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Por: Cesar Sanson | 19 Fevereiro 2014

O Luís que nasce. O Luís que morre. São vários Luíses. Eles se espremem nos ônibus, são ambulantes, morrem nos corredores dos hospitais. Vivem. Sobrevivem. São vítimas de uma história que não é nova no estado nordestino. Mas da boca dos Luíses pouco se ouve. "Muitas pessoas no Maranhão sabem o que acontece aqui, mas têm medo de falar”.

A reportagem é da revista CartaCapital, 19-02-2014.

O longa metragem Luíses- Solrealismo Maranhense, de Lucian Rosa, foi lançado em outubro de 2013 em festivais, mas estreia agora na internet para poder disseminar com mais rapidez a situação da população maranhense. Depoimentos de jornalistas, moradores de rua e usuários do sistema público de saúde denunciam o descaso no poder público no reduto da família Sarney. “O filme está falando, oficialmente, da corrupção no Maranhão”, diz Rosa.

O documentário é uma produção do "Éguas Coletivo Audiovisual". O filme se utiliza de elementos ficcionais para falar sobre o cotidiano. O público, por vezes, se confunde sobre quem são os personagens da ficção e os “da vida real”.

Segundo os documentaristas, a luta para que o filme seja visto é difícil, pois todo o complexo midiático está nas mãos da família Sarney ou de aliados, limitando a divulgação do longa. "Enquanto o Brasil noticiava os crimes nas penitenciários do Maranhão, os telejornais locais silenciavam o caso. Nos comerciais, são quatro minutos só de propaganda do governo”, relata Rosa. "Eu fico me perguntando se o Brasil não tem culpa de o Sarney ter o poder que tem: são inúmeras alianças e um passado na história recente que me fazem acreditar nisso. A política aqui, tanto local, quanto nacional, atrapalha demais o estado e as pessoas...Não é um problema só do Maranhão.”

Segundo a produtora Keyciane Martins, o documentário quer dar inicio a "um movimento genuinamente maranhense, envolvendo artistas, professores, moradores de rua..."

O filme Luises- Solrealismo maranhense já ganhou prêmios de melhor direção, melhor ator e melhor direção de arte no festival “Guarnicê”, o maior do Maranhão, e foi exibido em diversas mostras de cinema. Para ser realizado, apesar do orçamento limitado, o longa fez campanha e arrecadou 1.200 reais para a produção, que aconteceu entre 2012 e 2013.

Toda a equipe, ressalta Lucian, trabalhou voluntariamente. O longa contou com a ajuda do músico Zeca Baleiro, que autorizou o uso da canção A Serpente para embalar o filme. A letra do maranhense destaca: “Eu quero ver a serpente acordar, para nunca mais a cidade dormir”.  O filme, agora, busca verbas para levar o documentário para o Interior do Maranhão, onde geralmente a internet não chega.

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