmente os outros e refletir sobre seus pensamentos pode fazer você mudar o seu pensamento individualista para aquilo que é melhor para a comunidade. Falta de escuta, segundo elas, leva a julgamento, cinismo e medo.zinn

A Congregação para a Doutrina da Fé nomeou Sartain para supervisionar as mudanças na LCWR requisitadas pela Congregação em 2012, em uma avaliação doutrinal. Após esta reunião, Sartain deveria aprovar os palestrantes em eventos do grupo.

No discurso presidencial, parte-chave de cada assembleia já que ele define o rumo para grande parte do resto do encontro, a presidente da LCWR, Ir. Carol Zinn (foto), das Irmãs de São José da Filadélfia, exortou os membros a usar os princípios da música para contemplar como escutar a Deus.

Ao destacar que a assembleia está ocorrendo ao lado do local onde se realiza o Grand Ole Opry [famoso programa radiofônico semanal de música country], Zinn compartilhou um vídeo da estrela da música country Clint Black cantando: "Quando eu disse que eu faço, eu queria dizer que eu vou, até o fim dos tempos, ser fiel e verdadeira, dedicada a você". Zinn fez a conexão com a situação daqueles que estão na vida religiosa.

"Essa assembleia acontece em uma época quando nossas consciências estão cada vez mais elevadas aos lamentos de nosso mundo, de nosso país, da Igreja e de nossa missão", disse ela. "Nós nos reunimos aqui como mulheres fieis ao Evangelho, discípulas de Cristo e filhas da Igreja que amamos".

Os bispos dos Estados Unidos têm criticado a LCWR por se concentrar demais na justiça social e no serviço aos pobres e não o suficiente na luta contra o aborto e o casamento gay. Entretanto, Zinn disse que a música no coração de Deus demanda que sirvamos os irmãos, especialmente, os pobres e os marginalizados.

"Estamos cantando com toda a voz nas formas que a criação de Deus e o corpo de Cristo clamam por justiça, inclusão, compaixão? Talvez nós estejamos cantando em tons suaves a mensagem autêntica e radical do Evangelho e a visão da Igreja do Concílio Vaticano II como Povo de Deus, o Povo de Deus que caminha junto", disse ela. "Provavelmente, estamos apenas sussurrando aquela Unidade que vem de dentro e vai para fora do mundo nacional, que vai para as relações mais significativas e sagradas, independentemente de raça, gênero, orientação sexual, situação econômica ou sistema de crenças".

Ela observou que Cristo era contemplativo e instou os membros da LCWR a seguir o exemplo.

"Nós vemos esse ritmo na vida de Jesus: ele se retirava para lugares de solidão e saía de lá com mais clareza, cada vez mais comprometido, mais consciente do propósito e da missão de sua vida", disse ela. "Sua consciência contemplativa e a sua fidelidade à missão aprofundavam conjuntamente. Não é e não será diferente para nós".

Em uma sessão posterior, os membros da LCWR participaram de um painel com três irmãs que discutiram a liderança e o processo contemplativo. A Ir. Nancy Conway, da Congregação de São José, disse que os desafios enfrentados pela LCWR lhe ajudaram, especialmente a visitação apostólica realizada pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica do Vaticano. A Congregação emitiu o seu relatório para o Vaticano em 2011.

"Eu aprendi que quando nós viemos de um lugar de profunda integridade, isso faz diferença para as pessoas de fora desta sala", disse Conway. "É importante para a dignidade de quem está fora desta sala, para aqueles que não tem um lugar à mesa".

A assembleia da LCWR termina nesta sexta-feira à noite.

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