Francisco e os antecessores: os segredos da popularidade de um papa

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12 Março 2014

A um ano da sua eleição a papa, para Francisco, os índices de popularidade continuam sendo altos, muito altos. Em um país como os Estados Unidos, o Pew Research Center constatou que, ainda em março de 2013, 84% dos católicos eram muito ou bastante favoráveis ao novo papa, e igualmente o são agora, para ser exato na medida de 85%, com os "muito favoráveis" até mesmo acima da metade do total.

A nota é de Sandro Magister, publicada no blog Settimo Cielo, 07-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas o Pew Research tem uma longa memória. Ele ressalta que Bento XVI também tinha chegado a esses mesmos níveis de popularidade em 2008, com 49% de "muito favoráveis" e 34% de "bastante favoráveis", que, somados, faziam 83% dos católicos norte-americanos.

Níveis que o Papa Joseph Ratzinger tinha conquistado passo a passo, depois de ter partido em 2005 de modestos 17% de "muito favoráveis" e de mornos 50% de "bastante favoráveis".

Sem falar, depois, do Papa Karol Wojtyla, que, no auge do seu pontificado, nos anos 1990, recebia repetidamente fantásticos 93% de consensos.

As pesquisas do Pew Research também registraram, durante muitos anos, uma generalizada e crescente demanda de reformas entre os católicos norte-americanos, como a liberdade de contracepção, o casamento para os padres, o sacerdócio para as mulheres e até mesmo, embora com um apoio menor, o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Mas, a partir desses dados, não há nenhuma indicação de que o favor dado a um papa dependa das suas "aberturas" sobre tais matérias. A popularidade não é sinônimo de facilidade e de condescendência. Ao contrário.

Tomemos o caso de João Paulo II. Quando estava no apogeu da sua popularidade, ele publicou a encíclica Veritatis splendor (1993), inflexível sobre as mais controversas questões da moral, e a outra encíclica, Evangelium vitae (1995) com páginas terríveis contra o aborto e a eutanásia.

Ele combateu uma batalha campal contra o universo mundo com dezenas de discursos em rajadas em defesa da vida, antes, durante e depois da conferência da ONU sobre a população, realizada no Cairo em 1994.

Pronunciou o anátema contra as mulheres sacerdotes na carta apostólica Ordinatio sacerdotalis do mesmo ano de 1994. E, mais uma vez em 1994, convocou o Ano da Família e escreveu uma carta aos bispos para reafirmar a proibição da comunhão aos divorciados em segunda união.

Quanto a Bento XVI, é de 2008, no ápice da sua "sorte", a declaração Dignitatis personae sobre as questões candentes da bioética. É de 2007 o motu proprio Summorum pontificum, que liberalizou a missa no rito romano antigo. É do mesmo ano a encíclica Spe salvi, que renovou a fé nos "novíssimos".

E, também em 2008, com a viagem aos EUA, ele conquistou uma popularidade superior a qualquer expectativa no país mais hostil no campo minado da pedofilia. E, com a viagem para a França, fez com que a intelligentsia mais prejudicialmente hostil à Igreja, escutasse, obtendo o seu respeito, o mais refinado manifestado do seu pontificado, a lição ao Collège des Bernardins.

O chamado "efeito Francisco" sobre a prática religiosa também sai redimensionado das pesquisas do Pew Research. Há um ano, a frequência à missa dominical dos católicos nos EUA – que é de 40% – não registrou nenhuma variação nem a mais nem a menos, enquanto a frequência à confissão caiu ainda mais. A única novidade foi um despertar de "fervor" entre os católicos já praticantes.

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