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Por: André | 28 Fevereiro 2014

“Evangelizar em uma metrópole significa encontrar espaço para o encontro com Jesus, encontrar espaços humanos. E privilegiar o encontro com os pobres”. O cardeal arcebispo de Manila, Luis Antonio Tagle (foto), celebrou no domingo passado no “Duomo” de Milão uma missa para 20.000 filipinos que vivem na cidade italiana, e voltou à capital da Lombardia para reunir-se com os sacerdotes e com os leigos dos conselhos de pastoral. O diálogo e as experiências sobre como se anuncia o Evangelho nos países distantes, mas com problemas semelhantes, são um dos pontos mais importantes do programa pastoral do cardeal Angelo Scola, que já havia convidado à diocese o arcebispo de Viena, Cristoph Schönborn e tem a intenção de convidar para o ano que vem os cardeais Sean O’Malley (de Boston) e John OlorunfemiOnayekan (de Abuja). Uma forma de estar em comunicação, cujo objetivo principal é o intercâmbio das diferentes experiências.

 
Fonte: http://bit.ly/1hp690U  

A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada no sítio Vatican Insider, 26-02-2014. A tradução é de André Langer.

Luis Tagle deixou uma marca particular naqueles que o escutaram, graças à seu frescor e à autenticidade das suas palavras e anedotas. Não é casual que há exatamente um ano as duas intervenções mais apreciadas nas discussões dos cardeais antes do Conclave tenham sido justamente as de Jorge Mario Bergoglio e a sua.

Tagle também se reuniu com os jornalistas, a quem resumiu o conteúdo da sua comunicação. Explicou que para a evangelização nas metrópoles o primeiro passo consiste em “encontrar e oferecer” espaço para o encontro com Jesus, não tanto ou não apenas espaço físico, mas o “espaço humano”: o encontro, a relação. “A fé cristã – recordou o cardeal filipino – não é somente uma ética e não é uma ideologia, mas o encontro com o Ressuscitado”. O espaço humano “é muito importante, particularmente para nós asiáticos”. E, sobretudo, deve-se privilegiar os pobres, que, para Tagle, são “nossos mestres”.

O arcebispo de Manilla indicou algumas das atividades caritativas da Igreja: por exemplo, o fato de que as paróquias acolham uma vez por semana os pobres para que tomem um banho. Depois recordou a presença no mundo das comunicações sociais (tem um programa, gravado, às 4h30 com um pensamento de um minuto, e uma vez por semana dedica uma hora ao comentário das Leituras, ao vivo). Também explicou que evangelizar significa narrar a história de Jesus. “Se há dois ou três asiáticos reunidos, já há uma história para narrar! As pessoas das grandes cidades experimentam muitas dificuldades e problemas, mas também verdadeiros dilemas, isto é, problemas que muitas vezes ficam sem resposta”.

“Nós propomos – acrescentou – não soluções, mas histórias de pessoas que navegaram e sobreviveram. E, sobretudo, a história de Jesus”. Tagle destacou a importância da piedade popular e recordou a peregrinação de quase 18 horas para a Festa do Nazareno negro (uma estátua de Jesus), da qual participam cada ano 10 milhões de fiéis: “Quase todos são pobres, famílias que sofrem, que encontram em Jesus um companheiro nos dilemas de suas vidas. Narrar a história de Jesus exige a compreensão dos mundos de quem escutam”.

O cardeal contou uma anedota a este respeito. Encontrou-se com uma menina na comunidade de 20.000 famílias que vivem na “smoking mountain”, uma montanha de lixo fumegante. “A menina, toda suja, veio a mim de joelhos, começou a tocar o meu nariz e as orelhas, e disse: “Tu és o da foto da capela!” Tratei de lhe dizer que não era eu e quase começou a chorar. Me reconheceu porque sempre foi à capela que está aí, e havia visto, junto ao tabernáculo, a foto do arcebispo. Nos bairros ricos de Manila não há muitas crianças que reconhecem o arcebispo da foto”.

Tagle explicou que evangelizar significa “construir pontes” entre “ilhas isoladas”, consiste em eliminar o isolamento e a solidão. “A paróquia deve ser uma casa, um lugar de participação e corresponsabilidade. Em Manila, procuramos ter um percurso de formação comum entre sacerdotes e leigos comprometidos com a pastoral”.

Depois o cardeal falou sobre a sensibilidade particular dos jovens e sobre a necessidade da comunhão: “muitos vêm de famílias feridas, vêm à paróquia porque buscam uma segunda casa. E pedem aos párocos: ‘Sejam pais para nós!’” Tagle concluiu com duas anedotas significativas. “Um amigo meu me pediu para que falasse com sua filha adolescente, que queria afastar-se da família. Recebi-a no meu escritório; tinha uma atitude rebelde. Disse-me: ‘Meu pai me proíbe de fumar, mas ele fuma muitíssimo. Meu pai me disse para economizar, mas depois gasta muitíssimo no fim de semana. São falsos! Vocês são todos falsos!’ Esta menina é uma inimiga? Não, é uma amiga que grita por causa da falta de autenticidade e integridade em sua família... Ofereceu-me o espaço humano para contemplar o chamado de Jesus: ‘Convertam-se’”.

A segunda anedota: “Participei de um acampamento de verão com jovens, respondi às suas perguntas, me pediram que cantasse com eles, quiseram tirar fotos comigo e muitos deles me pediram que autografasse as camisetas que estavam usando. Um ano depois me encontrei com um dos jovens que havia participado do acampamento. Disse-me: ‘Nunca mais lavei a camiseta com seu autógrafo; cada dia a dobro e a coloco debaixo do travesseiro. Não vejo o meu pai há muitos anos, mas com essa camiseta sei que tenho um pai em ti...’.

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