A descentralização de Francisco. Maiores poderes para as Conferências Episcopais

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Por: Jonas | 27 Novembro 2013

É um parágrafo breve, mas anuncia mudanças significativas, relacionadas ao próprio papado e que, além disso, prevê a descentralização de maiores responsabilidades para as conferências episcopais. No número 32 do documento divulgado, Bergoglio referindo-se à “conversão pastoral” pedida por ele próprio, escreve: “Uma vez que sou chamado a viver o que peço aos demais, também devo pensar em uma conversão do papado”.

 
Fonte: http://goo.gl/MQti6b  

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicado por Vatican Insider, 26-11-2013. A tradução é do Cepat.

“Corresponde-me, como Bispo de Roma – acrescenta Francisco -, estar aberto às sugestões que se orientam para um exercício de meu ministério, que o torne mais fiel ao sentido que Jesus Cristo quis lhe dar e às necessidades atuais da evangelização”.

Bergoglio recorda que o papa Wojtyla, na encíclica “Ut unum sint” (1995), pediu ajuda para encontrar “uma forma de exercício do primado que sem renunciar de forma alguma ao essencial de sua missão, abra-se para uma situação nova”. Porém, observa Francisco, “avançamos pouco nesse sentido. Também o papado e as estruturas centrais da Igreja universal necessitam escutar o convite a uma conversão pastoral. O Concílio Vaticano II expressou que, assim como nas antigas Igrejas patriarcais, as Conferências Episcopais podem “desenvolver uma obra múltipla e fecunda, para que o afeto colegial tenha uma aplicação concreta”.

Contudo, este desejo conciliar, observa o Papa, também não “se realizou plenamente, pois ainda não se explicitou suficientemente um estatuto das Conferências Episcopais que as conceba como sujeitos de atribuições concretas, incluindo também alguma autêntica autoridade doutrinal. Uma excessiva centralização, mais do que ajudar, complica a vida da Igreja e sua dinâmica missionária”.

Por isso, pode-se esperar que entre as reformas que serão estudadas pelo conselho dos oito cardeais esteja a questão de um maior papel das Conferências Episcopais. O Sínodo dos Bispos de 1985 já havia proposto que fosse definido, de forma mais ampla e profunda, o estudo do status teológico e jurídico das conferências e dos bispos, sobretudo em relação ao problema de sua autoridade doutrinal. Na atualidade, o Código de Direito Canônico estabelece algumas responsabilidades doutrinais às Conferências Episcopais, como “procurar a edição de catecismos para seu território, com prévia aprovação da Sé Apostólica” (755 2), e a aprovação das edições dos livros das Sagradas Escrituras e de suas versões. Em 1998, com o Motu proprio “Apostolos suos”, João Paulo II recordou que as Conferências Episcopais devem ser consideradas no contexto do conjunto do colégio dos bispos, e que estas não são sujeito colegial do governo das Igrejas particulares, nem instância intermediária entre bispos individuais e o conjunto do colégio episcopal.

Agora, Francisco afirma querer ir mais além, seguindo a direção da descentralização. E sobre este aspecto o Papa já havia falado durante a entrevista para a revista “La Civiltà Cattolica: “Os dicastérios romanos – disse nessa ocasião – estão a serviço do Papa e dos bispos: devem ajudar tanto as Igrejas particulares, como as conferências episcopais. São mecanismos de ajuda. Em alguns casos, quando não são bem compreendidos, pelo contrário, correm o risco de se tornarem organismos de censura. É impressionante ver as denúncias de falta de ortodoxia que chegam a Roma. Acredito que os casos devem ser estudados pelas Conferências Episcopais locais, para as quais pode chegar uma ajuda válida de Roma. Os casos, com efeito, são tratados melhor no local. Os dicastérios romanos são mediadores, não intermediários ou gestores”.

Pode-se apreciar, pois, um plano para reformar a Cúria Romana e para torná-la menos burocrática e mais ágil, mas, sobretudo para configurá-la como instrumento a serviço do Papa e das Igrejas, ao invés de continuar sendo um órgão central de controle e de governo. Para realizar isso, além de fundir alguns dicastérios existentes, algumas responsabilidades passarão do centro para os episcopados locais.

Nota da IHU On-Line: A íntegra do documento, em português, pode ser lida aqui.

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