Cresce o boicote econômico europeu a Israel

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13 Fevereiro 2014

Haitham Barakat não conhece Scarlett Johansson. Mas esse palestino de Ramallah tem uma causa comum com a atriz americana ao defender a fábrica da SodaStream, sua empregadora, na Cisjordânia.

A reportagem é de Calev Ben-David, publicado pelo jornal Valor

O papel de Scarlett como porta-voz celebridade da fabricante israelense de máquinas de bebidas gasosas levou a uma polêmica pública, em janeiro, entre a atriz e a Oxfam International, a ONG britânica de ajuda humanitária que a tinha como embaixatriz de boa vontade. Scarlett elogiou a SodaStream como empresa "que constrói uma ponte para a paz entre Israel e a Palestina, ao apoiar vizinhos que trabalham lado a lado".

A Oxfam diz que a SodaStream e outras empresas israelenses que operam na Cisjordânia "favorecem a pobreza e a negação de direitos" aos palestinos ao ocupar um território reivindicado por eles para um futuro Estado. Barakat apenas quer trabalhar. "Eles deveriam nos deixar em paz aqui, pois não há nenhum outro emprego para nós."

As diferenças da Oxfam com Scarlett refletem a crescente polêmica em torno da Cisjordânia ocupada e as empresas israelenses que operam na área. Há uma década os partidários do Estado palestino movem uma guerra econômica da sociedade civil contra Israel, nos moldes da mobilização contra a África do Sul da era do Apartheid.

Ativistas conclamaram varejistas, acadêmicos, comunicadores e igrejas a pôr na lista negra as empresas e instituições israelenses que operam na Cisjordânia e em Jerusalém oriental, territórios ocupados por Israel na guerra de 1967, mas reivindicados pelos palestinos. Alguns querem ampliar o embargo comercial a todo o Estado de Israel, e não só aos assentamentos, que a comunidade mundial considera ilegítimos ou mesmo ilegais.

Israel e seus defensores atacam a campanha por selecionar o Estado judeu como alvo de punição ao mesmo tempo em que ignora regimes ditatoriais com históricos deploráveis de direitos humanos.

O impacto econômico do movimento de boicote até agora foi pequeno. Mas a campanha vem ganhando impulso na Europa. Isso gera a perspectiva de que a União Europeia (UE), o maior parceiro comercial de Israel, possa finalmente fazer o que as autoridades israelenses tentam barrar há anos: reavaliar seu acordo comercial preferencial com o país, para refletir a oposição aos assentamentos.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, disse no dia 2 que "tentativas de impor um boicote ao Estado de Israel são imorais e injustas" e que estimulam os palestinos "a manter-se fiéis a suas posições intransigentes". O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, mediador das negociações entre Israel e palestinos, fez sua própria advertência de que o governo de Netanyahu tem pela frente "uma crescente campanha de deslegitimização", que inclui boicotes.

Só um punhado de empresas foi diretamente afetado pelos protestos, como a SodaStream e a fabricante de creme para a pele Ahava Dead Sea Laboratories, que em 2011 fechou uma loja em Londres, alvo dos manifestantes. "Não posso dizer que tenham causados grandes prejuízos para as companhias", diz Israela Many, vice-diretora econômica da Federação de Câmaras de Comércio Israelenses.

Nos últimos meses, porém, o boicote computou algumas vitórias mais relevantes. O fundo soberano da Noruega, de US$ 811 bilhões, o maior do mundo, renovou sua proibição de investir em construtoras israelenses que operam fora das fronteiras de 1967.

A gestora holandesa de ativos PGGM disse que não fará novos investimentos nos cinco maiores bancos israelenses devido "a seu envolvimento no financiamento de assentamentos israelenses". Em 2013, a empresa de água holandesa Vitens encerrou a parceria com a central israelense de abastecimento de água Mekorot devido à questão dos assentamentos.

Mais alarmante, para as autoridades israelenses, foi a decisão tomada pela UE em novembro de emitir novas diretrizes para as doações, de € 70 bilhões, destinadas a um programa de pesquisa. A diretriz especifica que os recursos do programa não podem ser cedidos a universidades ou empresas israelenses com operações em Jerusalém oriental ou na Cisjordânia.

Este mês, Lars Faaborg-Anderson, embaixador da UE em Israel, disse que o país pode ficar ainda mais isolado em relação a "agentes econômicos privados" da Europa, como consumidores, empresas e fundos de pensão, "caso o processo [de paz] fracasse e a expansão dos assentamentos persista".

O ministro das Finanças de Israel, Yair Lapid, que apoia os esforços de Kerry por um acordo com os palestinos, estima que, se as exportações para a Europa, que representam um terço das vendas externas de Israel, caírem 20%, a economia do país sofrerá uma perda de US$ 3 bilhões, ou cerca de 1%, ao ano. E quase 10 mil pessoas perderiam o emprego. "A economia de Israel enfrentará uma drástica reviravolta que doerá muito no bolso de cada israelense".

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