Papa quer estudar as uniões gays

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13 Março 2014

Naturalmente, não há nenhuma bênção no horizonte, muito menos uma abertura doutrinal. No entanto, sobre a mesa do papa, entre os muitos dossiês bem à vista, há também o dos casais gays. Um fascículo aberto para entender como e por que tantos Estados estão modificando as leis sobre a família tradicional.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 10-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O cardeal de Nova York, Timothy Dolan, explicou que o interesse de Francisco é de natureza social, visto que não existe nenhuma intenção de expressar aprovações ou de fazer aberturas. Nessa busca, há apenas "a sua necessidade de compreender as razões de quem toma decisões, em vez de condenar aprioristicamente".

A práxis inaciana

Como bom jesuíta, Bergoglio procede segundo a práxis inaciana, que é a de recolher pareceres e informações. No caso específico, o seu interesse se concentra na pastoral a ser praticada com relação às crianças que crescem com casais gays. Menores que têm o direito a um batismo, a ter um caminho de fé exatamente como todos os outros, nem mais, nem menos.

Dolan explicou que o casamento tradicional "não é algo que diz respeito somente à religião, os sacramentos. É também um elemento da construção da sociedade e da cultura. Portanto, é preciso estudá-lo. Se diluirmos o significado sagrado do matrimônio, não só a Igreja sofreria com isso, mas também a cultura e a sociedade".

Francisco explicou pessoalmente o que tem em mente com relação a isso aos seus superiores gerais, no fim de novembro. "Em nível educativo, as uniões gays colocam desafios novos que, para nós, às vezes são difíceis de compreender". O desafio é como acolher os seus filhos. Em suma, para o papa, os padres do futuro devem estar à altura de anunciar Cristo a uma geração que muda.

Depois, ele citou uma experiência sua em Buenos Aires. "Lembro o caso de uma menina muito triste que, no fim, confidenciou à professora o motivo do seu estado de espírito: 'A namorada da minha mãe não gosta de mim', disse. Eis os novos desafios. O percentual de jovens que estudam nas escolas e que tem os pais separados já é muito elevado. As situações que vivemos mostram afrescos que, para nós, às vezes são difíceis de compreender. Como anunciar Cristo a esses meninos e meninas?".

Justamente para entender os contextos em que se formam novos núcleos, o papa enviou a todas as conferências episcopais um questionário de 38 perguntas sobre casais gays, aborto, divórcio, relações pré-matrimoniais, eutanásia. O objetivo é o de reunir uma fotografia sobre como a sociedade está evoluindo. O Sínodo sobre a família convocado para outubro vai trabalhar nessa direção.

Uma pergunta em particular diz respeito às uniões gays. "Qual é a atitude das Igrejas particulares e locais, quer diante do Estado civil promotor de uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, quer perante as pessoas envolvidas neste tipo de união?". Seguido uma segunda pergunta: "No caso de uniões de pessoas do mesmo sexo que adotaram crianças, como é necessário comportar-se pastoralmente, em vista da transmissão da fé?".

Crianças

Há alguns meses, as palavras de Francisco sobre os casais homossexuais foram objeto de "instrumentalizações". Muitos observadores tinham lido o seu interesse como um iminente reconhecimento doutrinal. Nada disso. A Igreja de Bergoglio não pode abrir mão das novas realidades.

"No máximo, deverá estar atenta às novas gerações, acompanhá-las com afeto justamente a partir das suas situações, as mais variadas, muitas vezes difíceis, para não provocar reações negativas e contrárias à acolhida da própria fé".

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