A Igreja como uma mesa fraterna a que todos são chamados. Artigo de Enzo Bianchi

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11 Fevereiro 2014

Nós pusemos e mantemos muitas barreiras para o banquete eucarístico, quando Jesus não excluiu nem mesmo Judas, que o traía: a mesa do Corpo do Senhor é para a vida dos fiéis e, portanto, também para a remissão dos seus pecados.

A reflexão é do monge e teólogo italiano Enzo Bianchi, prior e fundador da Comunidade de Bose, em artigo publicado na revista Jesus, de fevereiro de 2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

São muitas as imagens da Igrejas criadas ainda pelos autores das Sagradas Escrituras (templo, corpo, arca, rebanho etc.), mas quando eu tento pensar na Igreja e representá-la, prevalece em mim a imagem da Igreja como mesa: uma mesa pronta e preparada para toda a humanidade, para todas as gentes e em todas as épocas da história.

Além disso, mesmo a descrição da Igreja nascente nos Atos dos Apóstolos faz alusão a uma mesa à qual cristãos são assíduos, para se alimentar da Palavra e da Eucaristia (cf. At 2, 42). Mas também segundo os Padres da Igreja do Oriente e do Ocidente, essa mesa, justamente por ser a mesa da Palavra e do Pão, também era mesa de fraternidade e de comunhão.

O Concílio retomou essa imagem da mesa, tornou-a fortemente eloquente, e todos os católicos já não conseguem pensar na missa sem ver nela a participação em um banquete em que todos se alimentam da Palavra, do Pão e do Vinho, Corpo e Sangue do Senhor, e são regenerados na fraternidade. Busquemos aprofundar, portanto, essa tríplice imagem da mesa, que é a Igreja.

Acima de tudo, os cristãos são chamados pela Palavra de Deus. Certamente, são homens e mulheres em busca, mas a Palavra de Deus os precede, os atrai e os surpreende, seduzindo-os e inspirando-os um "sim", um "amém". A sua fé, de fato, nasce da escuta (cf. Rm 10, 17). Essa Palavra que os chamou, torna-se para eles um alimento do qual precisam absolutamente para viver como discípulos de Jesus.

A Palavra de Deus, de fato, é uma realidade viva (cf. Hb 4, 12), que dá a vida, não fornece informações e conhecimento intelectual, mas vivifica, transforma, converte, cria. Sem essa Palavra, nenhum cristão pode viver! Portanto, participar da mesa da Palavra, ao menos a cada domingo, significa renovar a aliança com Deus, conhecer os pensamentos de Deus e ser habilitado a ouvir a Palavra de Deus presente na história, nos irmãos e nas irmãs, na própria consciência, onde ela fala como "um silêncio contido" (1Reis 19, 12), mas fala... Ai de quem pensa que a Palavra de Deus é apenas letra e escrita, é atemporal, é um manual de ética.

Justamente no seu ser mesa da Palavra, a Igreja também sabe que é mesa da Eucaristia, mesa da resposta a Deus na ação de graças, mesa que é presidida pelo Senhor, mesa da qual parte o convite: "Felizes os convidados para a mesa de Senhor" (cf. Ap 19, 9). Há um banquete para comer e beber, para fazer festa e se sentir todos filhos do Pai, filhos no Filho, membros do seu corpo vivo. Para dele participar, devemos apenas estar prontos para lavar os pés uns dos outros (cf. Jo 13, 14), comprometidos a nos amarmos reciprocamente.

Não podemos nos unir ao Cristo Senhor separando-nos entre nós, vivendo sem reconciliação, desmentindo o único e último mandamento: "Amai uns aos outros" (Jo 13, 34; 15, 12). O Senhor não nos pede senão a sermos abertos ao seu amor. No entanto, nós pusemos e mantemos tantas barreiras para o banquete eucarístico, quando Jesus não excluiu nem mesmo Judas, que o traía: a mesa do Corpo do Senhor é para a vida dos fiéis e, portanto, também para a remissão dos seus pecados.

Por fim, a Igreja é mesa da fraternidade: os que participam da mesma comida da Palavra e do Pão da vida, tornando-se o Corpo do Senhor, são todos filhos do Pai e, portanto, todos irmãos e irmãs.

Todos em uma só mesa, capazes, portanto, de compartilhar, de participar de um único evento de festa, o banquete do Reino. Comunhão eucarística significa, acima de tudo, comunhão fraterna em Cristo, e na Eucaristia nunca se pode separar o Cristo dos irmãos.

Na minha casa, nos dias de festa, sempre se deixava uma cadeira vazia para a eventual chegada de um hóspede inesperado, um pobre... Na mesa da Igreja, as cadeiras vazias devem ser muitas, cadeiras à espera de alguém que vem, se senta e come conosco. Então, a festa será mais festa. Sim, que a Igreja comece a convidar para a mesa, faça sentir que todos possam estar à sua mesa como irmãos: quem é acolhido descobrirá, depois, que a mesa da fraternidade também é mesa da Palavra e da Eucaristia.

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