Antonio Spadaro diz ser necessário reavaliar a busca espiritual

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01 Março 2014

O jesuíta Antonio Spadaro, editor da revista Civiltà Cattolica, durante a apresentação de seu livro sobre o Papa Francisco no Vaticano em 04-12-2013. (CNS/Paul Haring)

As mudanças na área da tecnologia alteraram profundamente a busca humana por espiritualidade e exigem que os católicos reavaliem a forma como consideram a sociedade, disse o jesuíta famoso por ter entrevistado o Papa Francisco numa conferência internacional de comunicação na última terça-feira.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 27-02-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Dizendo que a internet trouxe uma “mudança radical na percepção da própria questão religiosa”, o padre jesuíta Antonio Spadaro afirmou que a visão tradicional católica da espiritualidade “não se sustenta na atualidade”.

Onde os humanos certa vez se perguntaram: “Deus, onde você está?”, hoje pensamos na questão espiritual quase em termos de uma rede de telefonia móvel, estando à espera de que as respostas cheguem aos nossos múltiplos dispositivos, disse Spadaro. Num sistema como este, não importa mais que o guia espiritual dê respostas porque “as respostas estão em todo o lugar”.

Disse que na atualidade “não são as perguntas o que importam, mas sim as respostas. Precisamos aprender a distinguir as verdadeiras perguntas a partir das respostas que nos são continuamente dadas”.

Antonio Spadaro, editor-chefe da revista jesuíta italiana “La Civiltà Cattolica”, falou na quarta-feira durante uma conferência global organizada pela SIGNIS, uma associação internacional de profissionais católicos da mídia.

Spadaro escreveu um livro sobre cibertecnologia, lançado em 2012 sob o título “Ciberteologia”, em italiano. Ele ficou conhecido após uma longa entrevista com o papa, a qual foi publicada no último mês de setembro em várias línguas em 16 periódicos ao redor do mundo, todos eles relacionados com a ordem dos jesuítas.

Por causa de seu aparente acesso ao pontífice, Spadaro vem sendo mencionado por alguns analistas como possivelmente o próximo diretor do escritório de imprensa do Vaticano, na ocasião em que o atual diretor – o padre jesuíta Federico Lombardi – se aposentar.

Na terça-feira Spadaro comparou seu ponto de vista sobre a nova busca espiritual com os pensamentos que o Papa Francisco partilhou em novembro passado durante um encontro com os líderes das ordens religiosas masculinas de todo o mundo.

Spadaro, que esteve presente neste encontro a portas fechadas, disse que perguntaram ao papa por que a maioria das vocações para a vida religiosa vem de regiões do mundo que não são tradicionalmente consideradas católicas, ou mesmo cristãs.

O papa respondeu: “Sei lá!”, disse Spadaro.

“Um papa que responde assim tem algo a dizer”, acrescentou. “É mais do que uma resposta. Talvez esta seja uma grande resposta porque ela nos faz pensar”.

Voltando ao assunto das mudanças na área da tecnologia, Spadaro continuou: “Esta talvez seja resposta a mais importante de nossa época”.

Entre os dias 25 de fevereiro a 1º de março, a SIGNIS – formalmente conhecida como a Associação Católica Mundial para a Comunicação – está realizando sua conferência em Roma com o tema: “Criando imagens com a nova geração: Mídia para uma cultura de paz”.

Segundo os organizadores, mais de 300 profissionais de comunicação participam do evento. Os participantes vêm de 80 países, representando uma grande variedade de povos, incluindo Austrália, Índia, Taiwan, e mais de uma dúzia de países africanos.

Ao enviar uma mensagem aos participantes na segunda-feira, o Papa Francisco disse que os comunicadores católicos, hoje, são “desafiados a apresentar a sabedoria, a verdade e a beleza do Evangelho em linguagem capaz de tocar a mente e o coração das incontáveis pessoas que carecem de sentido e direção em suas vidas como indivíduos e membros da sociedade”.

Na terça-feira Spadaro deu uma palestra sobre “A cultura digital emergente: Perspectivas éticas e espirituais”. Entre outros aí presentes estava o monsenhor Paul Tighe, secretário do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, do Vaticano.

Tighe, um irlandês que trabalha no Vaticano desde 2007 e que é, em parte, responsável pelas contas mundialmente populares do papa no Twitter, contou aos participantes que o “primeiro serviço deles” é ouvir o que as pessoas estão dizendo na internet.

“Acho que o primeiro serviço que precisamos fazer é aquele de deixar emergir as questões mais profundas na arena digital”, falou o religioso, pedindo aos os comunicadores que levem as perguntas a sério mas que “não se apressem em respondê-las”.

“Se quisermos estar lá onde as pessoas estão à procura de algo, que façamos sem nos apressar com as respostas”, completou.

“Deus encontrará as pessoas”, disse. “Isso não depende de nós. As pessoas, em sua natureza, estão à procura por algo. Nossa tarefa não é ficar no caminho, não é bloquear a passagem”.

Spadaro comparou sua nova visão da busca espiritual com as dezenas (ou centenas) de emails que mensagens que a maioria das pessoas recebem sem seus aparelhos telefônicos todo dia, dizendo que o ser humano é, hoje, essencialmente um “decodificador”.

“Decodificamos questões a partir de uma multiplicidade de respostas que vêm ao nosso encontro sem qualquer esforço de nossa parte”, falou.

Citando breves observações feitas pelo Papa Paulo VI em 1964 quando visitava um centro tecnológico, Spadaro disse que o falecido pontífice declarou: “A ciência e a tecnologia estão se tornando irmãs novamente”.

“O cérebro mecânico está chegando para auxiliar o cérebro espiritual”, citou Spadaro.

Referindo-se a esta descrição como sendo de uma “beleza assombrosa”, Spadaro disse que “o que daí se segue é uma definição teológica implícita de tecnologia”.

Paulo VI ouviu um clamor (...) por um nível mais alto de espiritualidade”, disse. “Novas tecnologias podem ajudar a satisfazer o desejo de sentido, verdade e unidade”.

Spadaro terminou sua fala comparando a internet com os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola, um dos fundadores da ordem jesuíta. Tradicionalmente dados na forma de um retiro espiritual de 30 dias, os exercícios se centram em fazer com que os retirantes se imaginem dentro de uma história do Evangelho: ouvindo, sentindo e tocando tudo o que está presente na história.
Os exercícios, disse Spadaro, têm um “senso de realidade virtual”.

“É a mesma dinâmica de um videogame”, falou. “Ver-se dentro da cena, contemplando a Jesus, Maria, José e você próprio agindo. Isso é muito interessante”.

SIGNIS é uma associação internacional que remonta a grupos fundados em 1928 por profissionais católicos de mídia que visavam ajudar a “transformar nossas culturas à luz do Evangelho”.

Composto por membros de aproximadamente 140 países, SIGNIS tem status consultivo junto à UNESCO, à ONU em Genebra e em Nova York, além do Conselho da Europa.

O encontro desta semana também terá 11 oficinas para os comunicadores de todo o mundo sobre tópicos que vão das melhores práticas em comunicação digital até a criação de programas de TV a serem exibidos no Oriente Médio no intuito de promover o diálogo entre os jornalistas mais antigos e os mais jovens.

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