Como é ter o Papa Francisco como seu chefe? Depende de onde você trabalha

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17 Março 2014

Como é vir para o trabalho todos os dias quando seu chefe é o papa?

No momento em que se marca um ano desde a eleição do Papa Francisco, a resposta provavelmente depende de se você for um trabalhador experiente ou novato, e se concorda com as reformas da burocracia vaticana ou se fica saudoso das velhas práticas.

A reportagem é de David Gibson, publicada pelo Religion News Service, 13-03-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em grande parte também depende de se você é um dos aproximadamente 3500 leigos (a maioria italianos) trabalhando no Vaticano ou se é um dos cerca de 1100 cardeais, bispos, padres, ou religiosos e religiosas que tendem a ocupar posições de tomadas de decisão e que se encontram profundamente investidos nas políticas que Francisco adota.

Este segundo grupo, muitas vezes definido por suas ideologias e rivalidades, tende a chamar mais atenção, dadas as apostas altas e as violentas paixões envolvidas.

“Eu mesmo ouvi pessoas dizerem: ‘Estamos rezando (por Francisco) morrer o quanto antes’”, disse o cardeal hondurenho Oscar Rodriguez Maradiaga a uma agência de notícias católica da Alemanha recentemente. “Isso é maldade; mas tais pessoas pensam que são cristãs”.

Não é de se admirar que o papa passou grande parte de seu primeiro ano no comando a alertar os cardeais e burocratas contra a participação nas intrigas, fofocas e favoritismos, coisas que ajudaram a levar Bento XVI, seu predecessor, a renunciar.

Na verdade, em sua homilia de Quarta-Feira de Cinzas o Papa Francisco, a certa altura, tirou os olhos de seu texto sobre a penitência e fitou o clero disposto ali a seu redor. Disse o papa: “Quando observo, neste pequeno ambiente rotineiro, várias lutas de poder em busca de posição, penso comigo mesmo: Estas pessoas estão tentando brincar de Deus, o Criador. Eles ainda não se deram conta de que não são Deus”.

Em qualquer instituição que enfrente o tipo de reforma estrutural e cultural que Francisco promete haverá alguma agitação. E tais conflitos podem mesmo ser mais acentuados em organizações dedicadas a uma missão, seja ela política ou religiosa. No entanto, há algumas dinâmicas que são peculiares à Santa Sé.

Burocracias enraizadas

Embora um papa seja o chefe do Executivo, legislador e juiz na Igreja Católica, em muitos sentidos ele tem menos flexibilidade na formatação de seu governo do que um novo presidente dos EUA que rapidamente substitui nomeações políticas em todos os níveis.

Os papas precisam agir de modo mais lento e circunspecto, porque não querem proceder como um chefe político e dividir a Igreja. Além do mais, precisam manter a burocracia papal a seu lado. Caso contrário, um novo papa – especialmente um estrangeiro como Francisco – pode muito facilmente ser isolado.

Os sacerdotes deram risadas porque ele disse que qualquer um que tenha vindo para Roma desde que Francisco foi eleito – mesmo se a pessoa seja italiana de nascimento, como o novo secretário de Estado, o cardeal Pietro Parolin – é chamado de “estrangeiro” pela velha guarda. “E todos os que estavam aqui presentes ficaram de fora”, falou.

“La Gioconda”

Sob o papado de Francisco, alguns nem mesmo sabem onde se encontram. Quando Francisco era um líder jesuíta na Argentina e cardeal Jorge Bergoglio, de Buenos Aires, os que trabalhavam com ele o apelidaram de “Mona Lisa” por causa de seu sorriso enigmático que parecia acolhedor, mas que nada revelava. Em grande parte ele pode estar sendo o mesmo hoje, e alguns em Roma se referem à Sua Santidade como “La Gioconda”.

“Ele sabe que ele é o papa”, explicou outro sacerdote americano familiarizado com o funcionamento interno do Vaticano no atual papado. “Ele sentará e ouvirá seus assessores, muitos dos quais ele gosta, e parecerá concordar com eles. E irá fazer exatamente o oposto”.

Sem surpresas, a velha guarda vem sendo a mais inquieta, e alguns deixaram pistas de seus descontentamentos escaparem. Dom Georg Gänswein, assessor próximo de Bento XVI mas que também trabalha com Francisco, lamentou algumas das “inovações” do papa. O cardeal Raymond Burke, americano que ocupou altos cargos em Roma durante anos, questionou os novos planos e prioridades do novo líder da Igreja.

Aqueles que agora estão no circuito, em evidência, como o cardeal Walter Kasper, um dos favoritos do papa, estão, pelo contrário, abraçando as mudanças e propondo outras mais, dando sugestões de que as mulheres recebam papéis de liderança na Cúria para ajudar a curar o “terrível vício” do carreirismo clerical. Ele também lançou a ideia de limites de tempo para autoridades e funcionários no Vaticano, e disse recentemente que a Cúria simplesmente tem muitos bispos.

Mas num nível mais mundano, há igualmente a preocupação entre os empregados leigos, a maioria dos quais vê o Vaticano como um emprego tanto quanto um chamado. As reformas na Cúria Romana, combinadas com os problemas financeiros do Vaticano, têm levado ao congelamento dos salários e a expectativas de cortes profundos nos níveis salariais e de pessoal.

“É preocupante, sim. Ninguém sabe onde estará a daqui um ano”, disse um alto funcionário do Vaticano, sacerdote europeu que pediu ficar no anonimato para poder falar livremente.

Mas este também é um daqueles da Cúria que pensam que a mudança é necessária e saudável.

“A incerteza pode ser boa”, afirmou. “Ela obriga as pessoas pensarem por si, e nós faremos uso disso por aqui”.

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