Cardeal Kasper, o “teólogo do Papa”, suaviza as críticas do Vaticano às religiosas americanas

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07 Maio 2014

O cardeal alemão que vem sendo chamado “o teólogo do papa” disse que a crítica aberta do Vaticano às religiosas americanas é típica da visão “mais estreita” que funcionários da Cúria Romana tendem a ter, e falou que as católicas estadunidenses não devem se preocupar excessivamente com o caso.

“Eu também sou considerado suspeito”, disse o cardeal Walter Kasper com uma risada durante evento ocorrido segunda-feira na Universidade de Fordham, EUA. “E não posso ajudá-las”, acrescentou, referindo-se aos críticos das irmãs em Roma.

A reportagem é de David Gibson, publicada por Religion News Service, 06-05-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Kasper, de 81 anos, atuou como o líder ecumênico do Vaticano sob os papas João Paulo II e Bento XVI. É considerado um aliado próximo do Papa Francisco. Quando este convocou os bispos para uma cúpula de dois dias a fim de tratar alguns temas relacionados com a família em fevereiro passado, pediu a Kasper para fazer uma fala de abertura dando o tom ao encontro.

Kasper pode refletir melhor a visão do atual papa do que as medidas duras aplicadas às religiosas americanas pelo escritório doutrinal. Assim como Francisco suavizou o foco dado às regras e a questões polêmicas num esforço para ampliar o apelo da Igreja, também Kasper sublinhou a importância da flexibilidade pastoral e do realismo para com os membros da Igreja, em suas vidas imperfeitas.

Kasper encontra-se nos Estados Unidos para divulgar seu livro intitulado “Mercy: The Essence of the Gospel and the Key to Christian Life” [Misericórdia: A essência do Evangelho e a chave para a vida cristã]. Nele há um pequeno texto escrito pelo Papa Francisco, quem fez da misericórdia a pedra angular de seu ministério desde que foi eleito no ano passado.

Na segunda-feira, Kasper disse ao público que após Francisco tê-lo enaltecido poucos dias depois de sua eleição, “um experiente cardeal se aproximou dele [do papa] e falou: ‘Santo Padre, o senhor não pode fazer isso! Há heresias neste livro’”.

Quando Francisco contou a história ao próprio Kasper, declarou ele, o pontífice sorriu e acrescentou: “Isso entra por um ouvido e sai pelo outro”.

Esta foi a forma de Kasper contextualizar a notícia de que o czar doutrinal do Vaticano, o cardeal Gerhard Müller, tinha criticado duramente as líderes de mais de 40 mil irmãs americanas por desobediência a Roma e por “erros fundamentais” em suas crenças.

A Congregação para a Doutrina da Fé liderada por Müller vem tentando controlar as irmãs americanas há dois anos. Acreditava-se que as conversações estavam indo bem, sobretudo após a eleição do Papa Francisco. Mas as críticas de Müller e a dura advertência de que elas precisam levar em conta suas exigências pareceram constituir um grande revés às esperanças.

Kasper disse ter esperanças de que o confronto entre o Vaticano e a Conferência de Liderança das Religiosas (Leadership Conference for Women Religious – LCWR) seja superado.

“Se tivermos algum problema com a liderança das ordens femininas, então teremos que ter uma conversa com elas. Precisamos dialogar com elas, ter uma troca de ideias”, disse. “Talvez elas precisem mudar alguma coisa. Talvez também a Congregação (para a Doutrina da Fé) precise mudar um pouco a sua maneira de ver as coisas. Esta é a maneira normal de se fazer as coisas na Igreja. Estou aqui para o diálogo. O diálogo pressupõe posições diferentes. A Igreja não é uma unidade monolítica”.

“Devemos estar em comunhão”, continuou Kasper, “o que também significa [estar] em diálogo com o outro. Espero que toda esta controvérsia termine com um bom, pacífico e significativo diálogo”.

Na Universidade de Fordham, Kasper também elogiou uma teóloga feminista americana, a Irmã Elizabeth Johnson, que deverá ser homenageada pelas irmãs americanas e a quem Müller escolheu para criticar.

Müller chamou a atenção da LCWR por decidir homenagear Johnson sem, antes, buscar a aprovação de Roma. Johnson, famosa teóloga que leciona na Fordham, foi repreendida pela comissão doutrinal dos bispos americanos em 2011 devido aos debates que ela propôs em seu livro para o público geral intitulado “Quest for the Living God” [A busca pelo Deus Vivo].

Quando perguntado sobre Johnson e uma outra teóloga feminista, Elisabeth Schussler Fiorenza, cujas opiniões também foram contestadas pela hierarquia da Igreja, Kasper falou que as conhece há anos e acrescentou: “Eu estimo as duas”.

Kasper – companheiro de confiança de seu colega alemão, o cardeal teólogo Joseph Ratzinger, que depois se tornaria Bento XVI – disse que as críticas fazem parte do discurso acadêmico, porém, acrescentou, a congregação doutrinal “vê, às vezes, algumas coisas de uma forma um pouco estreita”.

Disse que a crítica a Johnson “não é uma tragédia e que iremos superar”. Observou que São Tomás de Aquino, o teólogo da Idade Média hoje considerado um dos maiores pensadores da Igreja, foi condenado pelo seu bispo, tendo que viver à sombra durante anos.

“Então ela está em boa companhia”, Kasper disse a respeito de Johnson.

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