Padres casados? ''Seria uma reviravolta, mas a Igreja correria o risco do cisma''

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29 Mai 2014

"O primeiro passo será a ordenação de homens casados, de fé comprovada, os chamados viri probati. Realistamente, podemos esperar isso do Papa Francisco, e não é óbvio que o caminho será fácil. O risco de um cisma na Igreja certamente não pode ser excluído a priori." O teólogo Vito Mancuso, 51 anos (um dos quais em hábito talar), olha para a frente, para as possíveis reformas para uma instituição eclesial "tradicionalista", com tempos "muito longo".

A reportagem é de Giovanni Panettiere, publicada no sítio QN, 28-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A abertura do Bergoglio sobre o casamento para os sacerdotes, que surgiu em uma coletiva de imprensa improvisada no avião de retorno da Terra Santa, o convenceu, mais uma vez, de que o bispo de Roma "não quer esconder nada, tem um senso de confiança e sabe bem quais são os pontos nodais descobertos na Igreja".

Eis a entrevista.

Professor, que problemas o celibato dos sacerdotes envolve?

Nenhum, a questão não é que os padres não possam se casar, o ponto nodal é o celibato obrigatório. O clero célibe se liga à Tradição e à Escritura do mesmo modo que padres casados, possibilitado nas Igrejas católicas de rito oriental. Eu conheço sacerdotes célibes que são um dom para a Igreja , que vivem da melhor forma possível a condição de solteiros.

Família e sacerdócio são incompatíveis?

Aliviados do peso de uma vida familiar – e o diz alguém que é pai de dois filhos adolescentes e sabe o que significa ser marido e pai –, muitos padres conseguem se dedicar completamente à comunidade dos fiéis.

Depois, há o outro lado da moeda...

Ou seja, aquele clero para o qual a condição celibatária significa fechamento aos relacionamentos, distância dos fiéis, frieza. É um limite ditado pela imaturidade, e que o papa conhece bem.

Na sua opinião, quantos jovens se aproximariam do sacerdócio se lhes fosse dada a possibilidade de escolher se querem se casar ou não?

Muitos. Eu mesmo, aos 23 anos, depois de um ano como padre, pedi ao meu arcebispo, Martini, para ser dispensado. Entendi que não conseguiria viver pacificamente a minha condição.

O que o cardeal lhe disse à época?

Que eu ainda era muito jovem e que o que realmente lhe interessava era o meu bem. Ele me enviou para completar os estudos longe da diocese, sem nenhum encargo pastoral. Eu não era mais um sacerdote, assim como eu lhe pedira.

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