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Por: André | 12 Março 2014

Outrora, falava-se de “preconceito” para designar as crenças que cada um de nós tinha dificuldades de questionar. Hoje, os progressos do conhecimento científico relativos ao funcionamento do cérebro substituíram a palavra “preconceito”, um conceito aparentemente pedante, mas cuja significação é simples, pela de “filtro cognitivo”. Designa-se assim o mecanismo mental que, às vezes sem o nosso conhecimento, afasta da nossa consciência qualquer informação que ameaçaria sua coerência. Em outras palavras, nós não registramos tais informações. Elas são vistas como fora de nós por esse “filtro” cerebral.

A reportagem é de Jean-Claude Guillebaud, escritor e ensaísta, e publicada por La Vie, 04-03-2014. A tradução é de André Langer.

Eu pensava nisso ao acompanhar a crise na Ucrânia e a resistência sangrenta, até heróica, dos militantes da Praça Maidan. Durante dias e dias as televisões nos mostraram esse patético campo de batalha. A imprensa escrita, por sua vez, exaltou – com toda a razão – a coragem desses manifestantes, dezenas dos quais pagaram com suas vidas. Ora, durante essas longas e tumultuosas jornadas, um “detalhe” foi quase omitido pelos meios de comunicação. Esquecido? Tudo se passou como se um “filtro cognitivo” tivesse funcionado em escala coletiva.

De que “detalhe” se trata? Este: o fato de que em Maidan os manifestantes rezaram muito. Melhor ainda, os padres ortodoxos estiveram presentes o tempo todo e – a maioria – muito engajados do lado da revolução, isto é, contra a tirania, contra a tutela de Moscou, contra a corrupção. Recordemos que tudo isso se passava na Ucrânia, numa ex-república da URSS, submetida durante três quartos de século a um regime de ateísmo obrigatório e de perseguição religiosa. A fé combativa permaneceu intacta.

Mais surpreendente ainda: a Ucrânia é o país que viu nascer, em 2008, o movimento Femen. Essas ativistas da nudez lutaram originalmente contra o peso de Moscou, a corrupção e – sobretudo – a prostituição, que se tornou uma das pragas do país. A partir do começo de 2010, elas concentraram suas ações contra a religião em geral e, particularmente, contra o cristianismo. Elas chegaram até a cortar uma cruz, primeiro na Ucrânia e depois nos Países Baixos.

Tendo tudo isso na memória, os nossos meios de comunicação tiveram dificuldades para simplesmente “ver” que muitos manifestantes de Maidan rezavam, acendiam suas velas, faziam seus filhos rezarem e honrarem seus “mártires”, mortos pelos Berkut (capangas do regime). O quê? Os cristãos não estavam, então, do lado da dominação? Os padres ortodoxos ou uniatas escolheram o campo da revolta? Visivelmente, a informação era tão perturbadora que se preferiu não falar disso. Ou muito pouco. Verificação feita, será difícil encontrarmos vestígios dessa constatação na nossa imprensa. Em relação aos comentários, eles foram ainda mais raros.

Ah, certamente, a ortodoxia ucraniana permanece dispersa entre muitas Igrejas, patriarcados (o de Moscou e o de Kiev), sem falar do arcebispo da Igreja uniata, que depende do Vaticano. Em Maidan, nem todos estavam mobilizados. O que não impede que muitos cristãos tenham participado. No lugar da Femen...

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