''Acusações demais. Estamos combatendo a chaga da pedofilia''. Entrevista com Hans Zollner

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10 Fevereiro 2014

"O que se nota é que o relatório final das Nações Unidas aborda um leque de questões amplo demais. Ele não trata só do tema dos abusos, mas também dos direitos das crianças ilegítimas, e depois fala desagradavelmente da doutrina moral da Igreja, como ela deveria mudar segundo a ONU. Em suma, um pouco excessivo."

Essa é a opinião do padre Hans Zollner, jesuíta e responsável pelo Centro para a Proteção da Infância, da Pontifícia Universidade Gregoriana.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 06-02-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Você leu a acusação da ONU de que a Santa Sé teria dificultado a implementação da justiça, na perseguição de todo crime contra os menores?

Li: são recomendações que vêm até nós de uma comissão que não tem competência jurídica. Houve uma audiência em Genebra no dia 16 de janeiro, e tanto a Santa Sé quanto os especialistas das Nações Unidas expuseram um relatório rico de dados. Foi-nos apontado que devemos melhorar a implementação da legislação canônica com as diretrizes exigidas às conferências episcopais individuais. Além disso, foi-nos pedido para refletir sobre o conceito de responsabilidade e de corresponsabilidade por parte dos superiores, bispos ou superiores gerais de ordens religiosas.

Você esperava um relatório tão duro?

O que se nota é que o relatório final aborda um leque de questões amplo demais. Ele não trata só do tema dos abusos, mas também dos direitos das crianças ilegítimas, e depois fala desagradavelmente da doutrina moral da Igreja, como ela deveria mudar segundo a ONU. Em suma, um pouco excessivo.

Você me parece estupefato...

É um relatório crítico e severo. Sabíamos que se tratava de uma prova nada fácil. Há passagens que nos reconhecem progressos positivos nesses anos, mas, a meu ver, o fenômeno na sua totalidade foi abordado com uma visão velha, velha, porque não leva em conta as mudanças que ocorreram e, por isso, não avalia adequadamente os passos radicais que Igreja Católica deu para combater a chaga em seu interior. Dizer que a Igreja nunca fez nada é contra a verdade objetiva.

Mas houve coisas erradas no passado, violências silenciosas, bispos ocultadores, padres monstros nunca punidos...

Ninguém nega isso. Mas dizer que a Igreja sempre escondeu os pedófilos não corresponde à verdade. Infelizmente, houve casos, casos demais, em que bispos e outros superiores agiram cobrindo os abusadores. Mas dizer que a Igreja nunca protegeu as crianças é outra coisa.

O núncio de Genebra, Tomasi, afirma que, provavelmente, organizações não governamentais que têm interesses no casamento gay e no aborto reforçaram uma certa linha ideológica dentro da Comissão da ONU...

O que se nota é que o relatório é surpreendentemente rico em exemplos singulares. Certamente, há repercussões políticas, e entreveem-se avaliações determinadas que um órgão internacional neutro certamente não deveria ter.

Então, o que acontece depois desse julgamento negativo?

Não devemos desanimar. A Igreja é um organismo que existe em 190 Estados, e uma das coisas que deverá ser reforçada são as diretrizes dos episcopados, que deverão levar em consideração as leis civis em vigor. A colaboração está fora de discussão, mas a modalidade muda de nação para nação. A legislação na Itália é diferente da que existe na França ou na Uganda. Não existe uma abordagem unívoca.

O papa acaba de instituir uma comissão para a proteção dos menores. Do que se trata?

Eu conversei a respeito com o cardeal O'Malley em dezembro. Em poucos dias, todos saberemos mais sobre a composição e as orientações operacionais. Na Universidade Gregoriana, nós, jesuítas, começamos a trabalhar em um programa de prevenção em nível internacional. Voltamo-nos para as escolas católicas e os colaboradores paroquiais, e o nosso objetivo é chegar a todos aqueles que estão em contato com as crianças para que possam ter condição de poder reconhecer logo quando há abusos ocorrendo. É preciso proceder de um certo modo para tratar com as pequenas vítimas e com os abusadores. É um programa em ascensão que já é aplicado em dez países.

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