O que Francisco fará com os Legionários de Cristo?

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Por: André | 17 Dezembro 2013

Primeiro, uma das mais altas autoridades dos Legionários de Cristo saiu abruptamente da ordem devido à lentidão com que se processam as mudanças. Depois, os sacerdotes facultaram aos protegidos e sócios do fundador caído em desgraça, Marcial Maciel, para que elegessem o novo líder.

A reportagem está publicada no sítio Religión Digital, 13-12-2013. A tradução é de André Langer.

Durante o mês passado houve vários retrocessos no processo dos legionários para se reformarem mediante a eleição de um novo dirigente, com o que terminará a supervisão do Vaticano, que durou três anos. Mas, embora os Legionários de Cristo queiram mostrar uma nova cara, seus mais altos dirigentes seguem falando com nostalgia e veneração de Maciel, que violou vários seminaristas, tinha três filhos e foi definido como alguém “carente de escrúpulos e autêntica vocação religiosa” pelos investigadores designados pelo Vaticano para indagar os abusos dos quais estavam sendo acusados.

Isso significa que se reduzem as possibilidades de sucesso de uma reforma drástica dos Legionários de Cristo como deseja o Vaticano e colocam a seguinte pergunta: o que o Papa Francisco fará com a outrora poderosa e abastada congregação, uma vez que terminar o mandato do enviado papal?

O antecessor de Francisco, Bento XVI, encarregou-se dos Legionários em 2010 e nomeou um cardeal para dirigi-los depois que os investigadores viram que a ordem necessitava “purificar-se” da influência de Maciel. Na realidade, o Vaticano conhecia os crimes de Maciel há décadas, mas os ignorou, impressionado com sua habilidade para arrecadar milhões de dólares e oferecer milhares de seminaristas à Igreja.

A incapacidade de Roma para detê-lo é o caso mais atroz da indiferença para com as vítimas de abusos sexuais que mancharam o legado do Papa João Paulo II, que será canonizado em abril de 2014, porque ele apresentou os Legionários de Cristo como modelo a seguir para os fiéis.

Sem dúvida, houve alguns progressos durante a regência vaticana sobre a ordem. Os Legionários reescreveram seus estatutos, divulgaram estatísticas sobre os casos de abusos sexuais e sacerdotes respeitados pediram perdão às vítimas de Maciel por ignorá-los e difamá-los. Mas as eleições recentes demonstraram que os membros da congregação votaram a favor da ordem tradicional.

Essa mentalidade provocou que dezenas de sacerdotes desiludidos e centenas de seminaristas e consagrados saíssem dos Legionários: no sábado , 14 de dezembro, foram ordenados 31 novos ministros, a metade dos que eram ordenados há três anos.

No mês passado, Deomar de Guedes, o conselheiro governante de orientação reformista, anunciou não apenas que renunciava ao seu cargo, mas que abandonaria a congregação, um golpe duro que ocorre antes da assembleia de 8 de janeiro, na qual se aprovarão os estatutos e se elegerá um novo superior.

Em sua carta de demissão, De Guedes disse que não tinha forças para continuar, mas o porta-voz dos Legionários, o sacerdote Benjamín Clariond, disse que muitas vezes De Guedes estava em “minoria”, que pedia mudanças mais rápidas e profundas e que isso era uma fonte de “tensão” para ele.

“Sabemos que a reforma foi lenta até agora”, disse Clariond em um correio eletrônico. “Isso se deve a que tratamos de fazer mudanças que não sejam apenas cosméticas, mas que resolvam as causas dos conflitos. Isso leva tempo”.

Mas após a assembleia, quando terminar o mandato do delegado papal, o cardeal Velasio de Paolis, fará várias perguntas que o Papa Francisco deverá responder. Os Legionários abandonaram as práticas de culto que os bispos franceses denunciaram recentemente em uma carta às vítimas de abuso sexual? Francisco aprovará os estatutos e dará aos Legionários um visto de aprovação? Fará algum tipo de cláusula que prolongue a supervisão do Vaticano uma vez que De Paolis sair?

Francisco disse que a assembleia dos Legionários de Cristo não é o fim da reforma, mas um “passo” a mais.

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