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Por: Jonas | 16 Janeiro 2014

Sob a pomposa denominação de “pacto de responsabilidade”, Hollande (foto) apresentou um plano de ação que contempla unicamente os interesses das empresas. Disse, além disso, que no futuro irá “esclarecer a situação” sobre o seu estado conjugal.

A reportagem é de Eduardo Febbro, publicada por Página/12, 15-01-2014. A tradução é do Cepat.

 
Fonte: http://goo.gl/ItCrIN  

A esquerda francesa mudou de cultura política. No curso da terceira coletiva de imprensa de seu mandato, o presidente François Hollande fechou os portões da social-democracia, com cujos encantos foi eleito, para abrir totalmente as janelas para as políticas de corte liberal e aderir de vez as demandas históricas do patronato francês. O socialismo francês entrou no círculo dessa coisa híbrida que é o “socialismo europeu”: brando, cínico, liberal e gerencial. Com uma vaga promessa de “esclarecer a situação”, o presidente francês deixou fora de cena a curiosidade dos 500 jornalistas que esperavam, na coletiva de imprensa, que o chefe de Estado se referisse ao cômico episódio que deixou escancarada a sua relação secreta com a atriz Julie Gayet. Esse episódio é muito anedótico frente à transformação de quem foi eleito, em 2012, com uma promessa de justiça social e com uma declaração de guerra contra as finanças.

Aquelas canções contra os mercados é preciso colocá-las, hoje, no manual das boas intenções. Como já é comum com os socialistas de fins do século XX e deste século XXI, assim que assumem o poder tomam o caminho que repudiaram na oposição. Hollande seguiu esse caminho e, agora, o patronato comemora o presente que acaba de receber da presidência. Sob a pomposa denominação de “pacto de responsabilidade”, o presidente francês apresentou um plano de ação que contempla unicamente os interesses das empresas. Trata-se de um cheque em branco, que engloba uma grande redução dos custos da mão-de-obra em troca da eterna promessa de que as empresas criarão mais trabalho. O pacto e as transformações são profundos. Como destaca o semanário Le Nouvel Observateur, “antes se tratava de redistribuir para reativar a produção. Desta vez, ajuda-se a produção, ou seja, as empresas privadas, para redistribuir mais tarde”.

A receita já é conhecida. Ontem, Hollande acabou de virar as costas para suas promessas e aos eleitores da esquerda, com o célebre argumento de que “a oferta cria a demanda”. Em números reais, o primeiro capítulo compreende uma redução do custo do trabalho, mediante a eliminação, do momento atual até 2017, das cotizações familiares para as empresas e os trabalhadores independentes. A economia para as empresas equivale a uns 35 bilhões de euros. Segundo prometeu o presidente, o custo desta solução não repercutirá em novos aumentos de impostos, mas será financiada economizando uns 53 bilhões de euros. Hollande garantiu que este dispositivo será financiado com uma nova reforma do Estado, com a luta contra a fraude à seguridade social, a simplificação da política fiscal e a diminuição do gasto público. Liberal, liberal, liberal.

Esta linha aponta claramente para o aumento dos lucros das empresas, para que estas desenvolvam novos produtos, tenham mais atividade e, por conseguinte, contratem mais pessoas. Orientada como um canhão para o patronato, Hollande precisou na coletiva de imprensa que tudo “seria simplificado”, não para que mingue “a seguridade social”, mas para “simplificar e facilitar a vida das empresas”. O patronato francês estava, ontem à noite, embriagado de alegria. Os principais círculos patronais comemoravam os anúncios do presidente, ao passo que os sindicatos sentiam que o futuro se vislumbrava como nuvens ultraliberais. De fato, o mandatário cedeu diante da principal exigência do Medef - o organismo que agrupa o patronato francês -. O Medef vinha pedindo, há muito tempo, que se eliminassem as cotizações das empresas, mediante as quais são financiados os subsídios familiares - 5,4% do salário -. Hollande aderiu a este princípio. O Chefe de Estado repetiu que “meu único objetivo é o trabalho. Apenas conseguiremos reduzir o desemprego se as empresas criarem empregos”. O caminho que escolheu consiste em oferecer de bandeja um novo presente às empresas para ver se, quando o abrirem, estas decidam distribuir. O homem que chegou ao poder prometendo restaurar a social-democracia europeia fez o caminho inverso: restaurou o liberalismo no seio da social-democracia.

Em relação aos seus caminhos amorosos, descobertos pelo semanário Closer, Hollande esquivou-se das perguntas. Alain Barluet, o presidente da associação da imprensa presidencial, foi o encarregado de fazer a pergunta comprometedora: “Valérie Trierweiler continua sendo a primeira-dama da França?”, perguntou o jornalista. O mandatário respondeu que ele e sua companheira viviam “momentos difíceis e dolorosos” e prometeu que dará as explicações necessárias antes de viajar para Washington, no próximo dia 11 de fevereiro. Uma vaga sensação de infidelidade ficou flutuando pelo ar. A mais importante é, na verdade, aquela que diz respeito aos eleitores que escolheram o presidente com um programa muito diferente ao da agenda patronal, que Hollande detalhou como poção mágica para o futuro.

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