As rodovias fluminenses e o processo de difusão evangélica no Rio de Janeiro

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05 Setembro 2014

"Os dados do Estado do Rio de Janeiro mostram que o processo de transição religiosa (com a queda dos católicos e a subida dos evangélicos) segue um padrão regional e espacial", constatam José Eustáquio Diniz Alves, professor do Mestrado e Doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) do IBGE, Suzana Cavenaghi, professora da ENCE/IBGE, e Luiz Felipe Walter Barros, técnico do IBGE, Diretoria de Pesquisas, Gerência Técnica do Censo Demográfico, em artigo publicado por EcoDebate, 01-08-2014.

Eis o artigo.

“Não é a religião enquanto conservação e permanência que deve interessar à sociologia, mas sim a religião em mudança, a religião como possibilidade de ruptura e inovação, a mudança religiosa e, portanto, a mudança cultural” (Pierucci e Prandi, 1996)

O Brasil está passando por profundas mudanças no perfil religioso de sua população. Tem diminuído o número de pessoas que se declaram católicas, ao mesmo tempo que crescem aqueles que se declaram evangélicos, sem-religião, espíritas, etc. A proporção de católicos brasileiros caiu de 89% em 1980, para 83% em 1991 e chegou a 64,6% em 2010. O Estado do Rio de Janeiro é a Unidade da Federação em que há maior diversidade religiosa e onde os católicos apresentam os menores percentuais do país.

No estado do Rio de Janeiro os católicos eram 67% em 1991, caíram para 56% em 2000 e chegaram a 46% em 2010. Dentre as 92 cidades do estado, em 2000, havia apenas um município (Silva Jardim) onde os evangélicos superavam os católicos. Mas em 2010, o número passou para 18 municípios. A queda do percentual de católicos foi maior onde o percentual já era baixo e a diversidade religiosa era mais alta. Ou seja, em vez de ter um piso, no processo de mudança de hegemonia a queda do percentual de católicos tende a se aprofundar e não a se estancar.

Entre 2000 e 2010, houve aumento do percentual de católicos apenas em dois municípios pequenos: Macuco e São José de Ubá, ambos no norte-fluminense, quase na fronteira com Minas Gerais e fora das rodovias mais dinâmicas do Estado. Por outro lado, em Queimados, Japeri, Silva Jardim e Seropédica o percentual de católicos está abaixo de 30%.

Os dados do Estado do Rio de Janeiro mostram que o processo de transição religiosa (com a queda dos católicos e a subida dos evangélicos) segue um padrão regional e espacial. A difusão evangélica é muito rápida desde Duque de Caxias, Nova Iguaçu, queimados até Seropédica, ou seja, da Baixada Fluminense até a Serra das Araras pela rodovia 116 (rodovia Dutra). Na direção norte, outro vetor de mudança vai de São Gonçalo rumo a Itaborai, Tanguá, Silva Jardim, etc. Ou seja, em torno da BR 101, indo até Cabo Frio e Macaé. Na direção sul, o processo de difusão segue a rodovia Rio-Santos, onde o percentual de evangélicos cresce em Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty, mas se mantém baixo na cidade de Rio Claro, que não é cortada nem pela Dutra (rodovia 116) e nem pela Rio-Santos (rodovia 101).

Os católicos fluminenses mostram maior resistência à mudança em torno da rodovia 040 – que liga a cidade do Rio de Janeiro a Juiz de Fora – e nos municípios da fronteira com o Estado de Minas Gerais, que é uma Unidade da Federação onde os católicos ainda detinham 70,4% das filiações religiosas, em 2010

Como mostraram Alves, Barros e Cavenaghi (2012): “O Brasil vem passando por um processo de mudança religiosa e cultural, com difusão da mensagem evangélica que acontece de baixo para cima, em termos sociais, da periferia para o centro, em termos espaciais, do meio urbano para o rural em termos de situação do domicílio, dos negros para os brancos, em termos étnicos-raciais, dos jovens para os idosos, em termos de geração, e das mulheres para os homens, em termos de gênero”.

Os dados do censo demográfico de 2010 mostram que, pelo menos no Estado do Rio de Janeiro, o processo de difusão dos evangélicos (principalmente pentecostais e neopentecostais) também segue um padrão espacial que avança pelas principais rodovias do Estado, tendo como foco de difusão a periferia da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Embora estejamos em uma época dominada pela televisão, rádio e Internet, as estradas parecem ser o canal de consolidação da transição religiosa no estado do Rio de Janeiro.

Referência:

PIERUCCI, AF, PRANDI, R. A realidade social das religiões no Brasil, Hucitec, São Paulo, 1996, p. 9

ALVES, JED, BARROS, LFW, CAVENAGHI, S. A dinâmica das filiações religiosas no Brasil entre 2000 e 2010: diversificação e processo de mudança de hegemonia.
REVER (PUC-SP), v. 12, p. 145-174, 2012.
http://revistas.pucsp.br/index.php/rever/article/view/14570

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