Sondagens do Sínodo sobre a família: católicos alemães e suíços rejeitam as doutrinas do casamento e sexualidade

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06 Fevereiro 2014

Relatórios das conferências episcopais da Alemanha e Suíça mostram uma clara divergência entre o que a Igreja ensina sobre o casamento, a sexualidade e a vida familiar e o que católicos – incluindo aqueles ativos nas paróquias – pessoalmente acreditam.

A reportagem é de Cindy Wooden, publicada pelo Catholic News Service, 04-02-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

As diferenças são vistas “acima de tudo quando se trata da coabitação pré-marital, (do status do) divorciado e recasado, do controle de natalidade e da homossexualidade”, afirmou o relatório dos bispos alemães publicado nesta terça-feira (03-02-2014) em seu site oficial. O texto foi publicado em alemão, italiano e inglês.

O material é um resumo das respostas oficiais de todas as 27 dioceses da Alemanha e de cerca de 20 organizações e instituições católicas do país dadas ao questionário do Vaticano publicado em preparação para o Sínodo dos Bispos sobre a família a acontecer em outubro.

Na quarta-feira (04-02-2014), a Conferência dos Bispos da Suíça tornou público um relatório inicial com base nas 25 mil respostas, em sua maioria similares àquelas recebidas pelos bispos alemães.

“A maioria dos batizados tem uma imagem da Igreja de que, por um lado, como sendo amiga da família em sua atitude, enquanto que, simultaneamente, consideram a sua moralidade sexual como sendo irrealista”, a sondagem alemã descobriu.

Os dois relatórios dizem que os católicos, nos respectivos países, aceitam a visão da Igreja relativa ao casamento como uma união de longa data entre um homem e uma mulher abertos a terem filhos e que esperam realizar tal visão em suas próprias famílias.

No entanto, as dioceses alemãs reportaram que “‘as uniões pré-maritais’ não constituem apenas uma realidade pastoral relevante, mas também que são quase universais”, uma vez que entre 90 e 100% dos casais que procuram se casar na Igreja já estão vivendo juntos, apesar de a Igreja ensinar que sexo fora do casamento é pecado.

“Na verdade, muitos consideram irresponsabilidade se casar sem antes viverem juntos”, diz o texto.

Grande parte do relatório alemão é dedicado a questões sobre católicos divorciados e recasados no civil, os quais, segundo do texto, são responsáveis por uma parcela significativa dos casais católicos, incluindo aqueles ativamente envolvidos na vida paroquial e nas atividades da Igreja.

A Conferência Episcopal da Alemanha disse que um terço de todos os casamentos no país termina em divórcio, e enquanto que os “casamentos dos católicos são, de certa forma, mais estáveis do que a média”, a diferença não é tão grande.

A publicação diz que muitos dos respondentes apoiaram uma iniciativa, de 2013, da arquidiocese de Friburgo (Alemanha) para que casais divorciados e recasados conversassem com um padre local sobre sua situação, sugerindo que o status aqui poderia ser resolvido como uma questão de consciência pessoal.

O cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, criticou a iniciativa, dizendo que os católicos “convencidos de que seu casamento anterior era inválido” devem ter esta crença confirmada por um tribunal eclesiástico.

Mas reformar e simplificar o processo de anulação da Igreja não faria grande diferença na Alemanha, diz o relatório dos bispos. Isso porque a maioria das pessoas recasadas não consideram a união anterior como “nula e sem efeito”, mas, antes, como tendo sido fracassada. “Portanto, eles muitas vezes consideram um processo de anulação” – que declara que um casamento aparente foi nulo desde o início – “como desonesto”.

De acordo com a Igreja, uma pessoa que não recebeu a anulação de seu casamento está, na maioria dos casos, ainda vinculada aos votos do casamento original e não se encontra livre para entrar em uma nova união. Alguém que se casa sob tais circunstâncias está, pois, excluído da Comunhão, embora não da vida da Igreja.

O Papa Bento XVI, o Papa Francisco e muitos outros bispos ao redor do mundo consideram o status dos católicos divorciados e recasados no civil como um problema pastoral urgente; é um dos problemas a ser considerado no Sínodo.

Tanto o relatório dos bispos alemães quanto o dos bispos suíços dizem que os católicos em seus países acreditam que a Igreja está agindo sem misericórdia com os católicos cujo casamentos originais fracassaram.

“Muitas vezes o divórcio e o casar novamente levam a um processo de distanciamento da Igreja ou de ampliação da lacuna existente”, lê-se no relatório dos bispos alemães. “Muitos não desejam estar associados com um instituição que eles consideram impiedosa”.

Ambas as pesquisas descobriram que a grande maioria dos católicos rejeita ou simplesmente ignora a doutrina da Igreja segundo a qual o ato sexual entre marido e mulher deve estar aberto à transmissão da vida e, portanto, descartar o uso de métodos contraceptivos artificiais.

Os bispos suíços disseram que “aproximadamente 60% dos participantes da consulta apoiam o reconhecimento dos casais homoafetivos”, embora as respostas não tenham mostrado “um consenso, mas sim uma polarização”, com reações negativas fortes.

Embora a doutrina da Igreja insista que pessoas homossexuais não devem ser discriminadas, ela afirma que atos homossexuais são sempre imorais e que o casamento pode somente ser uma união entre um homem e uma mulher.

Os bispos alemães disseram que em seu país – o qual reconhece “parcerias civis” de casais de mesmo sexo desde 2000 – os católicos, em grande parte, “consideram o reconhecimento jurídico das uniões homoafetivas e seu tratamento igual face ao casamento como um mandamento de justiça”.

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