O sonho do rabino amigo de Francisco

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Por: André | 20 Dezembro 2013

Quis que fosse ele que escrevesse a introdução do livro O Jesuíta (2010), que depois se converteu num best-seller mundial ao ser considerada a primeira biografia autorizada do novo Papa latino-americano. “Pelo que sei, deve ser a primeira vez em 2000 anos de história que um rabino escreve o prólogo de um livro que recolhe o pensamento de um sacerdote católico”. Com ele refletiu Sobre o céu e a terra (Companhia das Letras, 2013), com ele conversou durante dois anos e meio nos estudos do Canal 21, em Buenos Aires, sobre a Sagrada Escritura. Agora que a viagem de Francisco à Terra Santa é oficial e o patriarca latino Fouad Twal confirmou o mês – maio de 2014 –, o rabino argentino Abraham Skorka sonha em acompanhar Francisco.

 
Fonte: http://bit.ly/1dRYPbf  

A reportagem é de Alver Metalli e publicada no sítio Vatican Insider, 19-12-2013. A tradução é de André Langer.

Ou, talvez, já sabe que o fará, uma vez que falaram várias sobre este assunto quando Bergoglio, o amigo Bergoglio, ainda não era Papa. “Diferentes instituições judias me pediam quem poderia ser homenageado, da Argentina, com uma visita à Terra Santa, e eu sempre indicava ele, Bergoglio”. A viagem nunca aconteceu. “Quando foi eleito Papa – Shimon Peres o havia conhecido e sei que haviam ficado mutuamente impressionados um com o outro, disse Skorka – a presidência de Israel colocou-se em contato comigo para manifestar o seu profundo desejo de recebê-lo em Israel”. Era o dia 13 de junho e o rabino Abraham Skorka encontrava-se em Roma à espera de ver o velho amigo vestido com a túnica branca. “Contei todas estas coisas a ele e ele gostou da ideia”.

Depois coube a Benjamin Netanyahu. O convite foi oficial. Skorka viu as imagens do encontro entre Francisco e o primeiro-ministro pela televisão. Escreveu uma mensagem eletrônica ao Papa, como fazia com frequência quando o amigo Bergoglio era arcebispo, e contina fazendo agora que é Francisco. “Estamos em contato”, admite, “e continuamos trocando opiniões sobre as coisas da vida, da política, do que acontece no mundo...”. Provavelmente – mas isto o rabino Skorka não disse – recordou as palavras trocadas em junho para irem juntos à Terra Santa. Skorka está convencido de que com Francisco o povo judeu encontrou o melhor amigo que alguma vez já esteve no Vaticano, no trono de Pedro. “O diálogo franco, sincero, profundo e afetivo com muitos judeus na Argentina, não apenas comigo, não deixa dúvidas a este respeito. É uma história de atenção e respeito”.

Cinquenta anos se passaram desde a histórica visita de Paulo VI à Terra Santa, que Francisco se propõe a comemorar. Skorka tinha quatro anos quando o Papa Montini colocou os pés em Israel, mas a lembrança daquele momento é nítida em sua memória. “Meus pais e meus avós nasceram na Polônia”, recorda Skorka. “Viveram na pele o antissemitismo cristão; a fome e as perseguições foram as duas razões pelas quais deixaram o país. Ao mesmo tempo, sempre soube que a cultura e os valores do povo polonês tinham muito a ver com o cristianismo e que o cristianismo tem suas raízes no judaísmo. São mensagens contraditórias, mas esta foi também a minha fonte de inspiração para o diálogo inter-religioso: se há um reconhecimento real, sincero, respeitoso, é possível trabalhar juntos por um mundo melhor. O que me causou mais dor naquela visita de Paulo VI foi que não pôde ir a Jerusalém, na época, dividida”. O Papa Francisco irá e Skorka gostaria de compartilhar esse momento histórico com ele. Também a visita de João Paulo II disse tê-la “muito fresca na mente; uma emoção enorme vê-lo ali, em pé, ouvindo o hino de Israel”. Recorda como durante seu papado se deu o restabelecimento das relações diplomáticas entre Israel e o Vaticano.

A visita de Ratzinger se deu em um momento complicado do Oriente Médio: difícil que tivesse o mesmo impacto sobre as pessoas e os governos. “Ratzinger – explica Skorka – disse coisas profundas, com muita coragem, de grande valor, como no primeiro capítulo dos três volumes de Jesus de Nazaré, construído como um midrash talmúdico... falei com Bergoglio”, recorda. Deste último, do amigo Bergoglio, espera-se ainda mais. “Um rugido, disse, o rugido de um profeta que pede que se faça justiça a quem sofre”. Um “passo para frente” que está convencido de que “será possível graças à capacidade de Francisco de ir ao essencial”.

O Papa não se deixa atemorizar pelas críticas dos tradicionalistas e conservadores, que nestes tempos se intensificaram. Os tradicionalistas acusam-no de moderno, os conservadores, os do Tea Party norte-americano, de marxista. Os primeiros pedem a Deus “que o ilumine ou elimine”, os outros fazem um apelo aos jovens para isolá-lo. Fazemos ao rabino Skorka uma pergunta à queima-roupa. Se o Papa corre algum perigo, como há algum tempo declarou um magistrado italiano. Fica pensativo. O silêncio se alonga. Pergunta se a questão se refere a perigo físico. Depois, precisa: “A Igreja Católica Apostólica Romana deve cuidar dele... muito... muito”.

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