O Opus Dei com o papa: ''A Igreja precisa da sua reforma''

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16 Dezembro 2013

O que pensam no Opus Dei sobre o Papa Francisco? Como acolheram, em uma das mais poderosas e ramificadas costelas da Igreja Católica, a eleição de um jesuíta e as suas medidas surpreendentes?

A reportagem é de Antonio Macaluso, publicada no jornal Corriere della Sera, 15-12-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Acolhemo-la com profunda alegria – sorri o prelado do Opus Dei, Dom Javier Echevarría –, e eu confiei o Papa Francisco na minha oração a Santo Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus, cujos frutos apostólicos são um tesouro para a Igreja. Um santo muito apreciado pelo fundador do Opus Dei, tanto que, em um de seus livros, Caminho, ele se refere a ele nada menos do que seis vezes, chamando-o até pelo nome familiar de Iñigo".

Eis a entrevista.

Invertamos a pergunta: o que o papa pensa do Opus Dei? Vocês se encontraram duas vezes. Diz-se que ele é um devoto do seu fundador, São Josemaría, é verdade?

O Santo Padre me expressou a sua alegria e concedeu a sua bênção para o trabalho apostólico da Prelazia, que ele conhece bem. Dentre outras coisas, quando era arcebispo de Buenos Aires, ele tinha relações com diversos fiéis do Opus Dei. E ele conhece São Josemaría. Há alguns anos, ele veio visitar o seu túmulo, aqui em Roma, e se deteve em oração por nada menos do que 45 minutos. É uma demonstração prática da intensidade e da generosidade da oração de quem é agora o sucessor de Pedro.

Desde o início, o Papa Francisco se mostrou um pontífice "revolucionário", com escolhas inquietantes...

E as pessoas logo reconheceram no Papa Francisco um sacerdote autêntico, que reza muito e sabe ouvir quem está à sua frente. Ao mesmo tempo, é austero consigo mesmo. Ele quer aprofundar aquela bela imagem de Bento XVI, que ansiava por uma Igreja cada vez mais semelhante à casa de Nazaré. Para que ela se torne isso realmente, não basta renunciar aos bens materiais (alguns são necessários para o trabalho e para uma normal vida familiar e social), é preciso – como Francisco nos ensina – amar a pobreza por amor.

De fato, desde o início, o papa se referiu a uma Igreja "pobres entre os pobres", capaz de ir às periferias, e ele mesmo escolheu um estilo sóbrio. Como o Opus Dei vê tudo isso, ele que é considerado, por muitos, com ou sem razão, como uma organização certamente não para cristãos pobres?

Na realidade, poderíamos dizer que o Opus Dei nasceu justamente nas periferias, nos anos 1930, em Madri. E, desde então, muitas pessoas continuam exercendo esse tipo de compromisso em todo o mundo, ajudando os pobres, os doentes, homens, mulheres e crianças em dificuldade de Nova Deli a Manila, Lima, Manchester, Kinshasa. Além disso, permita-me esclarecer que o Opus Dei não se volta apenas aos ricos: muitos fiéis da Prelazia, em diversas partes do mundo, não conseguem chegar ao fim do mês e enfrentam essa dificuldade com heroísmo e com fé, sem fazer barulho.

Ainda não passou o primeiro ano de pontificado, e o papa e fez escolhas importantes com relação aos seus colaboradores, com uma clara intenção de reformar – não sem resistências – a Cúria. Também com relação à transparência financeira e à reforma do IOR, ele está mostrando determinação. Como o senhor julga essa estratégia?

Não cabe a mim indicar o que é prioritário, mas sim ao Santo Padre. Na minha experiência, eu encontro nos diversos dicastérios e na Santa Sé em geral muitas pessoas que trabalham sem se pouparem. Mas, certamente, a reforma é necessária mesmo assim: embora bem organizadas, as estruturas humanas nunca conseguirão estar perfeitamente à altura da tarefa de levar o Evangelho a todo o mundo. Por isso, a Igreja, como bem diz o papa, não pode se confundir com uma ONG, mas sempre deve se fundamentar na fé em Cristo, como uma esposa fiel.

No rastro de João Paulo II e de Bento XVI, o Papa Francisco impulsiona o tema da Nova Evangelização: como o Opus Dei responde a esse apelo?

O Papa Francisco está ajudando todo o mundo a ressaltar a cultura do ser, da vida, em contraste com a do ter, que às vezes sufoca as sociedades economicamente mais desenvolvidas. E ele fala da santidade comum: uma mulher que cria os seus filhos, um homem que trabalha para trazer o pão para casa, os doentes. Esse tipo de santidade é o que o Ocidente deve redescobrir. Não um caminho para poucos iniciados, mas sim um convite que o Senhor dirige a todos. Nos países de tradição cristã, o Opus Dei – através de atividades de formação espiritual – oferece um caminho de redescoberta da fé em meio às ocupações comuns. É essa a Nova Evangelização: reacender nos cristãos, que talvez se sentem cristãos apenas por "pertencimento cultural", o calor de uma relação viva e pessoal com Deus.

O Papa Francisco falou de uma Igreja como "hospital de campanha", que também deve se ocupar daqueles que abortaram ou se divorciaram. Para 2014, está previsto um sínodo sobre a família, e o papa enviou um questionário em que pediu que os bispos se expressem sobre essas questões. Qual é a posição do Opus Dei?

O homem contemporâneo experimenta profundos sofrimentos na vida profissional, nas relações sociais e até mesmo na própria família. Como cristãos, somos chamados a pôr a mão na massa, a olhar para os outros com o mesmo olhar de Cristo, cheio de amor e misericórdia. Quando um cristão ajuda um amigo, é como Cristo que cura, sem repugnância para com aqueles que precisam ser curados. O sínodo sobre a família vai nos estimular a redescobrir a beleza do amor, da fidelidade, daquele clima familiar que também é construído com palavras e atitudes de serviço, sem nos esquecermos daqueles que sofreram feridas justamente nesse campo.

Em entrevista ao Corriere della Sera, a presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, pediu um maior peso para as mulheres dentro da Igreja. O senhor concorda?

Certamente. Posto que, como lembrou o Santo Padre, a Igreja é mulher, basta pensar no papel central de Nossa Senhora. O tema da mulher não é novo, e o próprio desenvolvimento da Igreja também foi sustentado pelas mulheres. E o Opus Dei sempre viu a mulher em um papel central.

O que o senhor pensa do papel e das responsabilidades das classes dirigentes na crise que há anos tem atingido o mundo ocidental e, em particular, países como a Itália?

Penso que não podemos jogar tudo sobre as classes dirigentes sem antes nos interrogarmos sobre o que – seja qual for o nosso papel na sociedade – fazemos todos os dias. Não podemos pensar apenas em jogar as responsabilidade em cima dos outros, de uma classe dirigente que nós escolhemos e que nós podemos, no entanto, condicionar. Portanto, interroguemo-nos primeiro sobre como vivemos, sobre como trabalhamos, sobre como estamos na relação com os outros, com a nossa família. Entra-se e sai-se de uma crise, e para fazer isso também é preciso o compromisso de cada um de nós, não só de quem governa.

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