Philomena Lee da vida real se encontra com o papa: ''Me libertei da vergonha''

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10 Fevereiro 2014

A Igreja? "Eu não sinto mais rancor, não poderia viver 62 anos com esse sentimento". No dia seguinte ao encontro com o Papa Francisco – "foi uma grande honra, é uma pessoa especial, me comoveu" –, Philomena Lee se sente livre. Livre da "vergonha" que trazia consigo há décadas. A irlandesa Lee, hoje, tem 80 anos, e a sua história tornou-se um filme (Philomena, dirigido por Stephen Frears), já um grande sucesso de crítica e de bilheteria, candidato a quatro prêmios Oscar.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada no jornal La Stampa, 07-02-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Rebobinemos a fita então: em 1952, recém-adolescente, Philomena ficou grávida. Como muitas outras mães solteiras, foi mandada para um convento, onde foi forçada a abandonar o filho depois do parto. A criança foi enviada para os EUA, onde, com a ajuda do jornalista Martin Sixsmith, ela o encontrou 50 anos depois.

No dia seguinte à audiência geral da Praça de São Pedro, Philomena fala em um hotel romano sobre a sua história, o seu passado e a emoção em ver o pontífice. Ela não tem mais "rancor" – diz – contra a Igreja católica, mas, no começo do seu pesadelo, ela se sentiu "ferida, triste, com raiva".

Eis a entrevista.

Como você se sentiu ao encontrar o papa?

Sempre me senti culpada por ter tido um filho fora do casamento. Só o meu irmão conhecia a história. E ontem (quarta-feira), encontrando o papa, me senti finalmente livre. Entendi que eu não devia me sentir mais culpada. Eu acho que o Papa Francisco estará comigo na luta para ajudar milhares de mães e de crianças que buscam a verdade sobre a sua história.

O filme Philomena narra fielmente a sua história?

Sim, é como eu a contei, antes, ao jornalista Martin Sixsmith e, depois, ao diretor Stephan Frears. Além disso, certamente, há muitas licenças artísticas: por exemplo, eu não fiz a viagem aos Estados Unidos junto com o jornalista. Mas a essência da história é exatamente a minha história.

Você conheceu outras mulheres forçadas, como a senhora, a abandonar um filho?

Não. No convento, tínhamos que renunciar ao nosso nome e assumir outro. Por três anos, eu me chamei Marcela. E todas as outras moças na minha condição que eu conheci naquela época tinham nomes diferentes dos originais. Por isso, anos depois, quando me perguntaram se eu conhecia esta ou aquela pessoa, eu respondia "não sei", justamente porque nos conhecíamos com outros nomes. Mas tínhamos uma coisa em comum: nos sentíamos culpadas por ser mães solteiras. Também por isso, entre nós, nos comunicávamos pouco. Havia apenas uma moça com a qual eu tinha conseguido compartilhar a história, mas depois nos perdemos de vista.

Você considera o Vaticano responsável pelo que aconteceu com você?

Eu era muito jovem na época, não me fiz essa pergunta. Eu não sei quem foi o responsável, até onde chegava a responsabilidade. Foi como foi. Aconteceu há muito tempo. Claro que, no começo, quando eu saí, eu estava muito desiludida, com raiva, ferida, triste, brigava com todos. Eu também me afastei um pouco da fé. Mas não poderia viver por 62 anos com rancor. Depois, me tornei enfermeira em um hospital psiquiátrico e ali conheci o sofrimento e a dor de tantas pessoas, uma dor ainda pior do que a minha, e isso me ajudou a deixar de lado o meu sofrimento. Eu não tenho ressentimento, não mais, ao menos.

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