Presente dado por republicanos a universidade católica americana recebe críticas

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20 Dezembro 2013

Um grupo de aproximadamente 50 acadêmicos, incluindo vários ex-funcionários da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, divulgou uma carta nesta segunda-feira criticando a universidade nacional dos bispos por ter aceitado o presente de 1 milhão de dólares de um grupo conservador famoso por financiar esforços oposicionistas aos direitos dos trabalhadores.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada pelo sitio National Catholic Reporter - NCR, 16-12-2013. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A aceitação da doação feita pela Fundação Charles Koch por parte da Universidade Católica da América, dizem os acadêmicos, sinaliza um “enorme contraste” entre o apoio de décadas da Igreja às tentativas dos trabalhadores para se sindicalizarem e os objetivos das políticas públicas adotadas pela citada fundação.

Esta universidade católica, localizada em Washington e que é a única faculdade ou universidade dos EUA fundada por bispos, no mês passado anunciou ter recebido a doação da Fundação Koch para dar suporte financeiro a uma pesquisa sobre “empreendedorismo baseado em princípios” e a sua faculdade de Administração.

A universidade informou em um comunicado, no dia 12-11-2013, que a doação irá permitir contratar três novos professores visitantes e um especialista no ramo dos negócios para lecionar e realizar pesquisas.

Na carta enviada pelos acadêmicos na segunda-feira, endereçada ao presidente da Universidade Católica, John Garvey, e ao decano da faculdade de Administração, Andrew Abela, diz-se que a Fundação Koch tem uma “agenda ideológica no que diz respeito a dar forma para o debate nacional sobre economia e política que não é simplesmente de natureza acadêmica”.

“Os irmãos Koch são bilionários da área da indústria que financiam organizações promotoras de políticas públicas que contradizem diretamente o ensino católico num âmbito de questões morais que vão desde a justiça econômica até a gestão ambiental”, dizem os que assinam a carta.

“Estamos preocupados com o fato de que, ao aceitar tal doação, mandamos também uma mensagem confusa aos alunos e a outros fiéis católicos, de que a ideologia Tea Party e de oposição aos governos tem a bênção de uma universidade sancionada pelos bispos católicos.”

A Fundação Charles Koch é uma entre tantas outras dirigidas pelos filhos de Fred C. Koch, um falecido químico do Texas, fundador de um conglomerado na área do petróleo e gasolina, hoje a segunda maior empresa privada dos EUA.

Os filhos de FredDavid e Charles – ganharam manchetes recentemente pelo apoio dado a causas do partido Republicano, em particular aos esforços do governador do estado de Wisconsin, Scott Walker, para dificultar a capacidade dos sindicatos de negociar coletivamente seus objetivos.

“Não devemos ignorar o enorme contraste entre a agenda de política pública dos irmãos Koch e os ensinos de justiça social da Igreja”, afirma a carta divulgada.

Ao mencionar o apoio de muitas décadas da Igreja relativo aos direitos dos sindicatos, citam uma carta pastoral de 1986 dos bispos americanos – intitulada “Justiça econômica para todos” –, que afirma que a Igreja “apoia plenamente os direitos dos trabalhadores para constituírem sindicatos e outras associações que visam assegurar seus direitos a salários e condições de trabalho dignos”.

A carta também faz referência ao desequilíbrio crescente de renda entre os mais ricos e os mais empobrecidos do mundo, citando as observações do Papa Francisco em sua recente exortação apostólica Evangelii Gaudium [A Alegria do Evangelho], onde se lê que o desequilíbrio “é o resultado das ideologias (...) que defendem a autonomia absoluta do mercado e da especulação financeira”.

“É esta ‘autonomia absoluta do mercado’ que Charles e David Koch estão trabalhando para alcançar”, conclui a carta.

“Nossa tradição intelectual e social católica oferece uma crítica importante dessa visão”, afirmam os acadêmicos. “Estamos ansiosos por um diálogo produtivo e civil (...) sobre como podemos proteger a integridade dos ensinos da vida ética condizentes da Igreja”.

Entre os acadêmicos que assinam a carta estão quatro docentes da Universidade Católica, três ex-funcionários da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, dois ex-presidentes da Sociedade Teológica Católica da América e o presidente da Universidade de San Francisco, administrada pelos jesuítas.

Também assinam a carta Miguel Diaz, teólogo da Universidade de Dayton e embaixador dos EUA na Santa Sé de 2009 a 2012, e David McLoughlin, ex-presidente da Associação Teológica Católica da Grã-Bretanha.

Incluídos entre os ex-funcionários da conferência dos bispos estão o padre jesuíta Drew Christiansen, que liderou de 1991 a 1998 o escritório dos bispos para a justiça internacional e paz, e Francis X. Doyle, secretário-geral associado da conferência dos bispos nas décadas de 1980 e 1990.

Enquanto não se sabe exatamente quanto dinheiro os irmãos Koch deram à campanha do candidato Walker para governador do estado de Wisconsin, em 2010, e depois para o seu esforço bem-sucedido, em 2011, de disputar uma eleição revocatória, sabe-se que o comitê para ações políticas das empresas Koch deram, no mínimo, 1 milhão de dólares à Associação dos Governadores Republicanos no ano de 2010.

Estima-se que Walker tenha recebido, para sua campanha, a soma de 3 milhões de dólares por parte do grupo da direita política apoiado pelos irmãos Koch, o “Americans for Prosperity” [Americanos para a Prosperidade].

A faculdade de administração da Universidade Católica, conhecida como Escola de Administração de Empresas e Economia, foi inaugurada em janeiro a partir de um departamento que, antes, abrigava as faculdades de artes e ciências.

Em um comunicado anunciando a formação da nova faculdade, a universidade disse querer que o novo empreendimento esteja focado em três áreas: formação prática de novos líderes no ramo dos negócios; esforços de pesquisa “orientados para o bem comum”; e integração da “moralidade e de um senso de serviço” dentre de cada um dos cursos de Administração da universidade.

Junto da doação da Fundação Charles Koch, a universidade também anunciou, em novembro, um recebimento de 500 mil dólares para a sua faculdade de Administração provindo da Fundação Família Busch. A universidade também afirmou estar ainda em busca de um adicional de 5 milhões de dólares em financiamentos para a nova faculdade.

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