O Capítulo dos Legionários de Cristo já teria eleito seu superior geral

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Por: André | 29 Janeiro 2014

Ruptura e refundação ou continuidade envernizada? Com este dilema de fundo, os 61 padres capitulares dos Legionários de Cristo, reunidos em Roma desde o dia 09 de janeiro passado, se preparam para eleger o seu novo superior geral. Os renovadores, que seguem sendo minoritários, depositam suas esperanças em Juan José Arrieta, o candidato que melhor sintoniza com os novos ares franciscanos de Roma. Os conservadores, majoritários no Capítulo, apresentam vários candidatos, mas poderão inclinar-se por EloyBedia como seu estandarte.

 
Fonte: http://bit.ly/1b2qd7w  

A reportagem é de José Manuel Vidal e publicada no sítio espanhol Religión Digital, 28-01-2014. A tradução é de André Langer.

Do Capítulo sai apenas informação. O hermetismo é total, exceto a informação propagandística que se publica em uma página na internet para dar publicidade do evento e simular transparência. Religión Digital conseguiu, no entanto, fazer contato com um legionário que está a par do que está acontecendo no conclave da congregação.

“Está claro que, neste momento, os conservadores contam com maioria no Capítulo e, para conseguir seu objetivo gatopardista de mudar para que nada mude, sua estratégia consiste em apresentar um candidato ‘moderado’ ou que soe a ‘moderado’”, diz nosso informante legionário. E acrescenta: “Há pouquíssimas esperanças de que do Capítulo saia uma nova Legião. A maioria conservadora pretende fazer um simples envernizamento geral, promover para diretor geral um dos seus que não seja tão ‘extremista’ como aqueles que governaram até agora, obter a maioria do Conselho e garantir o controle da instituição”.

“Mais ainda, estou certo de que, se o Papa não intervir diretamente, dentro de alguns anos colocarão um dos seus mais conservador ainda, para estender a ideia de que ‘aqui não aconteceu nada’”, explica a nossa fonte.

Para conseguir isto, a velha guarda dos Legionários de Cristo, que sempre deteve o poder e não quer largá-lo, está promovendo duas estratégias. A primeira consiste em apostar, de entrada, na linha mais dura, com um encorpado leque de candidatos: Sylvester Heereman, Julio César Martí, Eugenio Martín, Jesús María Delgado, Eduardo Robles Gil, Rodolfo Mayagoitia, Emilio Díaz-Torre, Hernán Jiménez, Juan María Solana e Peter Coates. “A eleição de qualquer um deles seria horrorosa para a renovação dos Legionários”, garantem no setor renovador.

Consciente da dificuldade de fazer “engolir” os citados líderes da velha guarda macielana, a maioria continuísta começou a promover para diretor geral “nomes moderados, que caiam no gosto de todos, de tendência conservadora, mas que não estejam tão ‘queimados’ perante o setor renovador. E aponta especialmente para dois nomes: Eloy Bedia (foto acima) e José Gerardo Cárdenas.

De fato, algumas fontes afirmam que o Capítulo já teria eleito o novo superior geral na pessoa de Eloy Bedia, mas a eleição teria sido mantida em segredo à espera da aprovação do Papa. Um placet que poderá demorar.

O padre Eloy Bedia Díez nasceu em Pontejos (Cantábria), no dia 18 de janeiro de 1956. Ingressou no noviciado dos Legionários de Cristo em Salamanca, no dia 15 de setembro de 1973. E o padre José Gerardo Cárdenas Jiménez nasceu no dia 1º de julho de 1957 em Monterrey (México), fez seu noviciado em Orange (Estados Unidos), iniciando-o no dia 15 de setembro de 1974.

Este é o plano oficialista que, até agora, segue seu curso, “sem que o cardeal De Paolis se inteire de nada, enquanto as manobras ‘propagandísticas’ do porta-voz Clariond tentam distrair o pessoal”, explica o nosso informante legionário do setor renovador.

“Que Francisco intervenha”

Por isso, a estratégia do outro setor, o renovador, apóia-se em dois pilares. O primeiro, apresentar seus candidatos. E o segundo, pedir a intervenção direta do Papa Francisco. Os candidatos dos renovadores são Juan José Arrieta (foto abaixo), Juan Sabadell e Giuseppe Gemelli. Da tríade renovadora, o que mais possibilidades e apoios têm é o primeiro.

 
Fonte: http://bit.ly/1b2qd7w  

O padre Arrieta conta, além disso, com uma grande vantagem a seu favor: os padres capitulares sabem que “o mesmíssimo Francisco colocou toda a sua esperança na eleição de Juan José Arrieta”. Entre outras coisas, porque é o “recomendado” de um dos cardeais de máxima confiança do Papa, o chileno Errázuriz, profundo conhecedor dos Legionários de Cristo e que sempre mostrou suas simpatias pelos renovadores, especialmente pelo padre Deomar de Guedes, o brasileiro que deixou a instituição, para denunciar o tiroteio que os mais conservadores estão fazendo contra a renovação.

Por outro lado, Arrieta não é nenhum desconhecido e também conta com muito peso dentro da própria congregação. Ele foi, entre outras coisas, aquele que levou em primeira pessoa a relação com os numerosos abusos e conhece a fundo os meandros da instituição em nível global. Superior durante muitos anos, após a divulgação dos escândalos de Maciel, decidiu manter-se um tempo afastado da instituição, para voltar com ideias muito claras sobre a sua renovação e refundação.

Os que o conhecem bem garantem que se trata de “um sacerdote reto, que não tem medo da verdade, decidido a enfrentar qualquer debate por mais sensível que seja, sabe marcar os ritmos e tem em mente um programa claro para os Legionários de Cristo, além de estar empenhado em conseguir sua transparência mais total e absoluta”. Não em vão os conservadores consideram-no seu principal rival na corrida ao posto de número um.

Em qualquer caso, caso os capitulares decidirem olhar para aquele que se supõe seja o candidato do Papa e, finalmente, for eleito, Juan José Arrieta só aceitaria por mandato expresso de Francisco.

Mas conhecedores do funcionamento eclesial, a desilusão espalha-se entre os renovadores. “Não creio que o caminho da renovação tenha sucesso. Há muitos interesses criados. Estão no meio João Paulo II e muitos cardeais envolvidos e comprados na era Maciel. Dito claramente, muita porcaria a ser limpa. A ideia que parece impor-se é que não haja mais escândalos e que a coisa se resolva sem barulho e sem mudanças bruscas. Uma pena, porque os que mais sofrem são os de dentro”, explica a nossa fonte.

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