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Por: Jonas | 14 Maio 2014

O negócio era conseguir licitações ou contratos das obras públicas programadas para o evento econômico que acontecerá em Milão. A polícia deteve sete pessoas, entre elas organizadores e dirigentes de todo o arco político.

 
Fonte: http://goo.gl/XRgTps  

A reportagem é de Elena Llorente, publicada por Página/12, 13-05-2014. A tradução é do Cepat.

Um homem na rua retira de uma bolsa um envelope e o entrega para outro homem dizendo: “São 15.000. Eu agora me vou. Você faça o que deve fazer”. Não se trata de uma publicidade, nem sequer de um filme.  Quem participa dessa cena é um empresário, o que paga, e uma pessoa ligada ao mundo político, o que recebe o dinheiro. Tudo foi filmado e gravado pela polícia italiana como parte das investigações daquela que se revelou como a nova tangentopoli (cidade do suborno), em alusão a outro famoso escândalo de corrupção, nos anos 1990, revelado graças à campanha judicial anticorrupção conhecida como “Mãos Limpas”. O que chamou a atenção à nova tangentopoli são os milhares que giram em torno da Expo 2015, um evento econômico-comercial do qual participarão numerosos países e empresas e que acontecerá no próximo ano, em Milão, capital financeira da Itália.

Curiosamente, as sete pessoas presas até agora, e que foram batizadas como “a cúpula”, são adultos em idade avançada. Boa parte deles, maiores de 70 anos, ou seja, pertencentes à velha guarda, se é que assim se pode dizer, com todos os contatos em nível político e empresarial que isso pode significar. Na cúpula havia alguns com antecedentes penais por corrupção, casualmente da época de “Mãos Limpas”. Porém, trata-se de pessoas relacionadíssimas com expoentes políticos da esquerda e da direita, com empresas estatais como a ENI (petróleo) ou ENEL (energia) e com os setores estatais responsáveis pelas licitações. O que mais se pode pedir? Entre os presos da “cúpula”, figuram o ex-dirigente democrata-cristão Gian Stefano Frigerio; o ex-parlamentar bielusconiano Luigi Grillo; um ex-dirigente do partido centrista UDC, Sergio Catozzo; e um militante do Partido Democrático (centro-esquerda), Primo Greganti. Outra casualidade? Entre os juízes que os descobriram, após anos de investigações policiais, está Ida Bocassini, que sendo muito jovem fez parte da equipe de magistrados de “Mãos Limpas”.

A polícia também prendeu o diretor de planejamento e compras da Expo 2015, Angelo Paris, e Antonio Rognoni, ex-diretor geral de Infrastrutture Lombarde, setor público da região de Lombardia, a qual pertence Milão. É que o negócio da “cúpula” era conseguir licitações ou contratos das obras públicas programadas para a Expo 2015, graças aos múltiplos contatos e recomendações que cultivaram com os anos, tanto em nível empresarial, como político e público. Faziam-se pagar consideráveis “comissões” por parte dos empresários privados, aos quais prometiam a licitação. Por sua vez, pagavam uma mínima porcentagem do que recebiam aos dirigentes públicos que lhes facilitavam esses contratos. Em interpretações telefônicas feitas pela polícia, alguns deles se vangloriavam de ser “baratos” porque exigiam apenas 1% do valor do contrato, enquanto que outros exigiam 5%. Contudo, isso não significa, de qualquer forma, vários milhões de euros. Para se ter uma ideia de quanto significava este negócio, basta saber que para a Expo foram previstos investimentos públicos no valor de 1,3 bilhão de euros, investimentos dos países participantes no valor de 1 bilhão e de empresas privadas em 350 milhões de euros. Isto apenas no que diz respeito à Expo.

Na realidade, “a cúpula”, segundo as investigações, também enfiou a mão em outra lata: a das licitações referentes à saúde pública, ou seja, construção e manutenção de hospitais e fornecimento de material de todo tipo para eles, entre outras coisas.

Segundo Antonio Di Pietro – hoje dirigente político, mas que foi uma das almas de “Mãos Limpas” -, “não há nada de novo debaixo do sol”. Ou seja, a Itália continua sofrendo os mesmos males relacionados à corrupção, como nos anos 1990. Para resolver em parte o problema, segundo ele, é preciso acabar com a impunidade e “impor regras que distanciem os corruptos definitivamente da política”. Nestes vinte anos, o mundo político “não fez nada para evitar os subornos”, declarou à imprensa italiana.

Diante de semelhante escândalo, após o qual se falou até mesmo de suspender a Expo, o primeiro-ministro Matteo Renzi quis pegar o touro pelos chifres: “Não se pode parar os trabalhos da Expo, mas, sim, os delinquentes”, disse. E nomeou uma comissão de especialistas, conduzida por Raffaele Cantone, o magistrado a cargo da Autoridade Nacional Anticorrupção, para controlar todos os contratos da Exposição.

É que a Expo 2015 promete ser uma grande oportunidade para Itália e o seu relançamento internacional, em nível econômico e comercial, após anos de crise econômica. “Não há mal que não venha para o bem – comentou o prefeito de Milão, Giuliano Pisapia -. O que está acontecendo agora demonstra que os controles são possíveis e que a Expo pode continuar tranquilamente”.

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